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terça-feira, 4 de setembro de 2018

Prevenção ao suicídio é tema de diversas atividades em Santo André neste mês

Da redação

A campanha Setembro Amarelo levanta o debate sobre a prevenção ao suicídio. O tema tem chamado a atenção pela ocorrência de desafios como o da “Baleia Azul” e “Boneca Momo”, colocando em risco a integridade de jovens. Em Santo André, a Prefeitura, por meio da Secretaria de Saúde, e em parceria com o Centro de Valorização da Vida (CVV), programou ao longo do mês atividades, que debatem políticas a respeito do tema, e que evidenciam a importância de cuidar da saúde emocional e não banalizar transtornos mentais.

"Falar é a melhor solução", ligue CVV 188, para apoio emocional sob total sigilo | Imagem: Reprodução 
Nesta edição, a campanha tem como foco a prevenção na adolescência. A psicóloga Tânia Regina Santos Maia, que realiza atendimento de adolescentes no Centro de Especialidades I, afirma que esta preocupação tem sido frequente no meio em que atua. “Quando eu recebo pela primeira vez os pais desses adolescentes (seus pacientes), a maioria me sinaliza que os filhos já fizeram alguma tentativa nesse sentido ou eu eles estão com receio dos filhos tentarem”, destaca.

Apesar da complexidade da situação, Tânia reforça que com atenção, é possível perceber e agir antes do pior acontecer. “Antes de haver a tentativa de suicídio, a pessoa primeiro tem uma ideia, um pensamento de tirar uma dor, fazer aquilo que está sentindo morrer. É nesse momento que precisamos prestar atenção, quando eles sinalizam esse pensamento de fazer algo contra si. Isso pode ser uma fantasia de pular de um prédio, tomar medicamento (sem orientação médica) ou a automutilação.” A profissional alerta para sinais de que algo não está bem como isolamento, falta de vontade de realizar atividades que antes eram animadoras, afastamento de amigos e até o uso de roupas de mangas longas, que podem esconder automutilação.

O diálogo com a pessoa em sofrimento deve ser a principal ferramenta para o primeiro acolhimento, para isso, não se deve adotar uma abordagem condenatória ou que relativize a situação, com expressões do tipo “você tem de tudo, não sei porque fica assim” ou “você não sabe o que é ter problemas de verdade”. Nesse sentido, a psicóloga reforça. “Se a conversa começa com uma bronca, a pessoa não vai se sentir a vontade para se abrir. É preciso escutar sem julgamento e não ter preconceito ou tratar como tabu a ajuda profissional. Não existe uma cartilha que explica de como ser pai ou mãe, a tentativa de acertar também leva ao erro. O que eu digo sempre aos pais é que o amor com que eles tratam o filho, vai permanecer para sempre, essa entrega, esse carinho, vai fazer o filho saber para onde ele pode voltar”, finaliza.

Nos últimos dez anos, o município registrou 231 casos de suicídio, sendo que destes 169 vítimas eram do gênero masculino. Entre 2016 e 2017, houve um aumento de 28% nos casos, registrando por ano, 28 e 36 mortes, respectivamente. Já em 2018, na cidade, de acordo os últimos registros do Sistema de Informação sobre Mortalidade (SIM), o número de suicídios caiu para quatro, o que representa queda de 89% , em comparação ao ano anterior.

Programação do Setembro Amarelo

14/09 - 6ª feira  - 2º fórum de prevenção do suicídio - Tema: Prevenção do suicídio em rede
Local: Teatro Municipal de Santo André "Antônio Houaiss" (Praça IV Centenário, s/nº - Centro)
Inscrições clique aqui. 
 13h - Credenciamento e recepção.
13h15 – Solenidade de abertura.
13h30 Cuidando em rede - a importância da articulação entre Atenção Primária e Atenção Especializada no atendimento à crise na saúde mental.
14h  - Prevenção ao suicídio na infância e adolescência
Palestrante: Marcelo Moraes Caro – Coordenador do CAPS Infantil.
14h30 - Falando sobre suicídio
Palestrante: Robert Gellert Paris -  Presidente do CVV _ Centro de Valorização da Vida. Co-fundador do Briefrienders Worldwide e  Vice-presidente da  ABEPS – Associação Brasileira de Estudos e Prevenção de Suicídio.
15h – Promoção da Saúde Emocional
Palestrante: Tania Paris - Fundadora da ASEC – Associação pela Saúde Emocional de Crianças
15h30 – Debate.

22/09 – 14h – sábado – Escola Livre de Cinema e Video
Local: Avenida Utinga, 136 - Parque Antônio Pezzolo - Chácara Pignatari - Bairro Vila Metalúrgica.
CVV Comunidade - Cine Ser – Exibição de filme e roda de conversa.
Facilitadores: Ines Piffer e Mauricio Rinaldi – voluntários do CVV.

28/09 – 14h – Quadra de Escola de Samba Tradição de Ouro
Local: Praça João Rosa, 80 - Vila Sao Pedro, Santo André - SP.
Palestra: Saúde mental e prevenção ao suicídio – A rede de atenção psicossocial vai à comunidade
Facilitadores: Dr. Drauzio Viegas Junior – Psiquiatra, Eraldo  Ferreira – assistente social e Roseli Montanaro - Psicóloga.

 29/09 – 10h - sábado - Concha acústica da Praça do Carmo
Encerramento da campanha Setembro Amarelo com ação de conscientização de Prevenção do Suicídio.
Realização: GT de Prevenção do Suicídio.

*programação sujeita a alteração

Centro de Valorização da Vida (CVV) realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias. Ligue 188.




sexta-feira, 1 de setembro de 2017

Alcance do Setembro Amarelo promete salto histórico em 2017

Da Redação

O ano de 2017 ficará para a história da prevenção do suicídio. Alavancado mundialmente pelo seriado “13 Reasons Why” e nacionalmente pela assinatura do convênio entre Ministério da Saúde e o Centro de Valorização à Vida (CVV) para levar o telefone sem custo de ligação 188 a todo território nacional, o assunto quebrou tabus e assumiu a devida posição de destaque na imprensa, mídias sociais, escolas, empresas, famílias e rodas de amigos.

Com base nesse cenário, o CVV, entidade que atua gratuitamente na prevenção do suicídio há 55 anos, acredita que o Setembro Amarelo, mês mundial de prevenção do suicídio, terá uma repercussão histórica, com presença espontânea em locais nem imaginados.

O CVV possui uma unidade em Santo André, na Rua Siqueira Alves, 97, Vila Alzira | Foto: Divulgação

“Nos anos anteriores foi possível iluminar locais como o Cristo Redentor no Rio de Janeiro, o Congresso Nacional em Brasília e o Estádio Beira Rio em Porto Alegre. Fizemos caminhadas, intervenções nas ruas e palestras em diversas cidades de todo o país” comenta Carlos Correia, voluntário do CVV. “Em 2017 esperamos tudo isso e muitas participações independentes e espontâneas de pessoas preocupadas com os casos de suicídio e se entendendo parte da solução”.

É exatamente na linha de que todas as pessoas podem ser parte ativa na prevenção do suicídio que o IASP – Associação Internacional de Prevenção do Suicídio definiu o tema do Dia Mundial de Prevenção do Suicídio deste ano: “Doe um minuto, mude uma vida”. Realizado em 10 de setembro, esse Dia Mundial tenta sensibilizar e conscientizar a população sobre os altos índices de suicídio no mundo e que essas mortes podem ser prevenidas em nove entre 10 casos.

Carlos comenta que oficialmente 32 brasileiros morrem por dia vítimas de suicídio e, segundo o IASP, há 25 vezes a mais de tentativas. “São 830 brasileiros que buscam a morte todos os dias, o que dá uma média de uma pessoa a cada dois minutos. Não dá para fingir que o problema não existe ou delegar somente ao Estado e aos especialistas o esforço para reduzir essa estatística”, complementa o voluntário.

Além da mobilização nacional pelo Setembro Amarelo no qual os cerca de 2.000 voluntários do CVV buscam com suas ações chamar a atenção da sociedade para o problema, através da iluminação de espaços públicos, realização de palestras e outras ações de divulgação; a entidade organizará o VII Simpósio Internacional de Prevenção do Suicídio e o IV Debate “A abordagem responsável do suicídio na mídia”, ambos em Porto Alegre / RS, nos dias 31 de agosto e 1 de setembro.

Como ajudar

Para colaborar, qualquer pessoa pode iluminar ou identificar a fachada de uma casa ou prédio, promover passeios de motos ou bicicletas com balões, fitas ou panos amarelos, caminhadas com camisetas amarelas, debates ou outras ações que impactem a população.  O site http://www.setembroamarelo.org.br/ traz mais informações e alguns materiais de apoio que podem ser utilizados sem prévia autorização. Todos que enviarem fotos de suas iniciativas para o email setembroamarelo@cvv.org.br poderão ver o material compartilhado na fanpage do CVV (www.facebook.com/cvv141) ou do Setembro Amarelo (facebook.com/setembroamarelo).

Mais sobre o suicídio

A cada ano, mais de 800 mil pessoas tiram a própria vida, o que corresponde a uma taxa de mortalidade de 16 por 100 mil habitantes, o mesmo que uma morte a cada 40 segundos, número que pode dobrar até 2020. (OMS, 2014) 

Na faixa etária entre 15 e 29 anos, o suicídio é a segunda causa de morte. (OMS, 2014)

75% dos casos de suicídio no mundo ocorrem em países subdesenvolvidos ou em desenvolvimento. (OMS, 2014)

90% dos casos podem ser prevenidos – 90% dos suicidas são portadores de transtornos mentais, muitas vezes não diagnosticados. (OMS)

No Brasil, a cada 45 minutos uma pessoa morre por suicídio (32 por dia). Ministério da Saúde, 2014. 

O Brasil é o 8º país em números absolutos de suicídio no mundo. (OMS, 2014)

A taxa (Brasil) subiu de 5,3 para 100.000 habitantes no ano de 2000 para 5,8 em 2012 – aumento de 10,4%. (OMS, 2014) 

Estudo realizado pelo IBGE, com coordenação da OMS, na região de Campinas, mostrou que ao longo da vida, 17,1% dos brasileiros “pensaram seriamente em por fim à vida”, 4.8% chegaram a elaborar um plano para tanto, e 2,8% efetivamente tentaram o suicídio. De cada três pessoas que tentaram o suicídio, apenas uma foi, logo depois, atendida em um pronto-socorro (Botega e cols., Rev. Bras. de Psiquiatria, 2005).







quinta-feira, 2 de março de 2017

Centro de Valorização da Vida completa 55 anos

Por Vivian Silva 

Nesta última quarta-feira (1º), o Centro de Valorização da Vida (CVV), entidade filantrópica, completou 55 anos de existência. Com atendimento gratuito, a instituição tem como missão oferecer apoio emocional e, com isso, prevenir suicídios. 

De acordo com o último levantamento da Organização das Nações Unidas (ONU) de 2012, anualmente, cerca de 800 mil pessoas morrem por suicídio no mundo, o que significa que há uma morte a cada 40 segundos no planeta. Os jovens – entre 15 e 29 anos – e os idosos são os mais afetados.  

No CVV Santo André haverá um curso para novos voluntários neste mês | Foto: Divulgação 
Para o voluntário do CVV Santo André, Antônio Freitas (nome fictício), 68 anos, que presta serviço no local há mais de dez anos, a depressão, falta de diálogo e tabu sobre o tema são fatores que contribuem com esta situação.  

“A prevenção do suicídio é como a prevenção do câncer de mama, da aids...Todo mundo tem medo de falar do suicídio. Muita gente procura a gente e conversa, desabafa. Então, fazemos uma prevenção do suicídio. A pessoas está conseguindo se aliviar e se afasta um pouco deste caminho, entendeu. A necessidade que ela tem de desabafar que vai levando ela para esse caminho (do suicídio) ”, comenta o voluntário.

Na análise de Freitas, de maneira geral, o jovem sofre com bullying, timidez, muita competição, além dos conflitos pertinentes a idade. Já o idoso, muitas vezes, sente-se deslocado nesta fase da vida, devido a um maior tempo ocioso. Tudo isso pode ocasionar transtornos mentais, que podem ser agravados pelo uso de drogas, como o álcool. E, com isso, levar a pessoa a cometer um ato extremo como o suicídio.

A observação de Freitas é reiterada pelo relatório global lançado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no último dia 23, no qual aponta que o número de casos de depressão aumentou 18% entre 2005 e 2015: são 322 milhões de pessoas em todo o mundo, a maioria mulheres. No Brasil, a depressão atinge 11,5 milhões de pessoas (5,8% da população), enquanto distúrbios relacionados à ansiedade afetam mais de 18,6 milhões de brasileiros (9,3% da população). A depressão é a principal causa de mortes por suicídio. 

Comunicação para salvar vidas
No CVV, o atendimento ocorre com total sigilo. O voluntário conta que muitos jovens preferem se comunicar por meio do e-mail (santoandre@cvv.org.br) e, mesmo por este canal, não fica nada registrado no local. Assim que um e-mail é respondido, ele é deletado na sequência. 

Desta maneira, saber ouvir, sem julgamento, é um dos pontos essenciais do atendimento. “Se a pessoa liga no CVV, ela já está ligando para um lugar que ela não conhece, para falar com um estranho, porque ela já tentou de alguma maneira falar na família, falar com os amigos, falar com a comunidade, no trabalho, na igreja e ela não encontra eco, não encontra apoio, porque as pessoas vão criticar, vão dar conselhos, todo mundo quer dar conselho, mas ninguém quer ouvir a pessoa, as razões dela”, analisa Freitas. 

Atualmente, há 76 postos do CVV espalhados pelo País, com cerca de 2 mil voluntários. O número do CVV é 141, em Santo André também é possível ligar no 4972-4111, das 19h às 23h.

Novos voluntários 
Para ser voluntário no CVV é preciso ser maior de idade e dispor de 4h30 semanais,  para atuar no local. De 13 a 17 de março, das 19h30 às 22h, haverá no CVV Santo André (Rua Siqueira Alves, 97, Vila Alzira) um curso para quem deseja ser voluntário, ou quer conhecer um pouco mais sobre o trabalho realizado.