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terça-feira, 3 de julho de 2018

MP acolhe Programa de Gestão da Fundação Santo André

Da Redação

A Curadoria de Fundações de Santo André acolheu o Programa de Gestão Estratégica elaborado pela reitoria da Fundação Santo André (FSA) 2018-2022, que inclui Plano de Reestruturação Econômico-financeira, apresentado ao Ministério Público do Estado de São Paulo, em 8 de junho.

“O acolhimento da Curadoria de Fundações ao nosso programa nos mostra que estamos no caminho certo para um futuro promissor, com muito trabalho a fazer”, diz o reitor Francisco Milreu.

Vitória para a reitoria da instituição, que tenta tirar a FSA do buraco | Foto: Divulgação
O registro da ata da reunião realizada, dia 28 de junho, na 13ª Promotoria de Justiça de Santo André, entre a promotora Ana Carolina Fuliaro Bittencourt e a FSA, apontou como positivo o fato de muitas das deliberações do plano terem sido aprovadas pelo Conselho Diretor da instituição, o que atribui credibilidade à execução das propostas. A curadoria considerou o Programa “apropriado aos propósitos institucionais”, e reconheceu “neste momento não haver interesse processual para ingresso de ação judicial de intervenção” na FSA.

Após a discussão dos pontos relevantes do projeto apresentado pela FSA, a curadoria deliberou ainda que o Programa de Gestão Estratégica alcança pontos sensíveis da gestão, especialmente aqueles voltados ao redimensionamento de recursos humanos, necessários para contenção de despesas.

Dois meses depois de ter assumido a administração superior da FSA, que mantém o Centro Universitário (CUFSA) e o Colégio da Fundação Santo André, o reitor Francisco Milreu fala de resultados de equilíbrio nas finanças e investimentos em projetos de revitalização, que abrangem tanto os recursos nas áreas de ensino, pesquisa e extensão, quanto os de infraestrutura do campus.

Para melhor atender às demandas institucionais, a gestão atual criou novas coordenadorias de área – Tecnologia da Informação, Projetos de Gestão à Vista, Tecnologia da Infraestrutura, Recursos Humanos, Manutenção e Infraestrutura do Campus, Concursos e Recuperação Econômica e Financeira, cujo foco está na dinamização das ações para o atendimento à Comunidade Interna.

Investimentos

A abertura de licitação para a compra de equipamentos para modernização das salas de aula (colocação de projetores de multimídia, telas, computadores e ampliação da rede WIF) e a instalação de câmeras para melhorar a segurança no campus indicam que a revitalização da FSA está em curso.

Entre os investimentos previstos para o segundo semestre, por intermédio de parcerias com entidades e instituições nacionais e internacionais, estão projetos tecnológicos, como a instalação de novo laboratório para automação de processos, onde serão desenvolvidos serviços para o mercado e capacitação de alunos, além da modernização dos laboratórios de informática, e o uso da tecnologia mobile para atendimento e comunicação com os alunos.



terça-feira, 12 de junho de 2018

Nova reitoria anuncia ações para tentar superar crise na Fundação Santo André

Por Vitor Lima

O reitor da Fundação Santo André, Francisco Milreu, reuniu a imprensa na tarde de ontem (11) para tornar público as ações tomadas para solucionar a crise por qual a tradicional instituição passa, há anos. Os problemas seríssimos de ordem financeira ocasionaram atrasos de salários e influenciaram na qualidade do ensino prestado aos alunos.

A comunidade do ABC, que nutre extremo carinho pela instituição criada na década de 1960, acompanha aflita os desdobramentos dos acontecimentos na FSA, que estampam as páginas dos veículos de comunicação regionais dia após dia com manchetes negativas.

Milreu, que assumiu o cargo por indicação do prefeito Paulo Serra há pouco mais de dois meses, se esforça para entregar notícias positivas em relação ao futuro da instituição.

O centro universitário continua a registrar déficits financeiros mensais, mas de acordo com o pró-reitor de Administração e Planejamento, Vander Ferreira de Andrade, o rombo mensal da instituição já foi reduzido em 30% com algumas ações tomadas pela nova reitoria.

A diminuição nesse número se deu, principalmente, por conta nas mudanças no Regime de Tempo de Integral (RTP). Diversos profissionais da casa deixaram esse regime e passaram ao Regime de Tempo Parcial (RTP). A diminuição na carga horária, como não poderia deixar de ser, resultou em significativa diminuição na folha de pagamento.

Instituição passa por grave crise financeira | Foto: Arquivo
Desta forma, a instituição conseguiu honrar o pagamento dos colaboradores nos meses de abril e maio – os docentes estavam sem receber salários desde novembro. “Fizemos uma reformulação de todo o modelo, recompusemos as contas e trabalhamos com os fornecedores para fazer ajustes e conseguir o equilíbrio”, conta Milreu.

A reitoria esclarece que o pagamento dos atrasados será feito a partir do segundo semestre. Contudo, não há um cronograma definido. Haverá a analise caso a caso e, de acordo com os valores a receber dos profissionais, será definido um cronograma de pagamento escalonado.

Em relação a redução da carga horária, diversos profissionais não ficaram satisfeitos. Na visão de Milreu, as medidas tomadas são “fortes” e “amargas”, mas ele avalia que as “pessoas estão entendendo este processo”.

Os representantes da reitoria afirmam que somente em 2019 será possível estimar quando o déficit da instituição será zerado.

Para gerar receitas, mais investimentos 

Não apenas em redução de custos está baseado a atuação da nova reitoria. Para equacionar as finanças e provar a viabilidade financeira da instituição, a universidade apostará também em investimentos institucionais para atrair novos alunos.

Está programado para o segundo semestre a abertura de licitação com o objetivo de adquirir equipamentos para a modernização das salas de aula (colocação de projetores multimídia, telas, computadores e ampliação da rede wifi). Parcerias com instituições privadas também devem ser feitas, para a atualização dos laboratórios de informática.

Também foi anunciada o aumento de 5% para 20% de desconto nas mensalidades aos alunos veteranos que indicarem um amigo para estudar na FSA e descontos de até 30% nas mensalidades dos calouros.

A direção também prevê voltar a prestar serviços aos setores público, como a organização de concursos públicos, e privado. Como o CNPJ da Fundação Santo André não pode ser usado devido à pendências com a Receita Federal, uma das alternativas é o utilizar o CNPJ do Instituto de Apoio à Fundação Santo André.

Novos cursos 

Para a instituição se sair melhor na disputa com a “concorrência bastante agressiva”, como o próprio Milreu define, estão programadas a criação de novos cursos: Engenharia Química, de Energia e de Tecnologia. Também estão previstos novos cursos de pós-graduação com “valores acessíveis”.

Rodrigo Cutri, pró-reitor de Graduação, garantiu que não existe a possibilidade de cursos serem extintos, o que era uma preocupação latente entre os alunos da área de Humanas.

Instituição garante regularidade do reitor

Ainda na gestão da antiga reitoria, foi iniciado um levantamento da situação dos funcionários da FSA. Existe a suspeita de que alguns profissionais entraram na universidade sem passar por concurso público.

A comissão responsável pelo levantamento entregou na semana passada primeira parte do relatório, feito com base em pesquisas documentais. Esta primeira parte abrange 250 profissionais, entre ele o professor Milreu.

Ele estava no grupo de contratações em que foram detectadas inconsistências, mas voluntariamente já apresentou documentos que comprovam a regularidade da sua atuação na Fundação. “O professor Milreu prestou concurso público e está regularmente contratado e vinculado a Fundação”, assegura Vander Andrade.

Contudo, ao serem questionados se a instituição ou o próprio professor tornariam público os documentos que asseguram a legalidade da contratação do reitor, não houve resposta positiva aos profissionais da imprensa.

Os outros funcionários detectados no levantamento serão notificados até o fim desta semana e terão um mês para apresentar documentos para esclarecer o processo de contratação na Fundação. Caso não apresentem, os casos serão encaminhados ao setor jurídico da instituição.

A comissão responsável pelo levantamento tem mais dois meses para entregar a segunda parte da pesquisa sobre a situação do restante dos funcionários.



sexta-feira, 10 de novembro de 2017

Alunos ocupam prédio da Fundação Santo André

Por Vitor Lima

Desde a noite de ontem (10), estudantes ocupam o prédio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras (FAFIL), na Fundação Santo André (FSA). O que gerou o descontentamento entre os jovens foi o anúncio do aumento de 6,5% nas mensalidades a partir de janeiro. Além de barrar o aumento, os alunos reivindicam o pagamento de salários atrasados a professores e funcionários e negociação com os estudantes inadimplentes.  

Barricadas com carteiras e cadeiras foram feitas nas entradas do prédio | Foto: Vitor Lima 
A reportagem do Ponto Final esteve na ocupação na madruga de hoje (10) e conversou com os jovens. Eram cerca de 30 alunos que, por volta da 1h30 da madrugada, ainda estavam acordados preparando faixas e cartazes com suas reivindicações. O clima era tranquilo e não havia viaturas da Guarda Civil Municipal tampouco da Polícia Militar.

Pautas 

Como já exposto, o grupo trabalha com três pautas imediatas. Contudo, as reclamações não param por aí: o coletivo protesta também contra o sucateamento dos cursos de Humanas e contra a mercantilização da instituição. 

Um dos cartazes que estavam sendo preparados na madrugada de quinta (9) para sexta-feira (10) | Foto: Vitor Lima
Três representantes dos jovens conversaram com a reportagem: Everton Gregorio da Silva, 21 anos, estudante do segundo ano de Geografia; Rafael “Magrão”, 32, discente do terceiro ano de geografia; e a aluna identificada apenas como Rafaeli, 19, aluna do segundo ano de Ciências Sociais. 

“O que gerou a ocupação foi que a reitoria de forma autoritária aumentará a mensalidade em 6,5%. Esse valor é incabível para o trabalhador”, protesta Silva. 

Jovem descansava durante a madrugada no pátio do prédio | Foto: Vitor Lima

Rafaeli conta que no ano passado já houve um aumento agressivo – cerca de 8%, de acordo com a jovem, que lembra que a FSA também reduziu o desconto para os alunos adimplentes. “Todo ano tem aumento, os aumentos são brutais. E mesmo assim os professores não recebem dissídios há dois anos, não receberam 13° e muitas vezes eles recebem o salário picado durante o mês”, diz. 

Reunião 

Outro fator que torna a situação ainda mais delicada, é que o prédio ocupado é um dos locais que receberão, no próximo domingo (12), o segundo dia de provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). Está previsto para daqui a pouco, às 19h, uma reunião entre os alunos e a reitoria para buscar uma solução para o impasse. Contudo, a posição dos alunos parece clara: enquanto as pautas não forem atendidas, eles não deixarão o prédio. “O movimento estudantil não vai recuar", garante Magrão. 
Universitários não aceitam o aumento de 6,5% nas mensalidades | Foto: Vitor Lima

Mudança de estratégia

De acordo com os jovens, a assembleia optou pela ocupação após avaliar que os outros meios de pressionar a reitoria são ineficientes. Os estudantes lembraram que em 2016 buscaram a direção da universidade de diversas formas para barrar o aumento, todas sem sucesso. Por isso, neste ano, eles adotaram uma postura mais “radical”. 

“Uma coisa que revolta bastante é que todo ano a reitoria impõe o aumento nessa época, próximo da semana de provas”, comenta Rafaeli. Na avaliação dela, isto é uma estratégia para desmobilizar os estudantes, que estão sempre “pilhados” com as avaliações. 

Foto: Vitor Lima
Apoio dos demais 

Os estudantes revelam que têm buscado o apoio dos demais estudantes e professores, de todos os outros cursos, para fortalecer o movimento. “É importante que os estudantes dos outros cursos e professores que não estão aqui, saibam que nós estamos lutando por eles”, ressalta Silva; Magrão segue o mesmo discurso: “A gente colocou em pauta e votou na assembleia que o salário dos professores sejam regularizados. Uma assembleia que foi majoritariamente de estudantes votou uma pauta e uma demanda dos professores”, comenta, para justificar o discurso em prol da união. 

Prefeitura e reitoria são alvos

Aos serem questionados sobre quais são os culpados pelo momento delicado da instituição, os jovens são unânimes. A maior culpada, na visão deles, é a Prefeitura de Santo André, que há tempos não faz repasses para a instituição – existe uma briga judicial que se arrasta há anos sobre o assunto. A reitoria, por sua vez, é acusada de ser “omissa” sobre o assunto. “A reitoria se nega a cobrar a Prefeitura. Existe um rabo preso”, ataca Magrão, ao lembrar que quem indica o reitor da instituição é o Poder Executivo da cidade. Leila Modanez é a atual reitora da instituição.

“O projeto dessa universidade é totalmente pedagógico, é feito justamente para abastecer os trabalhadores da região de conhecimento e fazer com que a região cresça. A fundação foi fundada desta forma. Ela não deveria ter uma demanda mercantilista”, conclui o mais velho dos representantes. 

Outro lado

A reportagem procurou a Fundação Santo André, mas até o momento a instituição não emitiu nenhum posicionamento sobre o assunto.



segunda-feira, 3 de julho de 2017

Fundação firma parceria com instituição americana

Por Vitor Lima

A Fundação Santo André (FSA) anunciou, no último dia 23, a assinatura de um protocolo de intenções com a universidade Montgomery County Community College, dos Estados Unidos, para firmar convênio que permitirá aos alunos das duas instituições obterem diplomas reconhecidos nos dois países. 

Presente na cerimônia de anúncio, a reitora da FSA, Leila Modanez, destaca que a parceria será um “diferencial enorme” da instituição, além de ser “pioneira na região”. A Montgomery foi fundada em 1964, fica na cidade de Philadelphia, conta com aproximadamente 30 mil alunos e oferece mais de 100 programas em 44 áreas de estudo. 

Anúncio da parceria foi feito no último dia 24 | Foto: Ricardo Trida/PSA

Os alunos que optarem por fazer parte do programa, intitulado Duplo Diploma, poderão ter acesso ao sistema de ensino americano presencialmente ou à distância. Os estudantes que ingressarem na universidade neste segundo semestre nos cursos de Tecnologia em Gestão (da Qualidade, Financeira, de Recursos Humanos e de Tecnologia da Informação) já podem fazer parte do projeto – a ideia é que o programa avance e chegue a todos os cursos. Os discentes que optarem por seguir no programa pagarão mensalidades mais caras – a reitora explica que estudos estão sendo feitos para definir qual seria o valor agregado na mensalidade dos alunos. 

De acordo com o prefeito de Santo André, Paulo Serra, a parceria com a instituição americana é um importante passo para a reestruturação da Fundação, que passa por uma gravíssima crise financeira. “A Fundação Santo André sempre foi uma referência de qualidade na Educação e esse passo que está sendo dado hoje é justamente um atrativo muito grande para a gente trazer novamente a quantidade de alunos que a Fundação já teve e tem tudo para voltar a ter”, afirma. 

O convênio com a Montgomery é o primeiro fruto do recém-criado Instituto de Apoio à Fundação Santo André, órgão elaborado especialmente para ajudar a FSA a superar o difícil momento financeiro. A criação do instituto já estava sendo discutida há algum tempo e foi formalizada no início de junho. Como o instituto é um órgão independente da universidade, ele se livra de diversas “amarras” em que a Fundação esbarra. 

As pendências da FSA impedem que a instituição preste serviços às Prefeituras, por exemplo, o que inviabiliza que a universidade organize concursos públicos como antigamente – esse justamente é um dos objetivos do instituto. Além de focar nos concursos, a entidade recém-criada deverá participar de diversos outros projetos, como cursos livres, de pós-graduação, projetos científicos e de pesquisa.

O presidente do instituto, Sérgio Munhoz, detalha como as ações do órgão beneficiarão a universidade: “(Os projetos) geram (valores) para o instituto e o instituto estatutariamente tem que repassar uma parte disso para a Fundação, no mínimo de 15%, mas não tem limite superior. É uma receita extra para a Fundação”, revela.