sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Passageiros andreenses reclamam de lotação em micro-ônibus

Por Vivian Silva 


Linha conta com apenas oito micro-ônibus | Foto: Hugo Silva
As reclamações em relação ao transporte público de Santo André acumulam-se. A linha de ônibus municipal U 26 – Parque Capuava/Estação Utinga, operada pelo Consórcio União Santo André, é criticada, principalmente, pela lotação dos micro-ônibus nos horário de picos. Além disso, o intervalo entre um veículo e outro também causa insatisfação entre os passageiros.  

O conferente Josué Silvério, 66 anos, é taxativo ao falar sobre a linha U 26, a qual ele utiliza há dez anos. “Péssima! Demoradíssimo, tanto para encostar aqui (Estação Utinga), quanto para sair. A gente ‘pega’ de manhã em Capuava para ir à estação (Utinga), às vezes, demora e, às vezes, não têm ônibus. Ultimamente, antes das férias, o ônibus das 6h20 não tinha, tinha um 6h e outro 6h30. Quem ‘pega’ ali na Panificadora Brasil Gigante, na Avenida Itamaraty, vem em pé e sem condições, porque já está superlotado”, afirma.

De acordo com dados da Santo André Transportes (SA Trans), concessionária responsável pelo transporte público andreense, a linha U 26 transporta em média 2.469 passageiros por dia, em oito micro-ônibus.

Por intermédio da assessoria de imprensa da Prefeitura, o diretor da SA Trans, Edilson Factori, respondeu ao Ponto Final que os intervalos entre os ônibus não ultrapassam 15 minutos. “No horário de pico da manhã, os intervalos são de 10 minutos. No pico da tarde, 12 minutos. Fora deste período, 15 minutos”, explica. 

Porém, a média relatada entre os passageiros é maior, conforme conta o auxiliar administrativo, Henrique de Souza Santos, 20 anos. “Utilizo de segunda a sexta-feira (a linha), em média eu espero 25 a 30 minutos”. Santos também critica os micro-ônibus, “em horário de trabalho é ruim, porque o ônibus é pequeno e lota muito, desde manhã até agora às 18h”, conta. 

A informação é reiterada por Beatriz Ramos de Andrade, 29 anos, que também utiliza o U 26 de segunda a sexta-feira. “A linha é péssima, porque de manhã só tem micro (ônibus) e sempre vem muito cheio. Para sair também é demorado e sempre vai muito cheio”. Beatriz comenta ainda que espera, em média, de 20 a 30 minutos o ônibus, além disso, conta que atrasos são comuns e que já esperou por 1h.  

Ao ser questionado sobre alguma medida para solucionar esses problemas, Factori respondeu apenas “estamos contratando um estudo para a reestruturação do sistema de transporte, cuja previsão de término é para o fim do segundo semestre de 2015. Vamos intensificar a fiscalização dessa linha, para evitar atrasos e melhorar o serviço”. 

O Ponto Final procurou também o secretário de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos de Santo André, Paulinho Serra, para comentar o assunto, porém fomos informados que ele está de férias e, por isso, não pôde responder aos questionamentos. 

Opinião: Adamo Bazani

Para o jornalista andreense da Rádio CBN, Adamo Bazani, especializado em transportes e residente em Santo André, o transporte do município apresenta melhoras, mas ainda há desafios a serem superados. 
“É inegável que de dois anos para cá houve melhorias no transporte público de Santo André. Enquanto as cidades já tinham Bilhete Único, nós éramos obrigados a pagar duas passagens em pequenos deslocamentos”, lembra Bazani.

Apesar deste benefício, Bazani comenta “a cidade ainda é ‘dividida’ em termos de operadoras e isso atrapalha muito. Sabemos que não há união no Consórcio União Santo André. Às vezes há necessidade de se expandir uma linha ou alterar um trajeto, mas isso não é feito porque tal mudança pode fazer com que o empresário X invada a área de atuação de empresário Y. Claro que as empresas e prefeitura não vão admitir, mas isso ‘engessa’ a forma de atuação do poder público e existe há anos”, finaliza. 

Publicada no Jornal Ponto Final - edição 820

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Empresa de ônibus não respeita horários

Por Vivian Silva 

Linha I 01 é operada pelo Consórcio União Santo André
Foto: Hugo Silva
A mobilidade urbana é um dos grandes desafios no País, seja pelo trânsito caótico das grandes cidades ou as condições dos transportes públicos, que deixam a desejar em vários quesitos. Em Santo André, a linha de ônibus municipal I 01 – Jardim Alzira Franco/Fundação Santo André é alvo de críticas de diversos passageiros, que reclamam do intervalo longo entre um ônibus e outro, principalmente, neste período de férias escolares.

Para a dona de casa, Maria José Santos de Oliveira, 50 anos, “é (uma linha) muito demorada. Passa de hora em hora e olhe lá”, relata ao esperar o ônibus no 2º Subdistrito andreense.

O novo diretor da Santo André Transportes (SA-Trans) - empresa pública responsável pelo transporte público municipal - Edilson Factori, respondeu por intermédio da assessoria de imprensa da Prefeitura que “a linha I 01 está dimensionada para operar com intervalos médios de 26 minutos entre suas partidas. A oferta é estabelecida em relação à demanda existente”.

Segundo ainda a concessionária, os mesmos intervalos da operação normal são mantidos no período de férias escolares. Porém, a informação não condiz com os relatos dos passageiros, conforme conta a dona de casa, Maite C.M. Prata, 50 anos, que utiliza esta linha há cerca de quatro anos. “Demora bastante e, principalmente, agora no período das férias. Chego a ficar quase uma hora no ponto de ônibus”, conta.

A longa espera também é relatada pelo aposentado Carlos Ferreira, 59 anos. “Utilizo o I 01 todos os dias, é cansativo. Quem tem um horário certo precisa sair de casa com uma hora ou uma hora e meia de antecedência”, comenta.

A espera média de uma hora entre um ônibus e outro é frequente. Quando a manicure e cabeleireira, Maria da Guia, 49 anos, precisa ir ao médico e utilizar o I 01, ela também sai com antecedência, para não perder o horário. “O ônibus demora muito, minha consulta é às 12h30, eu estou aqui este horário (11h) para não perder a consulta. Já aconteceu dele demorar uma hora”.

Falta de educação

Além da longa espera, falta de respeito também foi constatada nesta linha, segundo a operadora de caixa, Francine Novaes Dourado, 33 anos, que foi ofendida pelo motorista, ao pedir informações em relação à demora. “Eu simplesmente dei sinal para ele me informar (o motivo) da demora, porque já tinha subido quatro ônibus e não descia nenhum. Ele parou e me xingou. No mínimo ele tinha que ter um pouco de respeito”, desabafa.

Pesquisa Origem e Destino

A SA-Trans integra a Secretaria de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos da Prefeitura de Santo André, que tem como secretário o Paulinho Serra. Questionado quanto à fiscalização realizada pela Pasta em relação à empresa de ônibus, o secretário se limitou a responder apenas: “o trabalho da concessionária é realizado e comandando pela Secretaria, assim como os demais departamentos existentes”.
Uma pesquisa chamada Origem e Destino, para avaliar a situação dos ônibus municipais, está prevista para este semestre. “Neste momento, será intensificada a fiscalização desta linha e eventuais irregularidades em sua operação serão objeto de imediata correção”, afirma Factori.

Obs.: Matéria publicada na edição 817 do Ponto Final. 

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

A Vivo, a TIM e a GVT

Por Mauro Santayana

Disposta a consolidar, a ferro e fogo, seu controle sobre o mercado brasileiro de telecomunicações, a Telefónica da Espanha, dona da Vivo, volta agora sua cobiça para a GVT.

Segundo anunciado pela imprensa europeia, a empresa ofereceu ontem à Vivendi francesa, pouco mais de 20 bilhões de reais pelas operações da GVT no Brasil.



Antes, já tentara tomar, indiretamente, parte do controle da TIM, com a compra de participação acionária em sua matriz. As ligações entre a Telefónica e a Telecom Itália, que estaria também interessada na compra da GVT, são apenas a ponta do iceberg do mercado mundial de telecomunicações: um negócio gigantesco, no qual meia dúzia de sujeitos, donos de meia dúzia de grandes empresas privadas, explora centenas de milhões de consumidores, levando dinheiro, a cada vez que eles usam um telefone fixo, um computador, um celular ou uma televisão.

As únicas nações que escapam disso, dessa verdadeira escravidão digital, são aquelas que mantiveram suas próprias telecoms - grandes companhias de telecomunicações - nas mãos do estado, como fez a China, por exemplo, dona da maior empresa de telecomunicações do mundo, condição da qual o Brasil abdicou ao esquartejar e vender, majoritária e criminosamente a estrangeiros, a área de prestação de serviços da Telebras, no final dos anos 1990.

A Telefónica ganhou, líquidos, no primeiro semestre de 2014, dois bilhões e seiscentos e cinquenta milhões de reais no Brasil, triplicando, entre abril e junho, os lucros do primeiro trimestre, que foram de 660 milhões de reais. Além dos bilhões que envia todos os anos para a Espanha, a empresa, que deve centenas de milhões de reais ao BNDES, ainda cobra “juros” sobre o capital de sua subsidiária brasileira, que pelo que se prevê, chegarão, em 2015, a quase 100 milhões de euros.

É preciso lembrar ao CADE – Conselho Administrativo de Defesa Econômica, ao Congresso, à imprensa e à sociedade, que, na área de telecomunicações, o que o Brasil precisa não é de uma situação de virtual cartel, com grandes empresas estrangeiras controlando cada vez mais nosso mercado, mas de novos concorrentes, que possam oferecer serviços melhores e a um custo menor para um público que já paga, por péssimos serviços, segundo organizações internacionais, das maiores tarifas de telefonia celular do mundo.

No Brasil, o que precisávamos, desde o início, era de uma empresa privada 100% nacional que pudesse fazer isso, ou que a TELEBRAS tivesse sido mantida no mercado para fazer frente aos espanhóis, italianos e mexicanos que para aqui vieram na década de noventa.

A compra da GVT pela Telefónica, caso seja concretizada, evidenciará duas coisas: a irresponsável entrega do mercado nacional para uma empresa estrangeira, e a total inexistência, no Brasil, de uma política de defesa da concorrência digna desse nome.

Extraído de  http://www.maurosantayana.com

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quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Candidatos ignoram democratização dos meios de comunicação

Por Redação FNDC- Fórum Nacional Pela Democratização da Comunicação


A pauta da comunicação está ausente dos planos de governo da maioria dos candidatos à presidente da República. Entre os três considerados mais fortes, Aécio Neves (PSDB) foi o único que ignorou por completo o tema. Não há nenhuma menção no programa de governo do senador mineiro, demonstrando que a agenda de democratização da mídia passa longe do projeto dos tucanos. No caso de Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB), os programas tratam somente de internet.

No total, das onze coligações que disputam o governo federal em outubro, apenas dois postulantes – Luciana Genro (PSOL) e Mauro Iasi (PCB) – mencionam a proposta de combater os oligopólios midiáticos, mas os compromissos aparecem de forma genérica, sem detalhamento das ações.

Dilma Rousseff (PT) e Eduardo Campos (PSB) citam políticas de acesso à internet, mas não fazem referência à concentração dos canais de rádio e televisão, por exemplo. Os demais candidatos, incluindo o próprio tucano Aécio Neves, nem sequer trataram do assunto em seus programas. Também são os casos de José Maria (PSTU), Levy Fidelix (PRTB), Eymael (PSDC), pastor Everaldo Pereira (PSC) e Eduardo Jorge (PV). O candidato Rui Costa Pimenta (PCO) apresentou proposta de estatização das grandes empresas privadas do setor cultural.

Os programas de governo foram registrados no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) no último dia 5 de julho e podem ser acessados pela internet no endereço: http://divulgacand2014.tse.jus.br/divulga-cand-2014/eleicao/2014/UF/BR/candidatos/cargo/1.

Com 25 páginas, as diretrizes de governo propostas pela presidenta Dilma Rousseff (PT), candidata à reeleição, apresenta a “universalização do acesso à internet” como meta central no âmbito das comunicações. O programa fala em “expansão da infraestrutura fibras óticas e equipamentos de última geração” e destaca que o governo vai trabalhar pela “implementação do marco civil da internet”, aprovado em abril. Dessa vez, o combate à concentração dos meios de comunicação e outros temas como radiodifusão comunitária, que sempre apareceram no programa de governo do PT, ficaram de fora. Na semana passada, a repercussão da retirada do tema ganhou os jornais. A candidatura respondeu dizendo que não há unanimidade em torno do assunto entre os partidos que compõem a coligação, por isso as propostas históricas do partido para o setor não foram aproveitadas.

A candidatura Eduardo Campos (PSB), que tem como vice a ex-ministra e ex-senadora Marina Silva, fundadora da Rede Sustentabilidade, apresenta proposta tímida para as comunicações. Nas 60 páginas do plano de governo da coligação “Unidos pelo Brasil”, a única menção ao tema ainda fala em “acelerar a aprovação do marco civil da internet”, norma aprovada há três meses. A candidatura associa o marco civil à democratização dos meios de comunicação social, “particularmente da mídia eletrônica e novas tecnologias da informação que propiciem uma democracia mais participativa”.

O programa de governo de Luciana Genro (PSOL) dedica um parágrafo de suas nove páginas para explicitar as linhas gerais de sua política de comunicação. A candidatura afirma que a “quebra dos oligopólios midiáticos e sua política de voz única terá atenção especial, com ênfase para o fim da propriedade cruzada dos meios de comunicação”. O programa também diz que o governo vai incentivar os meios de comunicação alternativos, como rádios e TVs comunitárias, além dos veículos públicos. Por fim, fala-se em “controle social da mídia, com instrumentos de participação popular”, em referência a implantação de conselhos.

Mais contido, o plano de governo do candidato Mauro Iasi (PCB), que no total soma 19 páginas, resume suas intenções na pauta da comunicação em três linhas: “o governo do Poder Popular estimulará uma luta continental contra a mafiosa Sociedade Interamericana de Imprensa, em defesa da imprensa popular e independente, pela democratização e controle social da mídia”.

Outra candidatura que também faz referência à comunicação é de Rui Costa Pimenta (PCO). Seu plano de governo propõe a estatização total das empresas que atuam na produção cultural do país (cinema, música e televisão). “Os investimentos seriam definidos a partir de uma ampla e democrática discussão com a comunidade artística e representantes do movimento operário e popular”, diz outro trecho da proposta.

Para a coordenadora-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Rosane Bertotti, é lamentável que as candidaturas em disputa não priorizem um tema tão central para o desenvolvimento da democracia. “Não dá para existir democracia efetiva no Brasil sem democratização dos meios de comunicação. Esse deveria ser um tema de destaque na campanha eleitoral”, avalia.

Rosane critica o que considera uma pauta “rebaixada” no tema das comunicações em todos os programas de governo. “São muitas as demandas para modernizar o marco legal das comunicações no Brasil, garantir pluralidade e liberdade de expressão. Não vemos nesses programas, por exemplo, referência sobre transparência na concessão de canais de radiodifusão, nem política para garantir complementaridade dos sistemas público, comercial e estatal de mídia. Não se fala em regionalizar a produção nos meios de comunicação, nem os desafios da digitalização para incorporar mais diversidade na mídia”, aponta.

Diante desse cenário, o FNDC prepara uma carta-compromisso para apresentar aos candidatos à presidência da República. A ideia é comprometer as candidaturas com uma pauta abrangente para as comunicações, que dê conta dos desafios para o setor. O documento será apresentado aos postulantes ao governo ainda no período eleitoral.

Rui Costa Pimenta e Eduardo Jorge defendem legalização da maconha

Por Bruno Bocchini  Edição: Stênio Ribeiro - Agência Brasil

Em debate na noite de hoje (5), na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP), os candidatos à Presidência da República Rui Costa Pimenta (PCO) e Eduardo Jorge (PV) defenderam a legalização do uso da maconha. Apesar de todos os demais candidatos terem sido convidados, eles foram os únicos a comparecerem ao evento denominado Maconha e Eleições: a Ousadia Que Faz a Diferença, promovido pela Associação Cultural Cannabica de São Paulo.


Para o candidato do PCO, as drogas têm sido um dos principais pretextos para a repressão policial no Brasil, e têm justificado a ação internacional de países imperialistas. “Esses motivos nos levam a colocar o problema de que é necessário lutar para eliminar esse crime artificial, um crime inventado. É um crime que não é crime. É um crime como a prostituição, apenas um problema moral transformado em legislação”, disse.

Ele ressalvou, no entanto, que o partido não é favorável ao uso de drogas, mas não considera seu consumo um problema de saúde. “Nós consideramos que o problema do uso de drogas, ao contrário do que a ideologia conservadora procura apresentar, é um problema de cada um, não é um problema moral. Também não é um problema de saúde. É um problema de cada pessoa, não é o estado que tem que determinar o que cada um deve fazer ou deve pensar”, disse.

Em defesa da legalização da maconha, o candidato Eduardo Jorge lembrou que a medida poderia trazer benefícios para diversas áreas, como na criminal. “Há repercussões positivas na área penitenciária, na possibilidade de esvaziar [as cadeias] e passar a ter condições mais humanas para que a pessoa presa possa ter direito ao trabalho e sair de lá com condições de se reintegrar”, disse.

O candidato do PV destacou que as pesquisas atuais – que indicam que a maioria da população é contra a legalização das drogas – devem ser relativizadas, já que as pessoas entrevistadas, segundo ele, podem não ter conhecimento amplo das informações sobre seu uso. “Esse é um tema órfão, já que os demais candidatos, organizados pelos marqueteiros, evitam falar disso de qualquer jeito”, ressaltou.

Eduardo Jorge lembrou que a maconha já foi usada pela medicina por milênios, e disse que somente quando as drogas sintéticas começaram a ser patenteadas é que a proibição foi determinada. “A maconha é uma substância que tem tradição de uso na medicina 2 mil anos antes de Cristo e, até o final do século 19, era bastante usada”.

O candidato do PV disse ainda que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) havia prometido que liberaria, em junho passado, a importação do princípio ativo da maconha para tratamentos medicinais, "mas o governo federal capitulou e adiou [a decisão] para depois das eleições”.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A conturbada escolha de empresa de ônibus em Mauá: Donisete Braga concede entrevista a Adamo Bazani

por Adamo Bazani

Nos próximos dias, a prefeitura de Mauá, na Grande São Paulo, deve assinar o contrato com a empresa Suzantur, declarada vencedora da licitação dos transportes municipais para operação de todas as linhas de ônibus da cidade.
Duas participantes da licitação, Viação Diadema e Princesa Eireli contestam a proposta da Suzantur, alegando que a empresa não terá condições de cumprir a idade média da frota em 2020 e que as planilhas apresentadas pela companhia não provam a viabilidade econômica-financeira. O contrato é por dez anos, renováveis por mais dez anos.  Veja matéria em:

Ônibus da Suzantur que assumirá em Mauá
A licitação ocorre em meio a acusações de supostas fraudes no sistema de bilhetagem eletrônica contra as antigas operadoras do município, VCM – Viação Cidade de Mauá e Leblon Transporte de Passageiros, e às informações de mercado de que houve uma espécie de manobra para que a empresa Leblon, que não pertence a grupos de empresários que já atuam no ABC Paulista, fosse retirada para que se restabelecesse o monopólio do setor.
Ao Blog Ponto de Ônibus, nesta segunda-feira, 04 de agosto de 2014, o prefeito de Mauá, Donisete Braga, disse que o cenário proposto pelo poder público é diferente do que havia na cidade, inclusive da época na qual o empresário Baltazar José de Sousa, pelas empresas Viação Barão de Mauá e Viação Januária, controlava unicamente os serviços de transportes urbanos.
“Eu sempre fui e sou contra monopólios. Acredito plenamente neste modelo de mobilidade que Mauá terá a partir desta licitação. O fato de uma empresa operar os transportes não significa que o poder público não terá controle da situação. Pelo contrário, seremos rigorosos e a fiscalização será constante” – promete Donisete Braga.
Segundo ele, a prefeitura terá mecanismos de tecnologia e de gestão para que este controle seja mais eficiente, entre eles, sistema de GPS mais moderno para acompanhar cumprimento de itinerários e horários.
Também será possível, de acordo com Donisete Braga, o passageiro acompanhar por celular a previsão da chegada dos ônibus aos pontos, dos horários e obter informações sobre os itinerários.
O prefeito reconhece que a situação hoje dos transportes em Mauá não está boa e que atualmente a mobilidade urbana é o que tem afetado mais sua imagem como administrador.
“Nas últimas reuniões do PPA (Plano Plurianual Participativo) a saúde que também é uma das queixas da população acabou sendo superada pela questão do transporte coletivo. Sei da cobrança da população, mas eu estou seguro que este modelo vai dar certo. Não escolhemos este modelo do nada. Estive em outras cidades, como no estados do Paraná, Santa Catarina, e em São Paulo, que adotam sistemas semelhantes e que os transportes têm qualidade. Sei da responsabilidade que tenho em mãos” – complementou.
Donisete Braga ainda falou que o fato de uma empresa operar unicamente na cidade “dá mais condições de ela se organizar”. Ele citou, como exemplo, a colocação de 248 ônibus zero quilômetro, acessíveis para portadores de limitações de locomoção e que seguem já os padrões de restrição à emissão de poluentes, com base nas normas internacionais Euro V.
Esta frota significa aproximadamente 30 ônibus a mais operando na cidade em relação à quantidade atual de veículos de transporte coletivo.
A entrega da frota nova deve ocorrer até 08 de dezembro, aniversário da cidade.
“O modelo de licitação do edital é inédito e inova na cidade de Mauá. Nunca tivemos uma concessão por outorga (pela qual a empresa vencedora paga um valor ao poder público para poder operar). Apresentamos o edital, antes de ser lançado ao TJ (Tribunal de Justiça) e ao Tribunal de Contas da Cidade e não teve questionamentos” – disse Donisete Braga.
Ele ainda disse que fez uma “licitação em três meses, tempo recorde no ABC”.
Uma das exigências que ele considera como inovação é a colocação de 300 novos abrigos de ônibus na cidade com recursos da Suzantur.

Retirada da Viação Cidade de Mauá

Um dos questionamentos feitos pela população e pela reportagem é sobre o fato de duas empresas de ônibus terem sido descredenciadas, mas apenas uma ter sido retirada da noite para o dia, no caso a Leblon, e a outra empresa, Viação Cidade de Mauá, depois de oito meses ainda continuar operando.
Donisete Braga negou novamente que tivesse havido perseguição contra a Leblon.
“O que na verdade aconteceu é que as decisões se anteciparam contra a Leblon. Tivemos de respeitar essa questão jurídica. Depois vieram as decisões contra a Viação Cidade de Mauá e ainda sim, a empresa neste período teve conquistas jurídicas contra o descredenciamento, que agora já foram revertidas. Não somos contra empresários A, B ou C” – disse o prefeito de Mauá, Donisete Braga.
Aos poucos ainda a empresa contratada emergencialmente por Donisete Braga e pelo ex secretário de mobilidade urbana, Paulo Eugênio, e que teve a proposta aceita na licitação, Suzantur, tem assumido as linhas operadas pela Viação Cidade de Mauá. As linhas antes operadas pela Leblon foram entregues em um único dia à Suzantur pela prefeitura.
O descredenciamento das empresas recebe contestações judiciais até hoje.
A administração Donisete Braga acusa Viação Cidade de Mauá e Leblon de terem supostamente realizado consultas sem autorização da prefeitura ao sistema de bilhetagem eletrônica.
As empresas negam e a acusação não foi unanimidade nem na prefeitura. Em 27 de junho de 2013, a corregedora do município, Thaís de Almeida Miana, acatou as provas apresentadas pela Leblon de que não houve invasão ou fraude no sistema. A empresa argumentou que as consultas foram autorizadas pela prefeitura e que o próprio poder público treinou as companhias de ônibus. A corregedora então recomendou a realização de uma sindicância mais técnica e menos testemunhal.
A recomendação não foi seguida por Donisete Braga e nem por Paulo Eugênio que continuaram o processo de descredenciamento das duas empresas.

Bilhetagem eletrônica

A bilhetagem eletrônica que foi o epicentro do polêmico descredenciamento está num período de transição que não tem agradado os passageiros.
O Cartão Da Hora dá lugar ao cartão SIM – Sistema Integrado de Mauá. Passar pelas catracas do terminal central não tem sido tarefa fácil.
As filas são longas e o procedimento não é simples. Para pagar a viagem unitária, o passageiro tem de ir ao guichê com dinheiro, comprar o cartão, depois ir à catraca, aproximar do validador e após a liberação depositar o cartão no compartimento.
Segundo Donisete Braga, a migração do sistema do Cartão Da Hora para o SIM vai ocorrer até o dia 15 de agosto. A partir deste dia, quem tem créditos no Cartão Da Hora precisa fazer uma declaração de próprio punho pedindo a transferência para o novo cartão.
Ele garante também que a integração com a CPTM – Companhia Paulista de Trens Metropolitanos será possível a partir de 30 de agosto. Pelo sistema, o passageiro pode ter desconto de R$ 0,50 em cada sentido de viagem. Na ida, o desconto é mais fácil, sendo automático. Para a volta, os validadores das estações de trem e metrô não vão ler o cartão SIM. O passageiro terá de comprar por R$ 3 um bilhete de papel específico. Em Mauá, este bilhete terá de ser depositado na catraca e em seguida, o passageiro terá de encostar o cartão SIM no validador. A partir daí, o desconto de R$ 0,50 será feito na catraca do ônibus municipal.
Donisete disse que o sistema do Cartão SIM possibilitará um melhor controle do poder público sobre a arrecadação.
“Mauá não tinha este controle pleno. Por este sistema, por exemplo, teremos a certeza de quanto a empresa de ônibus paga de ISS (Imposto sobre Serviços), que é um imposto municipal. Saberemos realmente quantos passageiros usam o sistema e poderemos com mais facilidade detectar fraudes no uso de gratuidade” – garantiu Donisete Braga.
Ele disse ainda que fazem parte dos projetos de Mauá para Mobilidade Urbana as reformas e construções de seis terminais de ônibus. O primeiro deve ser o “Itapark/Barão”.
De R$ 500 milhões liberados do PAC – Programa de Aceleração do Crescimento para Mauá, R$ 79,5 milhões serão destinados para os terminais de ônibus.
Donisete Braga disse que ainda faz parte do objetivo da prefeitura a criação da autarquia municipal de transportes MauáTrans, que vai atuar no gerenciamento do sistema.
Ele, no entanto, evitou falar em data para que a MauáTrans venha efetivamente a atuar.


Adamo Bazani, jornalista da Rádio CBN, especializado em transportes

Marinho decide enfrentar Diário no campo de pesquisas. Está certo

Por Daniel Lima

O prefeito Luiz Marinho recusou-se a comentar o resultado da pesquisa do instituto que o Diário do Grande ABC afirma ter criado para mensurar o humor da sociedade em relação ao desempenho dos gerenciadores públicos da região, entre outras atividades. Luiz Marinho diz que desconhece a empresa que faria parte do conglomerado de comunicação do Diário do Grande ABC.

Marinho e Diário do Grande ABC vivem em constantes combates. Geralmente o prefeito fica mal na fita porque não responde às denúncias do jornal. Mas desta feita ele tem razão. O DGABC Pesquisas, como é chamado oficialmente o instituto do Diário do Grande ABC, não será confiável enquanto sonegar transparência aos leitores e eleitores.

Luiz Marinho, prefeito de São Bernardo do Campo
Todos os demais prefeitos da Província do Grande ABC se manifestam hoje nas páginas do Diário do Grande ABC sobre os resultados da pesquisa publicada na edição de ontem. Não houve uma restrição sequer.

A maioria desfilou o facilitarismo de apontar o mordomo como culpado. Mordomo no caso dos gestores públicos são os jornalistas que dão assessoria a eles. A máquina pública é tão conservadora e multiplicadamente autopreservadora de interesses cruzados que a corda sempre estoura do lado mais fraco. Ainda outro dia o prefeito Carlos Grana trocou quase todo o mundo do setor de comunicação. Culpa-se o mensageiro pela mensagem desagradável.

Grana reagiu a uma pesquisa informal, aparentemente séria, que o colocou em penúltimo lugar no ranking de aprovação da sociedade. Só ganha de Paulo Pinheiro, de São Caetano. O que equivale a dizer que num campeonato da Terceira Divisão, ficou apenas à frente do Jabaquara.

Erros e acertos

Voltando a Luiz Marinho e às pesquisas do DGABC, o titular do Paço de São Bernardo é criticado pelo Diário do Grande ABC na matéria publicada hoje. Segundo transcrição de declarações anteriores, nas disputas que lhe foram favoráveis à Prefeitura em 2012, Luiz Marinho reconheceu os resultados daquela instituição. Ou seja: o jornal tenta incriminar o prefeito por causa de um erro do passado, estendendo-o ao acerto do presente.

Luiz Marinho disse a verdade quando declarou que desconhece o DGABC Pesquisas. Se ofereceu uma resposta diferente no passado, tem de arcar com o equívoco, mas não subscrevê-lo de novo. O Diário do Grande ABC insinua que alguém que tenha matado alguém em legítima defesa agora deve ser condenado ao enforcamento porque matou alguém por descontrole emocional no passado.

O empresário de transporte coletivo Ronan Maria Pinto, dono do Diário do Grande ABC, está muito mal assessorado nas lides jornalísticas. A credibilidade do jornal é atingida duramente quando lança um instituto de pesquisas sob suspeição permanente. Jamais o jornal publicou uma reportagem sequer, uminha sequer, mostrando do que se trata isso que já chamei de fantasminha estatístico.

A seriedade do Diário do Grande ABC junto ao leitorado e eleitorado em geral fornece combustível retaliatório aceitável quando trata de uma questão tão importante como a tomada da temperatura avaliativa da Província do Grande ABC sobre os mandatários públicos sem expor de forma clara e cristalina o ferramental metodológico que vai a campo.

Já fiz série de observações sobre as debilidades estruturais do DGABC Pesquisas. Há erros imperdoáveis. Mesmo a sondagem que acaba de ganhar as páginas do jornal é uma constelação de dúvidas. Repetem-se falhas.

Margens elásticas

O universo individual de 400 entrevistas em cada um dos Municípios e a margem de erro de cinco pontos percentuais para baixo e para cima são incompatíveis com os princípios de razoável certeza sobre os resultados.

Se 400 entrevistas podem ser uma extravagância na pequenina Rio Grande da Serra, em Santo André e São Bernardo, além de Mauá e Diadema, são modelos sujeitos a imperfeições volumosas. A margem de erro uniforme para municípios tão distintos é provavelmente uma conceituação que não resiste a questionamentos de especialistas independentes.

Sabem lá os leitores e eleitores o que significam cinco pontos percentuais de margem de erro? Simples: quem tem aprovação de 30% da população, pode ter 35% ou apenas 25%. Faz diferença e tanto. No caso dos resultados das sondagens para o governo do Estado e para a Presidência da República, a diferença entre os principais competidores pode se estreitar tanto que talvez até se anule.

A aplicação do princípio metodológico de que um candidato em primeiro lugar perde cinco pontos percentuais ao mesmo tempo em que o segundo ganha cinco pontos percentuais fornece o combustível necessário para que, lá na frente, se justifiquem mudanças aparentemente incompreensíveis do eleitorado utilizando-se a margem de erro que de fato chega a 10 pontos percentuais.

Ainda estou em dúvida se vou analisar os resultados publicados nas edições de domingo e segunda-feira do Diário do Grande ABC. No fundo, nada se alterou significativamente ante o histórico de que o PT tem mais votos na região do que na média paulista e brasileira de pesquisas publicadas por outros veículos em tempos semelhantes.

O que me intriga mesmo é que a falta de transparência do DGABC Pesquisas se dá não só na explicitação da suposta estrutura científica de que seria dotado como também na fuga de respostas que a ação do candidato Paulo Skaf impetrou na Justiça Eleitoral, obtendo precariamente a suspensão da publicação dos resultados.

Todos os pontos restritivos da ação do candidato do PMDB não foram sequer tocados nas matérias-resposta do Diário do Grande ABC. Não me parece que essa obscuridade seja boa companheira a quem como este jornalista entende que pesquisas eleitorais são um instrumento importantíssimo à democracia e que não podem ser barradas do baile de informações aos leitores e eleitores, mas que, em contrapartida, também não podem ser algo com que se possa contar qualquer que seja o jornal como salvo-conduto à desinformação, quando não à mistificação, parente próxima da manipulação.

Extraído de www.capitalsocial.com.br em 05 de agosto de 2014.