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quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

Obras no viaduto Adbi Chammas devem começar no primeiro semestre de 2019

Por Vitor Lima

A Prefeitura de Santo André publicou ontem (12) edital de Licitação Pública Internacional (LPI) para a conclusão do viaduto Abdi Chammas, responsável pela ligação do 2º Subdistrito com o Centro da cidade. As intervenções demandarão pouco mais de R$ 14 milhões e fazem parte do pacote de ações para melhorar a mobilidade urbana do município, firmado com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID). A maior parte do valor, 87%, é fruto de financiamento do BID; o restante, do próprio orçamento municipal.

Concebido na década de 1980, o projeto do viaduto nunca foi concluído. Com as obras, o viaduto, de 172,8 metros de comprimento, ganhará mais uma faixa de rolamento no sentido bairro-Centro.

Edital de licitação foi publicado no Diário Oficial ontem (12) | Foto: Divulgação

Interessados na licitação devem enviar as propostas até 28 de janeiro. De acordo com o prefeito Paulo Serra, a assinatura do contrato com a empresa vencedora do certame deve ocorrer em março. A partir daí o cronograma prevê mais de 15 meses para o termino das obras.

“Esse é um momento importante para a cidade, pois marca a retomada das obras estruturantes na cidade”, comenta o prefeito. Serra também ressaltou que será a primeira vez que Santo André contará com uma Licitação Pública Internacional.

Demais projetos ainda estão em estágio inicial

Outra via de ligação importante para os moradores do 2º Subdistrito, o viaduto Castelo Branco, em Santa Teresinha, também será contemplado com o pacote de ações firmado com o BID. Contudo, ainda não existem novidades sobre o assunto.

Segundo o secretário de Mobilidade Urbana, Edilson Factori, para o novo viário que será construído no local, no cruzamento com a Avenida dos Estados, avance, é necessário que o projeto executivo esteja concluído. A previsão de que essa etapa seja superada entre o fim de 2019 e o início de 2020. Depois disso é que será colocado na praça o edital para a contratação dos serviços.

O prefeito frisou que o cronograma foi pensado para que as obras para o novo viário de Santa Teresinha não coincidam com as obras no Adbi Chammas, para minimizar os impactos no trânsito para quem se desloca entre o 1° e o 2° Subdistrito.

Com previsões otimistas, o novo viário será entregue à população comente em 2022.



Antes disso, entretanto, será entregue uma nova ponte, que já está em construção, próximo ao viaduto Castelo Branco. A ponte de três faixas que está sendo construída na Avenida dos Estados, em frente ao Sesi, deve ser entregue no ano que vem. Ela substitui a ponte que caiu devido à fortes chuvas no início de 2017.



segunda-feira, 16 de julho de 2018

R$ 100 milhões liberados para obras de mobilidade em Santo André

Por Vitor Lima

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, esteve no escritório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), na Alameda Santos, em São Paulo, na manhã de hoje (16). Serra foi até o local para assinar contrato de financiamento de US$ 25 milhões (aproximadamente R$ 100 milhões) para obras de mobilidade urbana em Santo André.

Novo viário, em Santa Teresinha, será uma das obras feitas com o montante | Foto: Ricardo Trida/PSA
As tratativas para a liberação da verba se arrastavam desde a gestão anterior. A aprovação do recursos foi condicionada à uma contra-partida da Prefeitura, de investir mais US$ 25 milhões em obras de mobilidade.

A verba será destinada a quatro projetos: conclusão do viaduto Abid Chamas, no Centro da cidade; novo viário no cruzamento do viaduto Castelo Branco com a Avenida dos Estados, em Santa Teresinha; implantação de quatro quilômetros de corredores de ônibus, no trajeto Centro-Ipiranguinha; e criação de Plano de Mobilidade Urbana, para diagnosticar os problemas da área e planejar ações para os próximos 30 anos.

Daqui em diante, os esforços da Administração serão para concluir os projetos, licitar e executar as obras. Em breve, publicaremos aqui mais detalhes sobre todos os projetos, prazos, valores, desafios e benefícios para a cidade.



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Número de mortes no trânsito cai 33% em Santo André no mês de maio

Da Redação

O número de óbitos provocados por acidentes de trânsito em Santo André caiu 33% no mês de maio. Os dados são do Infosiga, banco de dados do Governo de São Paulo. Foram registradas quatro vítimas fatais em maio deste ano, contra seis mortes no mesmo mês do ano passado.

Os números positivos são resultado das diversas ações de segurança viária adotadas pela Prefeitura desde o ano passado e que se somam à retirada dos radares móveis da cidade, priorizando a educação no lugar da punição com multas. No último mês, durante a campanha Maio Amarelo, o município desenvolveu diversas atividades focadas na segurança viária e na conscientização de motoristas, pedestres e ciclistas.

| Foto: Alex Cavanha/PSA

Os dados consolidados de 2018 também são positivos. O número de vítimas fatais no trânsito de Santo André caiu 31,5%, passando de 19 para 13, na comparação dos cinco primeiros meses de 2017 com o mesmo período deste ano.

“O resultado é reflexo de importantes ações na Mobilidade Urbana que realizamos na nossa cidade, visando a preservação da vida. Uma medida audaciosa foi a retirada de todos os radares móveis de Santo André, acabando com a indústria da multa. Intensificamos campanhas educativas de conscientização e investimos em melhorias na sinalização de trânsito e na qualidade das vias. Implementamos operações direcionadas, como a Operação Fluidez, que organiza o fluxo de veículos e diminui o conflito entre motoristas e pedestres”, afirmou o prefeito Paulo Serra.

Os números apontados pelo Infosiga também são resultado da manutenção de toda sinalização de trânsito que o DET vem executando desde junho de 2017, que consiste em repintura de faixas de pedestres, limpeza de placas, recolocação de placas danificadas, instalação de semáforos, travessias elevadas, entre outras, que atendem a todas as regiões da cidade durante todo o ano.  A Prefeitura promove ainda intervenções do Plano de Ação Imediata de Trânsito (PAIT), que contempla pacote de microintervenções de baixo custo e realiza alterações no sentido de vias, abertura de acessos, repintura de sinalização horizontal e vertical.

No último mês, durante o Maio Amarelo, a Prefeitura intensificou as ações que são realizadas durante todo o ano, para conscientizar os munícipes sobre a importância de obedecer as regras de trânsito. O calendário contou com atividades para motoristas, pedestres e também alunos das escolas municipais. Como parte da programação, foram realizadas campanhas focadas na segurança do pedestre nas vias de maior movimento da cidade.



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Consórcio encerra missão em Turim e avança em projeto

Da Redação

A segunda rodada da parceria entre o Consórcio Intermunicipal Grande ABC e a cidade de Turim, na Itália, terminou na quinta-feira (17) com previsão de avanços na gestão, por meio de transferência de tecnologia e cooperação mútua para melhorar a mobilidade na região. O intercâmbio é realizado por meio do Programa Internacional de Cooperação Urbana (IUC), desenvolvido pela União Europeia (UE), possibilitando aos seis municípios consorciados desenvolver programas de políticas públicas, de forma integrada à cidade italiana, até 2020.

O grupo que visitou a cidade italiana foi liderado pelo vice-presidente do Consórcio e prefeito de Santo André, Paulo Serra. “A missão de cooperação técnica entre a região do ABC, via Consórcio Intermunicipal, e a cidade de Turim chega ao fim de maneira muito produtiva e inspiradora”, afirma o prefeito.
Visita da delegação brasileira foi viabilizada por projeto da União Europeia | Foto: Divulgação

A agenda do último dia de visitas técnicas incluiu uma reunião com a presidente da Agência Piemontesa de Mobilidade, Cristina Pronello. O órgão é considerado um modelo de governança unificada para a regulação, gestão e monitoramento da mobilidade na região metropolitana de Turim, de Piemonte e demais cidades do entorno.

“O formato de centralização dos assuntos de interesse comum e políticas públicas para a discussão unificada parece o mais adequado para garantir a sustentabilidade do sistema de Mobilidade e a eficiência na prestação de serviços”, explica Paulo Serra.

A partir deste encontro, foi feito um balanço para nortear o desenvolvimento do plano de trabalho que será apresentado aos prefeitos, durante a Assembleia Geral do Consórcio, com o objetivo de estabelecer o escopo do projeto a ser entregue em outubro ao bloco europeu para captação de recursos. Nas próximas semanas, serão realizadas reuniões de trabalho por meio de videoconferência entre as equipes técnicas do ABC e de Turim, com a participação do coordenador do IUC, Stefan Unseld.

Também integraram a delegação do Consórcio técnicos das prefeituras consorciadas e empresários da região envolvidos com projetos de mobilidade.

Na primeira etapa da cooperação, uma delegação de Turim esteve no Grande ABC no final de fevereiro para iniciar o plano de parceria entre italianos e brasileiros. Por meio de uma ação do escritório de Brasília, o Consórcio venceu a concorrência entre mais de 200 projetos internacionais para participar da iniciativa.



segunda-feira, 28 de novembro de 2016

Trabalhadores brasileiros demoram 40 minutos para chegar ao trabalho, aponta Pesquisa

Da Redação

Em média, 63% dos trabalhadores das principais capitais brasileiras demoram cerca de 40 minutos para se deslocarem de casa até o trabalho. Se contarmos os 22 dias úteis do mês, são mais de 13h em trânsito. Por ano, são seis dias e meio para chegar ao destino. Já a distância percorrida para 65% das pessoas não ultrapassa os 20 quilômetros. Por dias úteis são 440 km, e por ano, representa 5.280 km rodados. O que significa dois dias de viagem entre Florianópolis e Boa Vista.

Os dados fazem parte da Pesquisa Mobilidade Alelo, realizada pela Alelo, empresa líder no setor de benefícios e cartões pré-pagos, em parceria com o Ibope/Conectaí. O objetivo do levantamento é entender os hábitos de utilização de transporte dos trabalhadores brasileiros para ir e voltar do trabalho, entender o perfil dos usuários de transporte público e privado, quanto gastam e o que fazem nesse trajeto.
Arte: Reprodução 

Em Porto Alegre, por exemplo, é cidade na qual os trabalhadores perdem menos tempo no trânsito: a distância percorrida é de até 13,6 quilômetros e o tempo fica em torno de 29 minutos para chegar ao trabalho. Em Goiânia, as pessoas percorrem até 13,7 quilômetros e o tempo médio de deslocamento é de 31 minutos. Já em Curitiba, a média de quilômetros é de 13,7 e a distância fica em torno de 33 minutos.

O custo com transporte público ou privado é outra informação relevante do estudo e que está atrelado à distância e tempo. O gasto médio diário com transporte público para ir e vir do trabalho é de R$ 9,50, considerando os 22 dias úteis, a média mensal será de R$ 209. Os trabalhadores cariocas são os que desembolsam o maior valor para trabalhar, cerca de R$ 10,9 por dia e R$ 240 por mês, enquanto que os de Recife têm o menor gasto sendo R$ 7,90 por dia e R$ 174 por mês. Já o gasto médio mensal para quem trabalha de carro é de R$ 199, desconsiderando manutenção, desgaste, seguro e estacionamento. Para quem usa moto, são R$ 107 e fretado R$ 116. Quem opta por trabalhar de táxi, o valor fica em torno de R$ 182.

É a primeira edição da Pesquisa Mobilidade Alelo. Nos últimos anos, a empresa tem investido em estudos para compreender ainda mais o dia a dia do trabalhador brasileiro como as duas edições da Pesquisa Hábitos Alimentares do Trabalhador Brasileiro e a Pesquisa para saber sobre as preferências para o Natal.


segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Mobilidade Urbana: ABC precisa começar a andar neste pós-eleições

Por Adamo Bazani, jornalista especializado em transportes 

Se depender das promessas dos candidatos eleitos às prefeituras do ABC Paulista, a mobilidade urbana na região vai avançar muito pouco.

Muitas dessas promessas foram extremamente vazias, e até por que não dizer sem fundamento: monotrilho, que é obra estadual e incerta, readequação de linhas sem antes adequação do espaço urbano, e a velha política de privilégio ao automóvel fizeram parte dos discursos.

Como quase todos os municípios País, as sete cidades do ABC Paulista cresceram de forma desordenada. Não há mais tantos recursos e espaços para grandes obras que privilegiem o transporte individual. Em muitos casos, os gestores terão de apresentar coragem para tomar decisões. E o caminho certo é o transporte coletivo e os deslocamentos não motorizados.

Novos prefeitos, novas esperanças, mas problemas antigos continuam com promessas superficiais | Foto: Adamo Bazani 
Os problemas são muito grandes, a começar pela frota de carros que no ABC cresceu 67,84% entre 2005 e 2015, enquanto a população cresceu a menos de 10%, segundo dados do Denatran e do IBGE. A taxa de motorização é de 0,65 veículo por habitante. O ABC tem em torno de 2,65 milhões de moradores.

O problema não é a quantidade de carros em si, mas o uso que se faz desses veículos. Como não há uma rede de transporte coletivos integrada e adequada as pessoas acabam se deslocando de carro para suas atividades cotidianas, o que resulta em congestionamentos e aumento da poluição.

Mas para não ficar apenas apontando problemas e sim, discutir soluções, várias propostas, mesmo que difíceis, devem ser priorizadas. Outas não são tão difíceis, basta vontade. A reportagem relaciona algumas (de tantas) para a região como um todo e para cada cidade, com vistas ao transporte coletivo.
ABC:

Integração Tarifária dos Ônibus Municipais: As promessas no âmbito do Consórcio Intermunicipal do ABC foram muitas, mas com nenhum avanço. O tema ganhou força em 2013 durante os protestos contra as tarifas de ônibus. Neste caso, prefeitos devem se despir das suas cores de bandeiras partidárias e terem bastante coragem, porque tecnicamente e financeiramente é possível fazer a integração entre os ônibus municipais das sete cidades. Não tem lógica municípios extremamente ligados (como dizem os urbanistas, conurbados) numa região que é menor que a zona Sul da capital paulista, mas que por questão de metros entre uma rua e o outra passageiro é obrigado a descer do ônibus e pagar outra tarifa. 

É certo que na região do ABC há um verdadeiro loteamento e uma disputa entre empresários de ônibus. Por exemplo, o empresário maior de Santo André, Ronan Maria Pinto, não tem mais boas relações com a empresa operadora de Mauá, Suzantur. Ronan foi um dos apoiadores para empresa tirar a Leblon da cidade mauaense, mas depois por desentendimentos empresariais, romperam relações. Em São Bernardo do Campo, a família Setti & Braga também quer uma certa distância de Ronan. Na época das investigações sobre o esquema de corrupção em Santo André, que segundo o Ministério Público Estadual resultou na morte do prefeito Celso Daniel em janeiro de 2002, o empresário João Antônio Setti Braga, do Grupo ABC, em CPIs foi firme ao denunciar as propinas. Tanto é que saiu da sociedade que mantinha com Ronan e outros empresários na Expresso Nova Santo André, empresa cujo nome aparece hoje nas investigações da Lava Jato. Setti Braga disse que não queria participar do esquema de propina. Entre Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra é muito ruim a relação entre empresário Nivaldo Aparecido Gomes, da Rigras, e a família de José Pereira, que controla a Viação Talismã.

No entanto, a população não é obrigada a pagar por isso. Os prefeitos devem sentar com esses operadores e deixar claro que o interesse dos passageiros, que são os clientes das empresas de ônibus, devem vir em primeiro lugar.

Ajuda ao Corredor da Metra: O Corredor da Metra, entre São Mateus e Jabaquara, passando por Santo André, Mauá (Terminal Sônia Maria), São Bernardo do Campo e Diadema é do Governo do Estado e possui uma boa avaliação dos passageiros. No entanto, os serviços poderiam ser melhores se as prefeituras ajudassem. Isso porque vários trechos do corredor são mistos. Os trólebus saem da pista exclusiva e se misturam em meio aos carros. É o que acontece, por exemplo, na região do Paço Municipal de São Bernardo do Campo e entre o Terminal Santo André Oeste e Avenida Ramiro Colleoni. É justamente nesses pontos que os trólebus perdem eficiência. Como os trechos mistos são de responsabilidade das prefeituras, não custaria nada o poder público implantar faixas exclusivas à direita (estilo Haddad mesmo) pelo menos nos horários de pico para o transporte coletivo fluir. Algo simples, quase sem nenhum custo e que ajudaria muita gente. Neste caso, egoísmo deve ser deixado de lado, porque ação, do ponto de vista superficial, melhoraria avaliação de um corredor que não é das prefeituras e sim do Governo do Estado, mas de um ponto de vista real, melhoraria mesmo a qualidade de vida e deslocamento de quem faz uso dos trólebus e ônibus hoje operados pela Metra.

Santo André: Andar de ônibus em Santo André não é das melhores partes do dia de ninguém. A frota da cidade já extrapolou a idade média prevista em contrato e, com poucos espaços preferenciais, os ônibus ficam presos nos congestionamentos. Enquanto isso, Paulinho Serra em sua campanha disse que iria junto ao Governo do Estado “articular” o monotrilho. Ocorre que, primeiro o monotrilho é uma obra de responsabilidade do Governo do Estado, a prefeitura pode ajudar, mas pouco. Segundo, o monotrilho é uma obra incerta, não tem prazo para começar e muito menos para terminar, há contestações do ponto de vista de sua eficiência, já que é caro tem capacidade limitada de passageiros, além da interferência no espaço urbano por causa de suas enormes vigas por onde passariam os trens com pneus de borracha. Há prioridades em relação ao transporte público, de competência exclusiva da prefeitura. O candidato eleito disse que iria reorganizar as linhas de ônibus da cidade. Isso sim é importante. No entanto, uma reorganização de linhas só deve ocorrer depois de uma estruturação do espaço urbano. Obrigar o passageiro a entrar e sair de vários ônibus para fazer um único deslocamento, sendo que esses ônibus ficariam ainda presos em longos congestionamentos, é sentenciá-lo a ficar mais tempo esperando nos pontos.

O que adianta um ônibus ser rápido e o outro, preso no congestionamento, demorar para chegar? A cidade precisa investir mais em espaços para o transporte coletivo. Se não há áreas para corredores, pelo menos faixas em horários de pico. Em relação a essas faixas, também é necessário ter bastante coragem e postura. Um exemplo é Avenida Dom Pedro II, onde nos períodos de pico o passageiro chega a perder quase 30 minutos. Uma faixa de ônibus lá atrapalharia os carros? Sim, mas o motorista do carro teria como alternativa as paralelas no bairro Jardim que poderiam ser melhor aproveitadas. Já o passageiro de ônibus, não. Uma faixa das 06h às 09h e das 17h às 20h não atrapalha comércio.

São Bernardo do Campo: O grande desafio em São Bernardo do Campo, na área de transporte coletivo, também é o tempo que se perde nas viagens. Uma das soluções seria criar mais faixas exclusivas e concluir os 12 corredores exclusivos prometidos para 2014 pelo prefeito Luiz Marinho, que deixará o cargo no final do ano. No entanto nenhum destes corredores está em operação. Essa deve ser uma das prioridades. Orlando Morando ao invés também de ficar exaltando o monotrilho, cria de seu partido PSDB, deve agilizar este ponto. A cidade de São Bernardo do Campo é operada por uma única empresa, a SBCTrans, cujos serviços são bem heterogêneos. Enquanto há linhas com uma boa periodicidade de ônibus em outras, apesar da grande demanda, a demora nos pontos e veículos lotados ainda são realidade. A situação para quem mora no pós-balsa também não é a ideal.

São Caetano do Sul: A cidade não é grande, mas os problemas de mobilidade não são nada pequenos. A sua principal artéria, a Avenida Goiás, também não oferece o tratamento adequado para o transporte coletivo. Os ônibus perdem tempo nos congestionamentos, sendo que a Avenida Goiás possui uma estrutura muito boa para faixas de ônibus, aliás, Avenida Goiás possui uma estrutura para um corredor à esquerda, que é muito mais eficiente. Apesar de mais caro, é possível e vantajoso. A cidade é operada exclusivamente pela Vipe - Viação Padre Eustáquio, empresa que não presta maus serviços de uma maneira geral, mas muitos passageiros reclamam do excesso “micrões”, ônibus menores que os convencionais, em linhas de maior lotação, principalmente nos horários de pico.

Diadema: Com duas empresas operando, a Transportadora Benfica e MobiBrasil, a cidade não possui também espaços prioritários suficientes para o transporte coletivo.  Além disso, os locais mais distantes do centro praticamente não contam com terminais, apenas estruturas pouco adequadas para oferecer segurança e conforto aos passageiros e trabalhadores em transportes coletivos, como o Terminal Eldorado, mesmo com as obras de revitalização, que é verdade, são avanços, mas parece que não suficientes. É o tipo de situação que deve ser prioridade na administração municipal.

Mauá: Uma administração municipal não deve nunca perseguir uma operadora de transporte, porém, também não precisa ser aliada. A cumplicidade da prefeitura e a empresa Suzantur, que opera com exclusividade os serviços, sempre foi alvo de polêmicas, desde o descredenciamento da Leblon Transporte de Passageiros e da Viação Cidade de Mauá pelo prefeito que fica até o final do ano, Donisete Braga. É verdade que em relação ao antigo Lote 1, antes operado pela empresa de Baltazar José de Sousa, houve avanços significativos, mas em relação ao Lote 2 que antes era da paranaense Leblon, segundo os próprios passageiros, houve poucos avanços e até alguns retrocessos, como a retirada dos ônibus articulados da linha Zaíra 4, extremamente lotada. A atual concessionária disse ter colocado mais ônibus. Os terminais em Mauá também são grandes desafios para o eleito Atila Jacomussi. A estrutura principal, o Terminal Central ao lado da CPTM, sempre foi precária, insuficiente para as linhas e sem oferecer conforto, segurança e sensação de bem-estar. Terminais do Zaíra, Itapark e do Guapituba, onde alguns ônibus ficam parados “no barro” também são estruturas que não oferecem o mínimo ideal para os passageiros. Os transportes foram decisivos para a derrota de Donisete Braga e podem decidir o futuro de Atila em quatro anos.

Ribeirão Pires: Em Ribeirão Pires, há apenas uma empresa de ônibus operando, a Rigras. A avaliação dos passageiros de uma maneira geral é boa. No entanto, os serviços poderiam melhorar.  Além disso, Ribeirão Pires deveria também ampliar as áreas de prioridade ao transporte coletivo, rever o intervalo de algumas linhas e melhorar a conservação e manutenção do principal terminal da cidade, que tem até um bom conceito de operação com itens de acessibilidade, mas sofre com sujeira, pichação, comércio ambulante entre outros problemas.  A Avenida Humberto de Campos é um dos grandes gargalos para quem quer entrar ou sair de Ribeirão Pires para ou pela vizinha Mauá. O transporte coletivo também deve ser priorizado neste ponto da cidade, mesmo as linhas intermunicipais. Apesar de a pista ter apenas duas faixas em cada sentido, sendo que uma delas é usada frequentemente para conversões, uma faixa preferencial sinalizada adequadamente, não necessariamente exclusiva, poderia, entretanto, alertar os motoristas que o passageiro do transporte coletivo, por lei federal, tem prioridade.

Rio Grande da Serra: O menor município do ABC Paulista, até mesmo com ares rurais, também enfrenta problemas de mobilidade. Foi a primeira cidade a conseguir os recursos do PAC obtidos no âmbito do Consórcio Intermunicipal do ABC para um espaço dedicado a ônibus. Um dos grandes gargalos é a travessia da linha de trem, que ainda é perigosa e provoca perda de tempo nas viagens. A questão é complexa porque sem desapropriações não há área para um viaduto, mas uma sinalização mais adequada também por parte do poder municipal e não só da CPTM, poderia reduzir parte do problema. De toda forma, a eliminação da passagem de nível deve ser um dos focos junto com o Governo do Estado, que é responsável pela CPTM. Há também uma verdadeira disputa nos bairros entre a Viação Talismã, operadora municipal e a Rigras, operadora intermunicipal, que vem de Ribeirão Pires. Ambas empresas se acusam de sobreposições de linhas. Ocorre que em muitos casos, os ônibus andam praticamente juntos e mais de uma linha não necessariamente tem significado para a população menos espera nos pontos. O poder público deve atuar de forma a garantir o entendimento entre as empresas e elaborar para Viação Talismã escalas que possam disciplinar os intervalos, já que Rigras opera linhas intermunicipais. O município não pode reger sobre as escalas da Rigras, no entanto, pode propor entendimentos com o governo do estado, responsável por meio da EMTU, pelo gerenciamento das linhas intermunicipais. Houve a determinação de os ônibus da Rigras não permitirem embarques e desembarques de passageiros municipais, mas é insuficiente para resolver o problema.


segunda-feira, 13 de junho de 2016

Ausência do Estado em seminário de governança regional é motivos de críticas

Da Redação

Mais participação do Estado na discussão e elaboração de ações que de fato promovam o desenvolvimento planejado das regiões metropolitanas. Foi o que defenderam palestrantes e representantes da sociedade civil que participaram do “Seminário Internacional Desenvolvimento e Governança Regional: Diagnósticos e Pesquisas a partir da Região Metropolitana de São Paulo”, realizado no campus São Bernardo da Universidade Federal do ABC (UFABC) no dias 8 e 9 de junho. O evento, dirigido a gestores públicos, acadêmicos, especialistas, representantes de movimentos sociais e da sociedade civil, foi promovido em parceria com o Consórcio Intermunicipal do Grande ABC.

Durante a mesa de encerramento do seminário, “Governança & desenvolvimento: o que faremos?”, o prefeito de São Bernardo do Campo e presidente do Consórcio Intermunicipal cobrou, no caso de São Paulo, que o Estado se faça presente nas discussões voltadas à resolução de problemas comuns das cidades. “O ente Estado está ausente até no seminário. O governo do Estado nunca me chamou para discutir ou apresentar sugestões ao Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI). É preciso que se faça um pacto, sem olhar cor partidária, para resolvermos problemas comuns, como na mobilidade urbana e habitação, por exemplo”, afirma.

No debate de encerramento do evento, Marinho teceu críticas sobre a ausência do governo estadual | Foto: Valmir Franzoi
Na véspera, no debate intitulado “A Região que Temos: Estratégias de Desenvolvimento”, o representante da Fundação Getulio Vargas, Professor Doutor Fernando Abrucio, também lamentou a ausência do Governo do Estado no nas discussões regionais. “O governo estadual deveria estar junto. Ele não estar aqui não faz o menor sentido”, aponta. 

Luiz Marinho, que também preside o Conselho Metropolitano da Grande São Paulo, defendeu reflexão maior por parte dos prefeitos sobre a importância da realização de ações conjuntas. “Precisamos pensar mais sobre o que é Metrópole e a importância de seu desenvolvimento, para que até o fim deste ano a gente possa tirar um modelo de plano de desenvolvimento metropolitano. Para isso, teremos de promover esse debate e ouvir vários entes, sobretudo a sociedade e também definir qual será o papel de cada parte nesse contexto: os municípios, o Estado e a União”, declarou o chefe do Executivo.

Plano Regional 

O objetivo do seminário foi discutir a elaboração do Plano Diretor Regional do ABC (PDR-ABC), que vai integrar políticas públicas e projetos dos municípios da região, como, por exemplo, no caso de mobilidade. No encontro também foi debatido o Plano de Desenvolvimento Urbano Integrado (PDUI) da Grande São Paulo, que estabelece diretrizes para orientar o desenvolvimento regional, voltado à melhoria da qualidade de vida da população. O ABC foi pioneiro em ações de integração regional, com a criação do Consórcio, da Câmara Regional do ABC e a elaboração do Plano Plurianual Participativo (PPA) regional 2013.



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Empresa de ônibus não respeita horários

Por Vivian Silva 

Linha I 01 é operada pelo Consórcio União Santo André
Foto: Hugo Silva
A mobilidade urbana é um dos grandes desafios no País, seja pelo trânsito caótico das grandes cidades ou as condições dos transportes públicos, que deixam a desejar em vários quesitos. Em Santo André, a linha de ônibus municipal I 01 – Jardim Alzira Franco/Fundação Santo André é alvo de críticas de diversos passageiros, que reclamam do intervalo longo entre um ônibus e outro, principalmente, neste período de férias escolares.

Para a dona de casa, Maria José Santos de Oliveira, 50 anos, “é (uma linha) muito demorada. Passa de hora em hora e olhe lá”, relata ao esperar o ônibus no 2º Subdistrito andreense.

O novo diretor da Santo André Transportes (SA-Trans) - empresa pública responsável pelo transporte público municipal - Edilson Factori, respondeu por intermédio da assessoria de imprensa da Prefeitura que “a linha I 01 está dimensionada para operar com intervalos médios de 26 minutos entre suas partidas. A oferta é estabelecida em relação à demanda existente”.

Segundo ainda a concessionária, os mesmos intervalos da operação normal são mantidos no período de férias escolares. Porém, a informação não condiz com os relatos dos passageiros, conforme conta a dona de casa, Maite C.M. Prata, 50 anos, que utiliza esta linha há cerca de quatro anos. “Demora bastante e, principalmente, agora no período das férias. Chego a ficar quase uma hora no ponto de ônibus”, conta.

A longa espera também é relatada pelo aposentado Carlos Ferreira, 59 anos. “Utilizo o I 01 todos os dias, é cansativo. Quem tem um horário certo precisa sair de casa com uma hora ou uma hora e meia de antecedência”, comenta.

A espera média de uma hora entre um ônibus e outro é frequente. Quando a manicure e cabeleireira, Maria da Guia, 49 anos, precisa ir ao médico e utilizar o I 01, ela também sai com antecedência, para não perder o horário. “O ônibus demora muito, minha consulta é às 12h30, eu estou aqui este horário (11h) para não perder a consulta. Já aconteceu dele demorar uma hora”.

Falta de educação

Além da longa espera, falta de respeito também foi constatada nesta linha, segundo a operadora de caixa, Francine Novaes Dourado, 33 anos, que foi ofendida pelo motorista, ao pedir informações em relação à demora. “Eu simplesmente dei sinal para ele me informar (o motivo) da demora, porque já tinha subido quatro ônibus e não descia nenhum. Ele parou e me xingou. No mínimo ele tinha que ter um pouco de respeito”, desabafa.

Pesquisa Origem e Destino

A SA-Trans integra a Secretaria de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos da Prefeitura de Santo André, que tem como secretário o Paulinho Serra. Questionado quanto à fiscalização realizada pela Pasta em relação à empresa de ônibus, o secretário se limitou a responder apenas: “o trabalho da concessionária é realizado e comandando pela Secretaria, assim como os demais departamentos existentes”.
Uma pesquisa chamada Origem e Destino, para avaliar a situação dos ônibus municipais, está prevista para este semestre. “Neste momento, será intensificada a fiscalização desta linha e eventuais irregularidades em sua operação serão objeto de imediata correção”, afirma Factori.

Obs.: Matéria publicada na edição 817 do Ponto Final.