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quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Roubos de veículos e homicídios diminuem no ABC

Redação

Os dados divulgados pela Secretaria de Segurança Pública, nesta última quinta-feira (25), apontam recuo nos indicadores de criminalidade no ABC, em agosto, na comparação com o mesmo período do ano anterior. O número de roubos de veículos caiu 31,56%, os furtos de veículos também diminuíram 8,63% e o número de homicídio teve redução de 44,44%. No último mês, foram recuperados 368 veículos, totalizando de janeiro a agosto deste ano, 3.310 automóveis devolvidos aos proprietários.

Roubos de veículos diminuíram 31,56% no ABC, em agosto, na comparação o mesmo mês do ano anterior | Foto: Reprodução Facebook

Em relação ao roubo de carga, também houve queda de 37,78%, em agosto, na comparação com o mesmo período de 2018. Para conseguir as quedas nos indicadores de criminalidade, foram desenvolvidas ações específicas e voltadas à vistoria e abordagem aos veículos de carga de pequeno porte. Desta forma, o Comandante do Policiamento de Área Metropolitana Seis (CPA-M6) - responsável pelo ABC - contabilizou 67.165 buscas pessoais, no último mês, sendo 511.550 buscas pessoais de janeiro a agosto de 2019, que resultaram em 2.367 prisões em flagrante delito e 406 menores apreendidos ao longo de 2019.

Segundo o CPA-M6, a redução no número de homicídios, por exemplo, é fruto dos estudos destinados ao direcionamento das ações de policiamento que são intensificadas através das viaturas do 6º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (6º BAEP), viaturas dos subsetores, Força Tática, Rondas Ostensivas Com Apoio de Motocicletas (ROCAM) e por viaturas no cumprimento da Diária Especial por Jornada Extraordinária de Trabalho Policial Militar (DEJEM) do CPA/M-6 e das Unidades Subordinadas, com a realização constante de abordagens a carros, motos e indivíduos em atitude suspeita, independente de solicitação de órgãos públicos ou privados.

Outros crimes apresentaram também redução em agosto, na comparação com o mesmo período do ano passado, roubo caiu 3,12% e o furto diminuiu 5,71%, além disso foi realizada a apreensão de 191 armas de fogo, neste ano.

quinta-feira, 7 de junho de 2018

Brasil ultrapassa pela primeira vez a marca de 30 homicídios por 100 mil habitantes

Da Redação

O Brasil atingiu, pela primeira vez em sua história, o patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. A taxa de 30,3, registrada em 2016, corresponde a 62.517 homicídios naquele ano, 30 vezes o observado na Europa naquele mesmo ano, e revela a premência de ações efetivas por parte das autoridades públicas para reverter o aumento da violência. É o que aponta o Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que foi divulgado na última terça-feira (6).

Homicídios entre brancos recuou 6% nos últimos 10 anos;
entre os negros, houve aumento de 23% | Foto: Reprodução
Apenas entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas pelo uso de armas de fogo no país. Uma verdadeira corrida armamentista que vinha acontecendo desde meados dos anos 1980 só foi interrompida em 2003, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, o índice de mortes por armas de fogo era de 71,1%, o mesmo registrado em 2016.

Homicídios nos estados

A evolução das taxas de homicídios foi bastante heterogênea entre as Unidades da Federação entre 2006 e 2016, variando desde uma redução de 46,7% em São Paulo a um aumento de 256,9% no Rio Grande do Norte. Sete unidades federativas do Norte e Nordeste têm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes: Sergipe (64,7), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). Entre os 10 estados onde a violência letal cresceu no período analisado, estão o Rio Grande do Sul e nove pertencentes às regiões Norte e Nordeste.

No Rio de Janeiro, as taxas diminuíam desde 2003, mas em 2012 esse movimento se reverteu e, em 2016, houve forte crescimento dos índices. São Paulo mantém uma trajetória consistente de redução das taxas de homicídio desde 2000. Alguns fatores que podem explicar esse desempenho são as políticas de controle responsável das armas de fogo, melhorias no sistema de informações criminais e na organização policial e a hipótese de pax monopolista do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A redução dos homicídios também ocorre desde 2013 no Distrito Federal. A pesquisa constata a efetividade de programas como Paraíba pela Paz (PB) e Estado Presente (ES), lançados em 2011, quando esses estados eram o 3º e o 2º mais violentos do país, respectivamente. Em 2016, caíram para as posições de número 18 e 19.

Perfil das vítimas

Os homicídios respondem por 56,5% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no Brasil. Em 2016, 33.590 jovens foram assassinados – aumento de 7,4% em relação a 2015 –, sendo 94,6% do sexo masculino. Houve crescimento na quantidade de jovens assassinados em 20 Unidades da Federação no ano de 2016, com destaque para Acre (aumento de 84,8%) e Amapá (41,2%), seguidos por Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Roraima. A juventude perdida é considerada um problema de primeira importância no caminho do desenvolvimento social do país e que vem aumentando numa velocidade maior nos estados do Norte.

A desigualdade de raça/cor nas mortes violentas acentuou-se no período analisado. De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram pretas ou pardas. Naquele mesmo ano, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros (40,2 contra 16,0). Contudo, em nove estados as taxas de homicídio de negros decresceram na década de 2006 a 2016, entre eles São Paulo (-47,7%), Rio de Janeiro (-27,7%) e Espírito Santo (-23,8%).

A pesquisa observa um aumento de 6,4% nos assassinatos de mulheres no Brasil entre 2006 e 2016. No último ano analisado, ocorreram 4.645 homicídios em que a vítima era do sexo feminino. A situação é mais grave em Roraima, que apresentou uma taxa de 10 homicídios por 100 mil mulheres. Em 20 Unidades da Federação, a violência letal contra mulheres negras cresceu no período estudado, e os piores desempenhos ocorreram em Goiás e no Pará.

A edição deste ano do Atlas da Violência também aborda os registros administrativos de estupro no Brasil. Em 2016, as polícias brasileiras registraram 49.497 casos de estupro, conforme informações do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número contrasta com os 22.918 incidentes desse tipo reportados no Sistema Único de Saúde. De acordo com a pesquisa, certamente as duas bases de informação possuem uma grande subnotificação.

Outras seções do Atlas da Violência tratam das mortes violentas por causa indeterminada, das mortes decorrentes de intervenções policiais, da política de controle responsável de armas de fogo, da qualidade dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde em cada estado e da importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a redução da violência. A pesquisa recomenda, por fim, investimentos em uma arquitetura institucional que capacite o Estado brasileiro e lhe garanta as ferramentas de governança para que se possa efetivamente implementar políticas de pacificação.