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sexta-feira, 15 de junho de 2018

PM do ABC tem novo comandante

Da Redação

A Polícia Militar (PM) do ABC está com novo comandante. No último dia 7, ocorreu a solenidade que oficializou a troca no Comando de Policiamento Metropolitano de Área 6 (CPA/M-6), que agora é conduzido pelo coronel Ronaldo Gonçalves Faro. O CPA/M-6 é responsável pelo policiamento nas sete cidades do ABC. O ato contou com a presença de diversas autoridades civis e militares.

Coronel Ronaldo Gonçalves Faro comanda um efetivo
 com cerca de 3,5 mil homens no ABC | Foto: Caio Arruda/PMM
Faro substitui o coronel Paulo Henrique Fontoura Faria, que ocupou o cargo por pouco mais de um ano.

O novo comandante tem como responsabilidade dar apoio à atuação dos tenentes-coronéis, para que a PM possa garantir a segurança dos cerca de 2,7 milhões de habitantes do ABC. Sob seu comando estão aproximadamente 3,5 mil policiais.

Operação Servir e Proteger

Uma das primeiras ações de Faro na região ocorre durante o dia de hoje (15). A PM lançou, na capital e região metropolitana, a Operação Servir e Proteger, com o objetivo de reduzir diversos delitos, como roubos de carga, de veículos, entre outros. A operação aposta na presença ostensiva dos policiais para aumentar a segurança da população e inibir a prática de crimes.

Também faz parte da operação a implantação de pontos de referência, isto é, locais estrategicamente escolhidos em que viaturas e bases móveis ficam postadas.


sexta-feira, 8 de junho de 2018

Sardano tentará Brasília e planeja ações na área da Segurança

Por Vitor Lima

Após ser o segundo mais votado para vereador em Santo André no último pleito (2016), Edson de Jesus Sardano (PTB) tentará alçar voos mais altos nas eleições de outubro: o objetivo é continuar sua trajetória política em Brasília, como deputado federal.

O petebista é natural de Santo André e coronel da reserva da Polícia Militar (PM). A confiança depositada por 6.132 eleitores andreenses e sua trajetória profissional, levaram Sardano a ser escolhido pelo prefeito Paulo Serra (PSDB) para assumir a Secretaria de Segurança da cidade, cargo que ocupou entre janeiro de 2017 e janeiro deste ano.


Coronel da PM é vereador em Santo André e já foi
secretário de Segurança do município
 em duas ocasiões | Foto: Divulgação
O coronel deixou o cargo e voltou para a Câmara de vereadores, justamente, para disputar as eleições de outubro. Sardano já havia sido secretário de Segurança do município entre 2001 e 2003, durante a gestão do petista Celso Daniel.

Entre as principais realizações na última passagem pela Pasta, ele destaca medidas que fortaleceram a atuação da Guarda Civil Municipal, como a aprovação do novo estatuto da categoria. Na avaliação dele, as ações foram um “divisor de águas” na atuação da corporação.

Confira abaixo a entrevista com o postulante à Câmara Federal, no qual o pré-candidato defende um novo modelo de gestão da segurança pública nacional, em formato semelhante ao Sistema Único de Saúde (SUS).

Ponto Final (PF): Caso eleito, quais serão as principais bandeiras defendidas por seu mandato?
Edson Sardano (ES): As bandeiras mais importantes que irei empunhar são a defesa da vida, entenda-se como a luta contra o aborto, com a ressalva das exceções já prevista em lei, o endurecimento das leis processuais penais, para diminuir os benefícios e recursos que hoje estimulam a impunidade, uma reforma no sistema policial brasileiro com ampla consulta popular e estudos comparados no mundo, focando a necessidade da gestão local. Ou seja, tal qual o Sistema Único de Saúde, que embora tenha verbas da União e do Estado, a gestão é local. Pretendo o mesmo para a Segurança. Necessitamos de uma reforma tributária que devolva mais recursos aos municípios, uma vez que a arrecadação é feita neles e as demandas também são de natureza municipal principalmente.

PF: Na sua opinião, quais as principais demandas do ABC?
ES: Creio que o ABC clama por melhoras na segurança.

PF: Atualmente, o ABC conta com apenas quatro representantes na Assembleia Legislativa e dois no Congresso Nacional. Em outras oportunidades, nossa região já teve números mais expressivos. O baixo número de representantes da região demonstra um descontentamento dos eleitores com os políticos do ABC?
ES: Não. Creio que o descontentamento é com a política em geral, mas aqui temos uma característica especial, pois a proximidade com a capital acaba fazendo com que muitos eleitores apoiem candidatos de fora.

PF: A cidade de Diadema deixou o Consórcio Intermunicipal há alguns meses e outros municípios da região indicam que podem fazer o mesmo. Como o senhor avalia a atuação do Consórcio e o aparente enfraquecimento por qual a instituição passa?
ES: Creio que o consórcio precisa ser "reinventado". É muito caro, produz pouco e, também, carece de transparência.

PF: O senhor esteve à frente da Secretaria de Segurança de Santo André por pouco mais de um ano. Como o senhor avalia sua atuação à frente da Pasta?
ES: Estou muito satisfeito. Consegui aprovar o Estatuto da Guarda Municipal, que era uma demanda de 30 anos, graças, evidentemente, ao apoio do prefeito Paulo Serra e também criei operações de impacto, dando uma ‘virada’ na postura e na gestão da Guarda, que hoje participa ativamente do policiamento na cidade. Foi um verdadeiro divisor de águas.

PF: Pesquisa do Ipea divulgada terça-feira (5) indica que pela primeira vez na história o Brasil atingiu patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. Diante disso, como o senhor encara o fato de alguns candidatos serem favoráveis a liberação do porte de armas no Brasil?
ES: Isso é muito complicado. Há argumentos para qualquer uma das opções, mas eu entendo que a posse pode ser flexibilizada, em especial na zona rural e locais afastados, mas o porte carece de maior restrição.

PF: Dos atuais nomes colocados na mesa, quais lhe agradam mais para governador e presidente?
ES: Geraldo Alckmin (PSDB) e Márcio França (PSB).

PF: Já está definido qual candidato o senhor apoiará para a Assembleia Legislativa?
ES: Tenho que avaliar conjunturas partidárias, mas tenho uma identidade programática com o Almir Cicote (Avante) em Santo André.



quinta-feira, 7 de junho de 2018

Brasil ultrapassa pela primeira vez a marca de 30 homicídios por 100 mil habitantes

Da Redação

O Brasil atingiu, pela primeira vez em sua história, o patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. A taxa de 30,3, registrada em 2016, corresponde a 62.517 homicídios naquele ano, 30 vezes o observado na Europa naquele mesmo ano, e revela a premência de ações efetivas por parte das autoridades públicas para reverter o aumento da violência. É o que aponta o Atlas da Violência 2018, produzido pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública, que foi divulgado na última terça-feira (6).

Homicídios entre brancos recuou 6% nos últimos 10 anos;
entre os negros, houve aumento de 23% | Foto: Reprodução
Apenas entre 2006 e 2016, 553 mil pessoas perderam suas vidas devido à violência intencional no Brasil. Entre 1980 e 2016, cerca de 910 mil pessoas foram mortas pelo uso de armas de fogo no país. Uma verdadeira corrida armamentista que vinha acontecendo desde meados dos anos 1980 só foi interrompida em 2003, com a sanção do Estatuto do Desarmamento. Em 2003, o índice de mortes por armas de fogo era de 71,1%, o mesmo registrado em 2016.

Homicídios nos estados

A evolução das taxas de homicídios foi bastante heterogênea entre as Unidades da Federação entre 2006 e 2016, variando desde uma redução de 46,7% em São Paulo a um aumento de 256,9% no Rio Grande do Norte. Sete unidades federativas do Norte e Nordeste têm as maiores taxas de homicídios por 100 mil habitantes: Sergipe (64,7), Alagoas (54,2), Rio Grande do Norte (53,4), Pará (50,8), Amapá (48,7), Pernambuco (47,3) e Bahia (46,9). Entre os 10 estados onde a violência letal cresceu no período analisado, estão o Rio Grande do Sul e nove pertencentes às regiões Norte e Nordeste.

No Rio de Janeiro, as taxas diminuíam desde 2003, mas em 2012 esse movimento se reverteu e, em 2016, houve forte crescimento dos índices. São Paulo mantém uma trajetória consistente de redução das taxas de homicídio desde 2000. Alguns fatores que podem explicar esse desempenho são as políticas de controle responsável das armas de fogo, melhorias no sistema de informações criminais e na organização policial e a hipótese de pax monopolista do Primeiro Comando da Capital (PCC).

A redução dos homicídios também ocorre desde 2013 no Distrito Federal. A pesquisa constata a efetividade de programas como Paraíba pela Paz (PB) e Estado Presente (ES), lançados em 2011, quando esses estados eram o 3º e o 2º mais violentos do país, respectivamente. Em 2016, caíram para as posições de número 18 e 19.

Perfil das vítimas

Os homicídios respondem por 56,5% dos óbitos de homens entre 15 a 19 anos no Brasil. Em 2016, 33.590 jovens foram assassinados – aumento de 7,4% em relação a 2015 –, sendo 94,6% do sexo masculino. Houve crescimento na quantidade de jovens assassinados em 20 Unidades da Federação no ano de 2016, com destaque para Acre (aumento de 84,8%) e Amapá (41,2%), seguidos por Rio de Janeiro, Bahia, Sergipe, Rio Grande do Norte e Roraima. A juventude perdida é considerada um problema de primeira importância no caminho do desenvolvimento social do país e que vem aumentando numa velocidade maior nos estados do Norte.

A desigualdade de raça/cor nas mortes violentas acentuou-se no período analisado. De todas as pessoas assassinadas no Brasil em 2016, 71,5% eram pretas ou pardas. Naquele mesmo ano, a taxa de homicídios de negros foi duas vezes e meia superior à de não negros (40,2 contra 16,0). Contudo, em nove estados as taxas de homicídio de negros decresceram na década de 2006 a 2016, entre eles São Paulo (-47,7%), Rio de Janeiro (-27,7%) e Espírito Santo (-23,8%).

A pesquisa observa um aumento de 6,4% nos assassinatos de mulheres no Brasil entre 2006 e 2016. No último ano analisado, ocorreram 4.645 homicídios em que a vítima era do sexo feminino. A situação é mais grave em Roraima, que apresentou uma taxa de 10 homicídios por 100 mil mulheres. Em 20 Unidades da Federação, a violência letal contra mulheres negras cresceu no período estudado, e os piores desempenhos ocorreram em Goiás e no Pará.

A edição deste ano do Atlas da Violência também aborda os registros administrativos de estupro no Brasil. Em 2016, as polícias brasileiras registraram 49.497 casos de estupro, conforme informações do 11º Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O número contrasta com os 22.918 incidentes desse tipo reportados no Sistema Único de Saúde. De acordo com a pesquisa, certamente as duas bases de informação possuem uma grande subnotificação.

Outras seções do Atlas da Violência tratam das mortes violentas por causa indeterminada, das mortes decorrentes de intervenções policiais, da política de controle responsável de armas de fogo, da qualidade dos dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde em cada estado e da importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável para a redução da violência. A pesquisa recomenda, por fim, investimentos em uma arquitetura institucional que capacite o Estado brasileiro e lhe garanta as ferramentas de governança para que se possa efetivamente implementar políticas de pacificação.



sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Gabinete de Segurança estadual retoma atividades no ABC

Da Redação

Para estabelecer planos conjuntos entre os municípios e o governo estadual, o Gabinete Metropolitano de Gestão Estratégica de Segurança Pública da Região Metropolitana de São Paulo (Gamesp) Sub-região Sudeste retoma suas atividades no ABC na próxima terça-feira (8). A reunião tem início às 10h30, no Salão Nobre do Paço Municipal de São Bernardo do Campo.

A retomada das atividades do grupo é uma das demandas apresentadas pelo Consórcio Intermunicipal Grande ABC ao Governo do Estado de São Paulo, que neste ano passou a integrar o Conselho Consultivo da entidade regional. O Gamesp tem como objetivo discutir políticas de segurança regionais unificadas e estimular ações de prevenção e combate ao crime.

Está prevista a presença do secretário estadual da Segurança Pública, Mágino Alves Barbosa Filho, além dos prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e secretários municipais da região, do secretário de Segurança Urbana da capital paulista, José Roberto Rodrigues de Oliveira, representantes do Ministério Público, comandantes das Guardas Civis Municipais (GCMs) e delegados da Polícia Civil.

O Gamesp Sudeste foi regulamentado em setembro de 2013. As reuniões são técnicas, normalmente fechadas, e tem como objetivo estreitar relações, conjugar esforços e estabelecer iniciativas conjuntas na área de Segurança Pública.



quarta-feira, 31 de maio de 2017

Operação colocará mais guardas nas ruas de Santo André

Da Redação 

O prefeito de Santo André, Paulo Serra, anunciou na última sexta-feira (26) a criação da Operação Delegada Municipal, que colocará Guardas Civis Municipais (GCMs) nas ruas em plantões de 12 horas escalonados em regime de hora extra, para atuarem em regiões previamente analisadas pelo Comitê Integrado de Segurança (CIS). O programa contará com mais 20 GCMs que atuarão em pontos estratégicos da cidade, com o apoio de duas bases móveis, um ônibus, oito motos e duas viaturas. 

Operação foi lançada na última sexta-feira (26) | Foto: Ricardo Trida/PSA

A Operação Delegada Municipal promoverá ações de segurança pontuais e programadas, para atender as demandas do município para redução dos índices de crimes, de contravenções penais e de infrações administrativas, com o uso do efetivo da GCM. 

Capitaneada por Edson Sardano, a Secretaria de Segurança Cidadã, espera reduzir a sensação de insegurança apontada pelos munícipes, além de suprir a questão da exclusão de folgas quinzenais dos GCMs, que diminuía o efetivo operacional. “Onde apontarmos números crescentes, nós estaremos lá, caminhando no sentido de proporcionar a segurança e a tranquilidade que a população merece”, afirma. Serra, por sua vez, ressalta que o “ineditismo desta ação certamente vai funcionar e trazer bons frutos”.



segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Segurança pública: a encruzilhada do Brasil em 2017

*Por Newton de Oliveira

O Brasil nos últimos 100 anos de república enfrentou e venceu importantes desafios como Nação: A unidade territorial, a construção de aparelho de Estado central e grande de eficácia, a introdução e a consolidação das indústrias de base. Desde a penúltima década do século passado, com os estertores do autoritarismo civil-militar, estamos construindo uma democracia liberal de massas, democracia que foi posta à prova atravessando dois processos de impeachment. Com a redemocratização, se enfrentou e derrotou o processo de hiperinflação estrutural que impedia a estabilização econômica, condição sine qua non para o crescimento e desenvolvimento econômico do país. Em todos esses momentos houve um consenso nacional em torno do problema a ser enfrentado e superado. Assim foi com o Plano Real e o controle da inflação.

Hoje, a violência e a falta de uma política eficaz de segurança pública são o desafio estrutural a ser enfrentado pela sociedade e Estado para que o Brasil possa seguir adiante e não retroceda. 

Temos mais de 50 mil assassinatos todos os anos há mais de uma década. E a sociedade chocada, mas ao mesmo tempo anestesiada vê as sequências de horror nas cadeias que teve início no Carandiru em SP, continuou em Pedrinhas no Maranhão, e agora entra em progressão geométrica com as rebeliões em Rio Branco, Manaus, Roraima e Natal. A questão carcerária é o rompimento do tumor da Segurança Pública no Brasil.

A disseminação da violência na sociedade brasileira é a expressão da falha estrutural que traz à tona o hiato do Estado brasileiro que venceu a inflação mas não enfrentou esse tema que só faz reforçar e consolidar as desigualdades sociais históricas no Brasil.

A questão é tão cristalina que se torna chocante: temos um malfadado e antiquado artigo 144 na Constituição Federal que, como a jabuticaba, é uma excepcionalidade brasileira. Temos uma política penitenciária onde por total abulia transformam os presídios em centros de recrutamento, seleção e treinamento do chamado crime organizado. Há experiências muito positivas de criação de um ambiente seguro e democrático de segurança pública: as UPP’s (Unidade de Polícia Pacificadora) são o melhor exemplo, que foram derrotadas por uma apropriação oportunista do Estado que não entende que segurança pública é uma ação social não se restringindo a uma questão policial.

As pontas de controle da criminalidade são tratadas de modo equivocado e canhestro; uma Lei de Drogas que abarrota as cadeias de consumidores e varejistas agravando o problema penitenciário, deixando de lado os tubarões. Um combate absolutamente ineficaz em relação às armas de guerras ilegais que entram com total facilidade em nossas fronteiras e fazem das cidades brasileiras palco de uma guerra civil não declarada. E, por último, um sistema de Justiça que é seletivo e não consegue aplicar a execução penal, inexistindo progressividade, exames criminológicos sérios e restrição da liberdade aplicada de forma indiscriminada.

Diante desse quadro, o Brasil está em uma encruzilhada. Ou se constrói um consenso em torno de uma reforma radical nas Políticas de Segurança Pública (com o debate sobre descriminação das drogas, uma política penitenciária que ressocialize e aplique de fato a execução penal e não se paute só com a aplicação de penas de restrição a liberdade; com a retomada dos territórios hoje à margem da soberania do Estado por meio da entrada não só da Polícia, mas com Educação, Saúde e Cultura, usando as tecnologias disponíveis na indústria 4.0) para se superar rapidamente o gap histórico com o entendimento que esse tema é responsabilidade do Estado na sua totalidade e, portanto, uma ação necessariamente integrada ou nos restará uma involução que pode perigosamente ameaçar a Nação e a integridade do Estado Brasileiro. 

E nesse roldão vai-se embora a Democracia.

*Newton de Oliveira é coordenador de pós-graduação e extensão da Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio. Foi subsecretario de Segurança do Rio de Janeiro. Tem cursos no Reino Unido, EUA e Israel.