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sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

Prazo para cadastramento biométrico em São Caetano do Sul termina dia 19

Redação

São Caetano do Sul está entre os municípios paulistas no qual o cadastramento biométrico tornou-se obrigatório para os eleitores. Quem quiser exercer seu direito ao voto em 2020 só tem até a próxima quinta-feira (19) para fazer a biometria.

Os cartórios eleitorais de São Caetano do Sul, localizados dentro do Atende Fácil, abrirão em regime de plantão, neste fim de semana (14 e 15), das 9h às 13h | Foto: Junior Camargo/PMSCS

Para facilitar a vida do eleitor, os cartórios eleitorais de São Caetano do Sul (166ª e 269ª Zonas Eleitorais) localizados dentro do Atende Fácil, que fica na Rua Major Carlo Del Prete, 651, Centro, abrirão em regime de plantão, neste último fim de semana (14 e 15), das 9h às 13h, antes da data de encerramento.

Para realizar a biometria, neste sábado ou domingo (14 e 15), basta levar comprovante de residência emitido nos últimos três meses, documento com foto (RG ou CNH, por exemplo) e título de eleitor (este, opcional).

Até a última quinta-feira (12), 73,3% dos eleitores de São Caetano haviam feito a biometria. A procura aumenta, conforme o prazo final se aproxima. Cerca de 400 pessoas são atendidas diariamente, entre 9h e 19h, de segunda a sexta. Por isso, os funcionários do cartório eleitoral recomendam não deixar a tarefa para a última hora. 


quarta-feira, 30 de outubro de 2019

OAB Santo André terá palestra aberta ao público sobre as próximas eleições

*Por Vivian Silva

A palestra “Desafios e Perspectivas para as Eleições 2020” deve ocorrer na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Santo André (Avenida Portugal, 233, Centro), em data que será divulgada, em breve. Na ocasião, o tema será abordado pelo advogado Alexandre Luis Mendonça Rollo, especialista em direito eleitoral.

A advogada Cristiane Tomaz ressalta a importância de as pessoas participarem da palestra, para compreender as novas regras eleitorais, em 2020 | Foto: divulgação 

Aberto ao público, a proposta do evento é esclarecer os principais temas que envolvem o próximo pleito para prefeitos e vereadores, segundo a advogada e presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Santo André, Cristiane Tomaz.

Na pauta do encontro estão temas como, por exemplo, o fim das coligações proporcionais, financiamento de campanha, cota para candidaturas femininas e uso de redes sociais. “Será a primeira eleição sem as coligações proporcionais, então, como ficará esta nova configuração político-partidária, inclusive, com cláusula de barreira, justamente, por isso que é importante a participação de toda a sociedade, até para entender esta nova configuração”, ressalta Cristiane.

Além do público em geral, a palestra é voltada às pessoas que desejam se candidatar, ou apoiar algum postulante. Para o início de 2020, a presidente da Comissão de Direito Eleitoral da OAB Santo André antecipa com exclusividade ao Ponto Final, que haverá novos eventos sobre o tema com as perspectivas de promotores e juízes.

Obs.: Texto alterado em 30 de outubro, às 16h10, pois o evento foi adiado, sem data exata.

quinta-feira, 31 de janeiro de 2019

Justiça Eleitoral fará revisão do eleitorado em Ribeirão Pires

Da Redação

A Justiça Eleitoral fará revisão do eleitorado da Estância Turística de Ribeirão Pires a partir de fevereiro. O comparecimento é obrigatório e o atendimento deve ser agendado no site do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-SP). Os eleitores da Estância terão de 4 de fevereiro a 19 de dezembro deste ano para comparecerem ao Cartório Eleitoral. São elas: 183ª Zona Eleitoral (Rua Domingos Balzani, 66 – Centro) e 382ª Zona Eleitoral (Rua Ovídio Abrantes, 19 – Núcleo Colonial).

Arte: Divulgação
Lembrando que o não comparecimento implicará no cancelamento do título de eleitor. O comparecimento é obrigatório para todos aqueles que têm domicílio eleitoral em Ribeirão Pires, até a data de 23 de setembro de 2015. Para agendar o atendimento, basta acessar o site do TRE-SP, www.tre-sp.jus.br, em seguida clicar em “Serviços ao Eleitor” e, depois, em “Agendar Atendimento”.

Feito o agendamento, basta comparecer ao Cartório Eleitoral no dia indicado, portando documento de identidade e comprovante de residência (conforme listagem abaixo).

Documentos Pessoais:
- Carteira de identidade (RG);
- Carteira emitida pelos órgãos criados por Lei Federal, controladores do exercício profissional;
- Certidão de nascimento ou casamento;
- Certificado de quitação do Serviço Militar;
- Instrumento público do qual se infira, por direito, ter o eleitor idade mínima de 16 anos, e do qual constem, também, os demais elementos necessários à sua qualificação;
- Carteira Nacional de Habilitação (CNH), com exceção para os alistandos;
Documentos para comprovação de residência:
- conta de luz, água ou telefone em nome do eleitor (emitidos ou expedidos nos 3 meses anteriores ao comparecimento do eleitor ao Cartório);
- envelope de correspondência ou nota fiscal de entrega de mercadoria em nome do eleitor (emitidos ou expedidos nos 3 meses anteriores ao comparecimento do eleitor ao Cartório);
- contracheque ou cheque bancário em que conste o endereço e nome do eleitor;
- contrato de locação em nome do eleitor;
- documento expedido pelo INCRA;
- declaração do proprietário do imóvel de que o leitor ali reside em razão de locação, comodato ou outras modalidades de cessão de posse, juntamente com um dos documentos acima discriminados em nome do proprietário;
- qualquer outro documento, a critério do Juiz Eleitoral.

segunda-feira, 29 de outubro de 2018

Anistia Internacional: Bolsonaro representa risco para minorias

Da Redação

Com a eleição de Jair Bolsonaro e Hamilton Mourão como presidente e vice-presidente do Brasil, ontem (28), a Anistia Internacional divulgou um comunicado, no qual afirma que o Bolsonaro representa “um enorme risco” para minorias.

As promessas de campanha de Bolsonaro incluem a flexibilização das leis de controle de armas e autorização prévia para policiais matarem em serviço | Foto: Reprodução 
A diretora da Anistia Internacional para as Américas, Erika Guevara-Rosas, ressalta os discursos do novo presidente. “O presidente eleito fez campanha com uma agenda abertamente anti-direitos humanos e frequentemente fez declarações discriminatórias sobre diferentes grupos da sociedade.

Sua eleição como presidente do Brasil representa um enorme risco para os povos indígenas e quilombolas, comunidades rurais tradicionais, pessoas LGBTI, jovens negros, mulheres, ativistas e organizações da sociedade civil, caso sua retórica seja transformada em política pública", afirma.

Já as promessas de campanha de Bolsonaro incluem a flexibilização das leis de controle de armas e autorização prévia para policiais matarem em serviço. Essas propostas, se adotadas, agravariam o já terrível contexto de violência letal no Brasil, onde ocorrem 63 mil homicídios por ano, mais de 70% deles com armas de fogo, e onde a polícia comete cerca de 5 mil homicídios por ano, muitos dos quais são, na realidade, execuções extrajudiciais.

Além disso, Bolsonaro ameaçou os territórios de povos indígenas com a promessa de alterar os processos de demarcação de terras e autorizar grandes projetos de exploração de recursos naturais. Da mesma forma, também falou sobre flexibilizar os processos de licenciamento ambiental e criticou as agências de proteção ambiental do Brasil, colocando em risco o direito de todas as pessoas a um ambiente saudável.

"Agora, com o processo eleitoral encerrado, enfrentamos o desafio de proteger os direitos humanos de todos no Brasil. A Anistia Internacional está ao lado de movimentos sociais, ONGs, ativistas e todos aqueles que defendem os direitos humanos, a fim de garantir que o futuro do Brasil traga mais direitos e menos repressão", comenta Erika.

O Brasil tem uma das taxas de assassinatos de defensores e ativistas de direitos humanos mais altas do mundo, com dezenas de mortos todos os anos por defender os direitos que deveriam ser garantidos pelo Estado. Nesse contexto grave, as declarações do presidente eleito, sobre colocar um fim no ativismo e reprimir os movimentos sociais organizados, representam um alto risco aos direitos de liberdade de expressão e manifestação pacífica, garantidos pela legislação nacional e pelo direito internacional.

Bolsonaro e Mourão, ambos militares da reserva no Brasil, também defenderam publicamente crimes do Estado cometidos durante o antigo regime militar, incluindo a tortura. Isso aumenta a perspectiva de graves retrocessos em direitos humanos, desde o fim do regime militar e a adoção da Constituição Federal de 1988.

"As instituições públicas brasileiras devem tomar medidas firmes e decisivas para proteger os direitos humanos e todos aqueles que defendem e se mobilizam pelos direitos no país. Essas instituições têm um papel fundamental a desempenhar na proteção do estado de direito e impedir que as propostas anunciadas se materializem. A comunidade internacional permanecerá atenta para que o Estado brasileiro cumpra suas obrigações de proteger e garantir os direitos humanos", finaliza Erika.



Bolsonaro é eleito com 57,7 milhões de votos

Da Redação com ABr

Neste último domingo (28), segundo turno das eleições, Jair Bolsonaro (PSL) obteve 55,13% dos votos válidos, conquistando 57.796.986 votos. Fernando Haddad (PT) teve 44,87% dos votos, o equivalente a 47.038.963 votos.

Ao lado da esposa, Bolsonaro votou no Rio de Janeiro | Foto: Reuters/Ricardo Moraes
A presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, anunciou, por volta das 20h10, que Jair Bolsonaro estava matematicamente eleito novo presidente do Brasil. Segundo a ministra, o resultado da eleição foi definido às 19h18, com 94,44% das urnas apuradas.
A diferença entre os dois candidatos foi superior a 10,7 milhões de votos.

As abstenções somaram 21,3% (31,3 milhões de votos). Votos brancos foram 2,14% (2,4 milhões de votos) e nulos, 7,43% (8,6 milhões de votos).

Terceira menor vitória
Com esse resultado, Bolsonaro teve a terceira menor vitória no segundo turno desde a redemocratização. Ele venceu com vantagens maiores apenas que a de Fernando Collor de Mello, em 1989 (53,03%), e da reeleição de Dilma Rousseff, em 2014 (51,64%).

Em relação ao primeiro turno, o opositor Fernando Haddad (PT) cresceu mais que Bolsonaro. O petista ganhou 15.696.741 de votos do primeiro para o segundo turno, passando de 29,28% para 44,86%. Bolsonaro conquistou 8.519.962 de votos adicionais, saindo de 46,03% para 55,13%.

O índice de Haddad, entretanto, foi menor do que o de Dilma (55% em 2010 e 51% em 2014) e Lula (61% nas duas eleições de 2002 e 2005), que venceram as eleições em segundo turno. O PT perdeu cerca de 7 milhões de votos em relação à disputa do último segundo turno presidencial, em 2014.



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Santo André recebe ato cultural contra Bolsonaro

Por Vitor Lima

No próximo domingo (21), Santo André receberá o ato “Resistência ao Retrocesso”, em frente a Escola Estadual Américo Brasiliense (na Praça Quarto Centenário, no Centro), das 10h às 19h. Na ocasião, diversos artistas e grupos farão apresentações culturais gratuitas em “defesa da democracia”.
Arte: Divulgação

Um dos organizadores, Edson José da Silva, explica que a motivação para o ato é o momento político do País e as eleições do próximo dia 28. “Infelizmente caminhamos para um retrocesso inimaginável. Daí a união para contribuir de alguma forma para não eleger o candidato fascista”, comenta, em referência ao candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Na descrição do evento no Facebook (que pode ser acessado aqui), os organizadores ressaltam que o “outro lado”, representado pelo candidato do PSL, “age com violência e barbárie. Acreditamos que é necessário combater com inteligência e conhecimento”.

Até o momento, estão confirmadas 17 atrações culturais durante o ato – todos os artistas, grupos e coletivos se apresentarão de forma voluntária, em apoio às pautas do ato. Também estão programadas oficinas de arte para crianças.

“É uma satisfação imensa fazer parte desta turma, todos temos o mesmo propósito de contribuir de forma sensata para que o eleitor não eleja o  proliferador de ódio”, afirma Silva.


O novo rosto da política brasileira

Por Cícero Bezerra*

Esta eleição marcada pelas redes sociais e pela velocidade da divulgação das intenções de votos - e que em alguns casos se tornaram impossíveis de serem medidas pelos institutos - trouxe para o cenário político brasileiro 243 parlamentares que exercerão seu primeiro mandato compondo um índice acentuado de renovação.

Seguem alguns que se destacaram:

Joice Hasselmann (PSL) - Segunda candidata mais votada para a Câmara dos Deputados em São Paulo, com mais de um milhão de votos. É jornalista, tem 40 anos, se destacou no Paraná e depois mudou-se para São Paulo seguindo “debaixo do guarda-chuva” do candidato à presidência Jair Bolsonaro (PSL).
Jovem formada em Harvard teve mais de 200 mil votos em sua primeira eleição | Foto: Reprodução 
Um destaque para a jovem Tabata Amaral (PDT) - Nascida na periferia de São Paulo, formou-se em Ciências Políticas e Astrofísica na Universidade de Harvard. Lançou seu nome e foi eleita.

André Janones (Avante) - Terceiro candidato à Câmara dos Deputados mais votado por Minas Gerais, com 178,6 mil votos, o advogado, de 34 anos, ficou conhecido como voz ativa na greve dos caminhoneiros de 2018, sem, contudo, nunca ter dirigido um caminhão – assim, conclui-se que é alguém que soube aproveitar uma crise social para se promover.

Áurea Carolina (PSOL) - Com bandeiras como o combate ao racismo e em defesa dos direitos das mulheres, foi a quinta deputada mais bem votada, com 162,7 mil votos.

Helio Negão (PSL) - Uma das novidades na Câmara, o candidato mais votado pelo Rio de Janeiro é afilhado de Jair Bolsonaro, e obteve 345.234 votos. Subtenente do Exército, 49 anos, fez várias aparições ao lado do presidenciável.

Flordelis (PSD) - Outra cara nova na bancada do Rio de Janeiro na Câmara, ela é pastora evangélica e cantora gospel. Tem 55 filhos (quatro deles são biológicos) e um instituto que acolhe crianças e adolescentes de rua.

Marcel van Hattem (Novo) - Campeão de votos para a Câmara Federal no Rio Grande do Sul, aos 32 anos é um político crítico da esquerda e que se define como liberal. Aos 18, foi eleito vereador de Dois Irmãos, no Vale do Sinos.

Marlon Santos (PDT) - O médium de 43 anos tem trajetória na política, mas chega pela primeira vez ao Congresso Nacional. Ele já foi deputado estadual do Rio Grande do Sul e prefeito de Cachoeira do Sul, sua cidade natal.

Eduardo Bolsonaro (PSL) – 34 anos, filho de Jair Bolsonaro, foi o deputado federal mais votado de São Paulo e de todo o Brasil. Seu desempenho foi de 1,8 milhão de votos, o mais alto para um candidato a deputado federal na história.

Esse é o rosto plural da nossa representatividade. Cabe agora acompanhar, buscar representatividade, monitorar para que as necessidades reais dos cidadãos sejam atendidas, que leis justas sejam implementadas e que a justiça de Deus prevaleça sobre nossa terra querida e amada, o Brasil.

*Cícero Bezerra é coordenador do curso de Teologia Bíblica Interconfessional do Centro Universitário Internacional Uninter.



segunda-feira, 8 de outubro de 2018

Segundo turno das eleições será em 28 de outubro

Por Vivian Silva 

Neste último domingo (7), após apuração dos votos, a presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministra Rosa Weber, declarou que os candidatos Jair Bolsonaro, da Coligação Brasil Acima de Tudo, Deus Acima de Todos (PSL/PRTB), e Fernando Haddad, da Coligação O Povo Feliz de Novo (PT/PC do B/PROS), disputarão o segundo turno das eleições, em 28 de outubro, para definir quem será o novo presidente do Brasil.

Bolsonaro e Haddad disputam o cargo de Presidente da República | Imagens: reprodução 
O candidato Bolsonaro somou 46,03% dos votos válidos, o que corresponde a mais de 49 milhões de sufrágios, e o candidato Haddad teve 29,28% dos votos válidos, o que equivalia a mais de 31 milhões de votos. Para ter vencido no primeiro turno das eleições era necessário que um dos candidatos conseguisse 50% dos votos válidos mais um voto.

Governador 
Além do segundo turno para presidente, no Estado de São Paulo haverá também novas eleições para governador. Desta vez, a disputa fica entre o ex-prefeito de São Paulo João Doria (PSDB) e o governador Márcio França (PSB), que assumiu o posto de Geraldo Alckmin (PSDB), em abril, quando ele deixou o cargo para concorrer à Presidência da República.

Neste primeiro turno, Doria obteve 31,77% dos votos válidos, o que representa 6,4 milhões de sufrágios e França ficou com 21,53%, ou seja, 4,3 milhões de votos.

Porém, São Paulo não é o único estado que terá segundo turno para governador, a disputa continua no Amazonas, Amapá, Distrito Federal, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Pará, Rio Grande do Sul, Rondônia, Rio Grande do Norte, Sergipe, Roraima, Rio de Janeiro e Santa Catarina.

Balanço
Atualmente, há no País 147,3 milhões de eleitores aptos. Deste total, mais de 29 milhões de pessoas não compareceram às seções eleitorais, ontem (7), uma taxa de 20,33% de abstenção, o que representa um pequeno aumento em relação às eleições gerais de 2014, quando a abstenção alcançou 19,39%, segundo o TSE.

Este ano, 108,4 milhões de eleitores compareceram às urnas, o que corresponde a  79,67% do eleitorado. Vale lembrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) manteve o cancelamento de 3,3 milhões de títulos de eleitores, este ano. Com isso, estas pessoas não puderam votar, pois não realizaram o cadastramento biométrico obrigatório em várias cidades.


quinta-feira, 27 de setembro de 2018

Debate entre presidenciáveis dita o rumo da reta final da eleição; Ponto Final participa

Por Vitor Lima

Na noite de ontem (26), oito dos 13 candidatos à Presidência da República participaram do quinto debate destas eleições, promovido, conjuntamente, por SBT, Folha de S.P e UOL. Participaram os candidatos Fernando Haddad (PT), Ciro Gomes (PDT), Geraldo Alckmin (PSDB), Marina Silva (Rede), Henrique Meirelles (MDB), Guilherme Boulos (Psol), Álvaro Dias (Podemos) e Cabo Daciolo (Patriota). Ainda hospitalizado, Jair Bolsonaro (PSL), líder nas pesquisas, não participou.

O jornal Ponto Final, a convite do SBT, participou da cobertura jornalística do debate.

Oito candidatos participaram do debate, sob o comando
do jornalista Carlos Nascimento | Foto: Ricardo Stuckert
Bastidores
Cabo Daciolo foi o primeiro dos presidenciáveis a chegar na emissora, que fica em Osasco, na Grande São Paulo. O candidato não participou dos dois debates anteriores, sob alegação de estar recluso para orações ou por incompatibilidade de agendas.
Suplicy, candidato ao Senado, foi
bastante procurado; durante o debate,
Marina Silva citou seu nome para exemplificar
políticos que não se corromperam | Foto: Vitor Lima

Enquanto Daciolo participava do debate, um dos seus apoiadores fazia vigília, na porta da emissora, sozinho. Ao lado de um cartaz do candidato, o militante permaneceu, durante todo o debate, ajoelhado, com uma bíblia na mão, rezando.

As participações de Daciolo e seu perfil folclórico arrancaram risadas, por mais de um momento, dos jornalistas reunidos na emissora para cobrir o debate.

Todos os candidatos que chegavam ao local atendiam a imprensa antes de entrar no estúdio – a única exceção foi Alckmin, que atendeu apenas os jornalistas de SBT, Folha e UOL.

Entre os assessores e políticos que integravam os grupos de apoio dos candidatos, os mais assediados foram Eduardo Suplicy (PT), candidato ao Senado, e Eduardo Jorge (PV), candidato a vice-presidente na chapa de Marina. Bruno Covas (PSDB), prefeito de São Paulo, passou despercebido.

PT foi o alvo 

Com a ausência de Bolsonaro, o foco dos ataques foi Haddad, o vice-líder nas pesquisas. Dias relembrou, até as mortes de Celso Daniel, ex-prefeito de Santo André, e Toninho, ex-prefeito de Campinas, ambos do PT, para atacar o candidato.

Batalhão de jornalistas se amontanharam para conversar
 com os candidatos, do lado de fora do estúdio | Foto: Vitor Lima
Questionado por uma jornalista se em um eventual governo Ciro teria quadros do PT em seus ministérios, o candidato disse: “se puder governar sem o PT, eu prefiro”.

Marina Silva, por sua vez, tentou atrelar o governo de Michel Temer (MDB) ao partido, lembrando que Temer era companheiro na chapa de Dilma Rousseff (PT), em 2014.

Candidatos miram o centro

Alckmin e Ciro tentaram se mostrar viáveis aos eleitores que não querem que o PT volte ao governo, mas que também não simpatizam com o discurso de Bolsonaro. Ciro se saiu melhor nesta tarefa.

Corrupção também foi pauta

Escândalos de corrupção foram citados diversas vezes pelos candidatos. Na primeira pergunta do debate, por exemplo, Boulos se dirigiu a Alckmin e questionou: “cadê o dinheiro da merenda?”, em alusão ao escândalo de desvio de verbas que deveriam ser destinadas a merendas das escolas estaduais. Alckmin se esquivou e respondeu que o caso foi descoberto pelo próprio governo paulista, alegou ser ficha limpa e disse que nunca invadiu propriedades privadas, ironizando a atuação de Boulos no Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST).


terça-feira, 25 de setembro de 2018

Alckmin estará em Santo André nesta quarta-feira

Da Redação

O Calçadão da Oliveira Lima (Largo da Estátua), em Santo André, será o ponto de encontro do candidato a presidente da República, Geraldo Alckmin (PSDB), nesta quarta-feira (26), às 11h30, para compromisso de campanha.

Alckmin estará acompanhado de lideranças do ABC | Foto: reprodução 
Na ocasião, estará presente o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), além de lideranças do ABC, para apresentar à população as propostas de campanha do candidato.


Eleições: candidatos só podem ser presos em flagrante

Da Redação

Desde o último sábado (22), os candidatos às eleições de 2018 não podem ser alvos de mandados de prisão, a não ser em flagrante delito. O impedimento está garantido no Código Eleitoral Brasileiro, que veda prisões nos 15 dias antes do pleito. Eles só poderão ser presos em outras circunstâncias 48 horas, após as eleições.

O advogado Pantaleão comenta que no caso dos eleitores, prisão não pode ocorrer nos cinco dias que antecedem as eleições  | Foto: divulgação 
Quem explica a determinação é o especialista em Direito e Processo Penal, sócio da Pantaleão Sociedade de Advogados, Leonardo Pantaleão. "Se não houver flagrante, mandados de prisão preventiva e temporária não podem ser cumpridos, desde sábado, 22 de setembro", destaca o jurista.

Pantaleão aponta, ainda, que a medida para os eleitores é diferente. Nestes casos, os eleitores não podem ser presos com cinco dias de antecedência das eleições (sem flagrante) e até 48 horas pós-eleições.

Segundo o advogado, o ato de infringir esta garantia é considerado crime, também previsto no Código Eleitoral. "É claro que inúmeras são as argumentações críticas a este dispositivo e que podem fomentar diversos entendimentos", conclui o especialista.


Marinho irá adotar o “Planejamento Participativo” para definir Orçamento do Estado

Da Redação

O candidato da coligação “São Paulo do Trabalho e de Oportunidades - PT/PC do B”, Luiz Marinho, declarou nesta segunda-feira (24), em Osasco, que as prefeituras e a população irão participar da elaboração do Orçamento do Estado. Para Marinho, trata-se de “fazer o planejamento a partir da lógica de territórios regionais, fortalecendo a governança regional”. “É o Planejamento Participativo”.

Marinho explicou sua proposta ao ser questionado por um dos participantes de entrevista concedida à ConecTV, ao Diário da Região e à Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (Adjori-SP) sobre o fato de que boa parte dos impostos arrecadados não fica nos municípios, e sim vai para o Estado e União.

Candidato do PT defende a indicação das prioridades dos investimentos pelos territórios regionais, por meio dos prefeitos e moradores das cidades, juntos com o governador | Foto: Cesar Ogata/Divulgação
O candidato do PT afirmou ser importante cada região do Estado se enxergar no Orçamento. “Vamos dividir o Estado por territórios e, neles, os prefeitos poderão sinalizar quais são as prioridades nos quatro anos de mandato do nosso governo.”

Marinho explicou: “Vejam no caso da saúde. O Hospital Regional de Osasco tem 50% de sua capacidade ociosa. Portanto, fazendo o diagnóstico por região, teremos condições de saber o que está faltando e o que precisa ser implementado. Temos que partilhar a gestão”.

Para o petista, o Planejamento Participativo faz avançar a democracia participativa. Ele citou a experiência do Orçamento Participativo, que adotou em São Bernardo do Campo em suas duas gestões. Nesse modelo, a população da cidade apontava as prioridades que, em seguida, passavam a integrar o Orçamento do município.

Pedágios

Marinho voltou a falar do preço do pedágio cobrado pelas concessionárias de rodovias no Estado ao ser questionado por um dos entrevistadores sobre assunto. O candidato reafirmou sua disposição de reavaliar os contratos, independentemente do período de vencimento.

O petista disse que “é preciso rever o conceito de como fazer essas concessões”, pois o alto custo do pedágio tira a eficiência da economia paulista. “O preço dos produtos que você compra é impactado pelo exagero no preço do pedágio”, afirmou Marinho, que, depois, participou de uma caminhada na cidade de Osasco, com a presença de eleitores, militantes e simpatizantes.



segunda-feira, 24 de setembro de 2018

Kátia Abreu, vice de Ciro Gomes, estará no ABC amanhã

Por Vitor Lima

A senadora Kátia Abreu (PDT), candidata a vice-presidente na chapa de Ciro Gomes (PDT), cumprirá agendas políticas pelo ABC nesta terça-feira (25). Pela manhã, Kátia atenderá a imprensa regional, em São Caetano do Sul. Depois, a candidata tem compromissos eleitorais programados em Santo André e Mauá.

Candidata a vice-presidente já foi ministra da Agricultura | Foto: Antônio Cruz/AgBr
Kátia foi ministra da Agricultura durante o governo de Dilma Rousseuff. Na época, ainda filiada ao MDB, a ministra ganhou notoriedade por ser uma das correligionárias que mais defenderam Dilma durante o processo de impeachment.

Após o impeachment ser concretizado, Kátia foi expulsa do MDB, partido do presidente Michel Temer, por sua postura crítica a medidas propostas pelo novo governo, como a reforma trabalhista e previdenciária.

Parte dos apoiadores de Ciro, especialmente aqueles ligados à movimentos de esquerda, criticaram a escolha de Kátia para compor a chapa majoritária do PDT. O apoio de Kátia ao agronegócio é o principal motivo de reprovação.




quinta-feira, 20 de setembro de 2018

Candidatos da chapa de Márcio França fazem campanha em Santo André

Da Redação

Na manhã de ontem (19), a Rua Coronel Oliveira Lima, em Santo André, recebeu a caminhada de apoiadores do candidato ao governo de São Paulo, Márcio França (PSB). Participaram do ato a candidata a deputada federal, Cirlene Rabecchini (PSB), o candidato a deputado estadual, Aidan Ravin (Podemos), a candidata ao Senado, Maurren Maggi (PSB) e a Cel. Eliane Nikoluk (PR), candidata a vice-governadora na chapa de França. | Foto: Divulgação


quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Em Santo André, Maurici defende políticas metropolitanas e nega atrito com candidatura local

Por Vitor Lima 

Mario Maurici Morais, 57 anos, é candidato a deputado estadual. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), desde a década de 1980, Maurici é formado em Jornalismo e, em 1992, foi eleito prefeito de Franco da Rocha, cargo que ocupou até 1996 – antes, havia sido vereador no município.

Após a experiência no Executivo da cidade, Maurici foi convidado pelo então prefeito de Santo André, Celso Daniel, a compor o primeiro escalão de seu governo, como secretário de Comunicação, na gestão 2000-2004. Foi a partir daí que o postulante à Assembleia Legislativa se tornou conhecido da população do ABC.

Em 2002, em meio ao traumático sequestro e posterior assassinato de Celso, Maurici foi realocado na Secretaria de Governo. No exercício da função, o petista tornou-se o homem forte do novo prefeito, João Avamileno, que foi reeleito, em 2004, e cumpriu mandato até 2008.

Maurici já foi prefeito de Franco da Rocha e homem forte
de gestões petistas em Santo André; neste pleito, tentará
se eleger deputados estadual | Foto: Divulgação

Contudo, no fim da gestão de Avamileno, Maurici já não fazia parte do governo. Após conturbadas prévias no PT, para definir o nome que sucederia Avamileno nas urnas – na qual Vanderlei Siraque foi escolhido em detrimento a Ivete Garcia, esposa de Maurici – o hoje candidato e outros secretários deixaram o governo.

Após aproximadamente dez anos com moradia em Santo André, Maurici voltou a residir em Franco da Rocha. Seu filho, Kiko Celeguim (PT), é o atual prefeito da cidade, em segundo mandato.

Ontem (18), Maurici esteve em Santo André, onde passou todo o dia para cumprir compromissos de campanha. Pelo ABC, Maurici tem dobradas consolidas com Eduardo Leite, Ana do Carmo e Vicentinho, todos do PT.

A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), de Santo André, que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici e deixaram o grupo de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito. “Eu não quero tirar votos dele (Turco), quero tirar votos da direita”, minimiza o candidato em entrevista ao Ponto Final, sobre suposto mal-estar criado por suas agendas políticas na cidade.

Durante o bate-papo, Maurici explicou as motivações de sua candidatura, defendeu a formulação de políticas públicas metropolitanas, o diálogo entre municípios e diz querer contribuir com o processo de reorganização do PT de Santo André. Confira os principais pontos da entrevista:

Ponto Final (PF): O que te motivou a buscar um cargo público novamente?

Mario Maurici (MM): Vou tentar resumir em três questões. Primeiro, a situação do País. A sensação que eu tenho é nós estamos retomando a agenda de antes dos governos do presidente Lula e da presidente Dilma. Agravada pelo fato de que nós estamos vivendo hoje um outro momento do capitalismo mundial. Momento em que os empregos cada vez mais de forma acelerada estão desaparecendo, inclusive algumas profissões. Essa nova agenda pede que quem acumulou mais experiência, quem tem compromissos mais firmes com a população mais pobre deste País, atue.

Outra razão é a própria situação vivida pelo PT. E não é só o desgaste que se manifestou de forma muito expressiva nas eleições de 2016. Nem o Brasil, nem os próprios quadros políticos do PT são os mesmos de 30 anos atrás, estamos num momento de transição geracional. Contribuir com esse processo também me atrai bastante.

E a terceira razão, é que eu acho que tem um aspecto que a cada dia se torna mais importante e que não está na agenda do Estado, não está na agenda dos políticos, que é a questão da metropolização do País. Você tem hoje um processo contínuo e avançado de metropolização e você não tem instâncias nem de governança, nem de formulação de políticas públicas de âmbito metropolitano. Os municípios têm se mostrado numa estrutura insuficiente para determinadas políticas, por exemplo, de mobilidade, saneamento integrado, destinação de resíduos sólidos, drenagem urbana. Os municípios têm se mostrado insuficientes para isso, porque essas questões não respeitam limite geográficos. E o Estado vê isso de uma forma muito distanciada.

PF: Eleito, como o senhor pretende trabalhar nisto?

MM: Trabalhar no debate junto à sociedade para acordar, despertar para esse tema. Junto as prefeituras para estimular a organização de consórcios, associação de municípios e agências de desenvolvimento regional.

PF: Aqui no ABC, o senhor deve ter acompanhado, Diadema saiu do Consórcio Intermunicipal e outras cidades estão se articulando para isso. O que a gente vê aqui, na verdade, é o enfraquecimento dessa postura que o senhor prega. O senhor, caso eleito, trabalhará para unir os municípios? 

MM: Eu tenho a sensação de que essa visão aqui no ABC é uma visão muito tacanha de achar que a discussão da regionalidade é uma discussão do PT, de governos petistas. Alguns gestores saem, mas com que compromisso, qual o propósito? Qual o argumento? É não ter mais uma discussão de planejamento regional?

PF: Eles argumentam que o Consórcio traz poucos resultados concretos para as cidades. O argumento é de que o órgão "pensa" muito e executa pouco. 

MM: Trazer pouco resultado é falta de empenho. Tem muita coisa que avançou aqui no ABC em função dessa discussão regional. A minha sensação é que alguns gestores municipais do ABC entendem que fortalecer o Consórcio é fortalecer uma visão mais ligada ao PT da sociedade. É uma represália e dane-se a população, os objetivos da coletividade.

PF: Uma das funções importantes dos parlamentares é o envio de verbas, especialmente agora, momento em que os municípios estão em situação financeiras delicadas. Aqui no ABC, algumas entidades se uniram e criaram a campanha "Quem é do ABC, vota no ABC", para que aumente o número de representantes daqui e o envio de verbas seja maior. O seu maior reduto eleitoral é Franco da Rocha e região. Caso eleito, o senhor vai se comprometer em enviar verbas para cá? Como funcionará essa questão da distribuição de verbas?

MM: Muito da minha formação eu devo a Santo André. Eu vivi 10 anos da minha vida aqui. Fiquei 7, 8, quase 9 anos na Prefeitura Municipal de Santo André. Tenho relação aqui com pessoas, tenho referências culturais, políticas, de amizade aqui na região.

Agora, mandar recursos de emenda é uma questão menor. Vamos mandar? Vamos, mas é uma questão menor. A questão maior é interferir na direção do governo do Estado para que ele olhe para a região do ABC com os olhos de quem precisa revigorar essa região.

Maurici cumpriu agendas de campanha durante todo o dia em Santo André | Foto: Reprodução
PF: Na sua opinião, quais as maiores demandas do ABC?

MM: É preciso encontrar um novo caminho de desenvolvimento. Nós já estamos entrando na quarta revolução industrial. A região do ABC é uma região de ponta neste aspecto no Brasil e ela precisa, de novo, continuar na ponta.

PF: O senhor tentaria impulsionar o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia?

MM: Exatamente. Em especial Santo André que deve a sua industrialização a fase inclusive anterior, porque São Bernardo vem com a indústria automobilística e, em Santo André, a matriz é anterior, com fertilizantes, com química. Muita coisa mudou na estruturação produtiva destes setores. Agora, você tem aqui uma mão-de-obra altamente especializada, a presença de universidades. Aliás, a própria Universidade Federal do ABC (UFABC), claro que foi criada pelo presidente Lula, mas foi um sonho acalentado e desenvolvido no conceito de regionalidade. Então nós temos aqui uma série de recursos que precisam ser aproveitados. É aqui que nós temos as melhores condições de educação, de formação, para entrar nesta quarta revolução industrial.

PF: Vamos falar de política. O senhor era muito ativo em Santo André na época dos governos do Celso Daniel e do João Avamileno. O último governo petista aqui, do Carlos Grana, teve uma derrota histórica, a maior derrota da história do partido na cidade. O prefeito eleito, Paulo Serra, obteve 80% dos votos. Eu sei que senhor não estava na cidade no período, mas com certeza acompanhou o que aconteceu. Na sua opinião, o que deu errado na gestão do PT para ter uma derrota tão significativa?

MM: Você reparou em como você formulou a pergunta? Houve uma derrota do PT e que 80% dos votos foram para o Paulinho. Quem perdeu foi o partido, mas quem ganhou foi a pessoa, o Paulinho. É um cacoete que nós todos temos ao discutir o PT. Eu diria o seguinte: a bancada do PT na Câmara Municipal não diminuiu, continuou com cinco vereadores. Por que a gente atribui a derrota ao PT local e não ao quadro nacional que a gente viveu? O PT continua vivo com o mesmo nível de representação. Perdeu o governo, é verdade. Agora, nós perdemos em todos os lugares, com exceção de um, Franco da Rocha. Eu acho que a situação de fragilidade que o PT viveu naquele momento, da qual ele já está se recuperando, foi o que se abateu sobre Santo André.

PF: O senhor tem um grupo de apoiadores em Santo André que na outra eleição apoiaram o deputado Luiz Turco e seria natural que eles continuassem com ele, que tenta a reeleição, até pelo fato dele ser da cidade. Mas alguns militantes foram para o seu lado, e não há nada de errado nisso. Mas houve uma conversa, antes da eleição, para que o senhor não viesse, entre aspas, tirar votos do Turco em Santo André? 

MM: Olha, eu tenho uma excelente relação com o Turco. E eu não quero tirar votos dele, quero tirar votos da direita.

PF: Mas o fato do grupo dele ter sido desfalcado com apoios ao senhor e o fato do senhor vir para cá, fazer campanha em Santo André, não prejudica a candidatura dele, mesmo que indiretamente?

MM: Veja só: na eleição passada, praticamente todo o PT de Santo André, apoiou o Luiz Turco. Era impossível ter uma outra candidatura. Naquele momento a gente tinha o governo, era importante para o governo ter uma candidatura muito ligada a ele, tinha toda uma razão nesse sentido, e hoje eu não sei se há.

Minha ideia é contribuir com o PT de Santo André. Não é um momento fácil. O momento que sucede uma derrota eleitoral é sempre um momento difícil, de rearticulação, de reorganização, e eu quero contribuir com este processo. Eu não acho, honestamente, que eu vá tirar votos do Luiz Turco.

PF: Perguntei isso porque na década passada, e o senhor viveu muito intensamente isso, o PT teve uma grande crise na cidade, uma grande fragmentação, que deixou cicatrizes até hoje. Vanderlei Siraque, que era um quadro importante na cidade, mudou de partido. Não há um risco de fragmentar novamente o partido, de fato que ele chegue na próxima eleição mais fraco? 

MM: Essa fragmentação que você fala, não foi exatamente uma fragmentação. Foi uma disputa interna que resultou numa divisão e nós perdemos a eleição, mas rapidamente no momento seguinte nós retomamos o governo com o Grana. São coisas da política.

Com relação a essa história de ser ou não daqui, eu acho que é uma maneira muito complicada de ver isso. Não é por aí que você mede o compromisso dos mandatos com as regiões. Eu, por exemplo, quando assumi a Secretaria de Governo, em 2002, uma semana antes do assassinato do prefeito Celso Daniel, assumi com responsabilidade de ajudar o então vice-prefeito João Avamileno a manter o grupo reunido pelo prefeito Celso Daniel junto e levar o programa de governo adiante. E, além disso, ainda responder a suspeitas sobre a morte do Celso e a maneira de como se geria a Prefeitura.

Naquele momento ninguém reclamou que eu não era daqui. O que que eu preciso fazer para ser daqui? Qual é o problema? Você vive dez anos aqui, constrói política aqui, ajuda na gestão, mantém relações locais... qual é o problema? Para mim isso não é determinante. Pode ser determinante numa região como a de Franco da Rocha, que nunca elegeu um deputado, que nunca teve uma representação. Aquela é uma região sub-representada, mas não é o caso do ABC.

PF: Sobre o cenário nacional, como o senhor avalia a estratégia do PT de levar a candidatura do Lula até a última possibilidade?

MM: Ontem saiu a pesquisa (de intenção de votos) e o processo de transferência de intenção de votos do presidente Lula segue firme em direção ao Haddad. Já dá para imaginar, se nada de muito absurdo acontecer nos próximos 20 dias, o segundo turno será entre o candidato do PSL (Jair Bolsonaro) e o Fernando Haddad.

PF: E o senhor avalia que o PT sairá vencedor? 

MM: Acho que sim, mas não acho que haverá uma agenda fácil para depois das eleições. Eu acho que só vale a pena voltar a governar no País se for para aprofundar a radicalização de algumas coisas. Vou te dar um exemplo. A reforma do sistema eleitoral. O nosso sistema eleitoral é que promove essa coisa de caixa 2, de venda de votos e de apoio, essa corrupção que está posta. Não está posta nos últimos 10, 20 anos. Está posta desde sempre. Se nós, PT, erramos, erramos em não denunciar esse modelo, em não brigar para mudar esse modelo. E nós precisamos fazer isso agora. Não dá para manter do jeito que está.

PF: Mas o PT não denunciou porque era beneficiado também. 

MM: Passou a se beneficiar. Pois é... tinha uma opção a ser feita: denuncia ou se beneficia. Acho que fizemos a segunda opção. Errada, incorreta. Temos que rever isto. E como é que nós vamos fazer isso? Acho que vamos ter que usar os mecanismos de democracia direta, referendo, plebiscito.


sexta-feira, 24 de agosto de 2018

Candidato ao governo de São Paulo do PDT cumpre agenda no ABC

Da Redação

O candidato a governador do Estado de São Paulo Marcelo Cândido (PDT) cumprirá agenda em São Caetano do Sul no próximo domingo (26). Ao lado de Antônio Neto, candidato ao Senado, Tabata Amaral, candidata a deputada federal e Gabriel Cassiano, candidato a deputado estadual (todos do PDT), Cândido se reunirá com eleitores no Espaço Kari Oka (rua São Francisco, nº 626, Centro, São Caetano do Sul), às 17h, para dialogar sobre os problemas do Estado e da região.

Arte: Divulgação
A comitiva dos candidatos aproveitará a visita à cidade para prestigiar a 10ª edição da Feira de Cultura Indígena, no Parque Chico Mendes, e a 26ª Festa Italiana, no bairro Fundação. No evento do Parque, o objetivo é ouvir as demandas dos indígenas que vivem no contexto urbano; na visita à Festa Italiana, estão previstos diálogos com os munícipes.


sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Marinho cumpre agenda no ABC e critica gestões do PSDB

Por Vitor Lima

O candidato ao governo do Estado de São Paulo, Luiz Marinho (PT), cumpriu diversas agendas no ABC nesta terça-feira (14). Nas atividades, o petista criticou as gestões tucanas no governo do Estado nos últimos 24 anos, lembrou a falta de compromisso com o ABC e ressaltou iniciativas que nunca saíram do papel, como o chamado “Metrô do ABC”.

Militância petista se reuniu no Sindicato dos Rodoviários no fim do dia | Foto: Divulgação
Marinho iniciou as atividades cedo: participou de duas assembleias em empresas químicas em São Bernardo do Campo e terminou a manhã em reunião com empresários da região na sede da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa). Pela tarde, o candidato realizou caminhadas pela Vila Luzita e atendeu diversos veículos de comunicação regionais – entre eles, o Ponto Final. As agendas foram encerradas no Sindicato dos Rodoviários, em Santo André, em plenária que reuniu a militância e diversas lideranças petistas da região.

“Qual planejamento o governo do Estado tem para o ABC? Do ponto de vista de mobilidade, propostas ao vento, promessas vazias, como a do monotrilho. Promessas de 20 anos de modernização dos trens, das estações. A Avenida dos Estados, se tivesse sido modernizada e tivesse melhores condições, poderia induzir o processo de desenvolvimento do eixo do Tamanduateí, que era o sonho do Celso Daniel. O Estado pode, se planejado, ajudar o desenvolvimento da região do ABC”, afirma.

A respeito de sua candidatura, que ainda não emplacou, conforme apontam as pesquisas eleitorais, Marinho projeta que este quadro mudará conforme a campanha avance. “Nós temos que fazer o nosso papel como fizemos em 2008 (ocasião em que Marinho foi eleito prefeito de São Bernardo do Campo). A construção da campanha com a militância, no Estado inteiro, é o que levará ao crescimento da nossa campanha, gradativamente”, almeja.

Sobre o cenário eleitoral, o candidato reafirmou que o PT levará a candidatura de Lula até as últimas consequências. “Temos a certeza do seu direito jurídico e político de ser candidato. Vamos brigar até as últimas possibilidades de recursos. Espero que as cortes superiores ajam com o rigor da lei, da constituição e da jurisprudência. Se seguir o rigor da lei, da constituição e da jurisprudência, o Lula terá a homologação da sua candidatura”.



Em Brasília, Eduardo Leite brigará para revogar medidas de Temer

Por Vitor Lima

Eduardo Leite (PT) cumpre seu segundo mandato como vereador por Santo André, e tenta alçar voos mais altos. Em outubro, tentará se eleger deputado federal. Advogado de formação, Leite esteve ligado à política desde muito cedo: seu pai, Antônio Leite, também foi vereador em Santo André e foi secretário da Prefeitura da cidade.

Vereador de Santo André é candidato
 a deputado federal | Foto: Divulgação 
Na conversa com a reportagem do Ponto Final, o candidato afirmou que na Câmara Federal lutará pela revogação da reforma trabalhista implantada pelo atual governo federal. “Penso que o fortalecimento das indústrias e dos empregos não passa por essa reforma. Ela tem um impacto inverso ao que foi divulgado na época por quem defendeu a aprovação”, avalia.

Um dos objetivos de Leite, em Brasília, será reformular o sistema tributário. Esta sim, na visão dele, uma reforma necessária. “Nós assistimos muitas multinacionais que têm uma tributação muito branda em relação ao seu lucro, diferente do que acontece com o trabalhador”, protesta.

Também estão na lista de prioridades do petista o envio de recursos ao ABC, para que a região melhore o atendimento da Saúde pública e aumente o número de vagas em creches. Na avaliação dele, a população sofre muito com a chamada “PEC do teto”, que limita os investimentos públicos na Saúde e em diversas áreas. “Nós precisamos revogar a emenda constitucional que limita os investimentos. Ela está matando o povo brasileiro”.

Ponto Final (PF): Quais áreas serão priorizadas em um possível mandato? 
Eduardo Leite (EL): Nós precisamos pensar em projetos e ações, que fortaleçam o ABC e favoreçam o desenvolvimento regional. É preciso atrair recursos para a nossa região, para podermos investir mais na Saúde pública, no ensino infantil, especialmente no aumento de vagas em creches na região, e um deputado federal tem condições de destinar emendas parlamentares para isso. Vou focar nessas duas áreas.

E nós precisamos revogar essa reforma trabalhista que foi aprovada na Câmara dos deputados e que vem gerando uma precarização dos empregos, das relações de trabalho, aumentando o desemprego, diminuindo a renda e isso tem um impacto direto no nosso mercado consumidor.

Eu penso que a forma de fortalecimento das indústrias e dos empregos na região não passa por essa reforma. Ela tem um impacto inverso ao que foi divulgado na época, por quem defendeu a aprovação. O que precisa ser feito é uma reforma tributária. É necessário diminuir a tributação da produção. A tributação precisa ser majoritariamente sobre a renda, não sobre a produção e o consumo.

Uma das prioridades é uma reforma tributária que não sacrifique tanto os pequenos e médios comerciantes, empresários, prestadores de serviços, como hoje acontece no Brasil. E que não penalize tanto os trabalhadores que têm o seu salário considerado renda para efeito de tributação. Nós assistimos muitas empresas, no caso de grandes multinacionais, que têm uma tributação muito branda em relação ao seu lucro, diferente do que acontece com o trabalhador.

PF: Mas isso passa inevitavelmente por uma iniciativa do Executivo. 
EL: Mas tem que haver uma pressão para que o Executivo promova essas mudanças. Sem dúvidas, são iniciativas do Executivo, mas que exigem uma pressão social para que o Executivo tome iniciativa de encaminhar e pautar este tema. Essa pressão eu pretendo fazer.

Nós precisamos, também, ter uma política diferente do que vem acontecendo em relação ao consumo de drogas no nosso País. O consumo de drogas vem aumentando a cada ano. O poder de quem está envolvido na rede de comércio só aumenta e, hoje, o que nós assistimos é o encarceramento de muitos dependentes químicos. Não os traficantes. São jovens que vendem a droga para sustentar o vício. Existe pouca ação do Poder Público, de uma maneira geral, na prevenção ao consumo de drogas. Pouca informação nas escolas, poucas campanhas publicitárias focando na prevenção ao consumo de drogas e isso é um tema que o governo federal precisa olhar com cuidado.

A saúde mental é tratada de forma paliativa pelos governos, mas principalmente o governo central, e nós sabemos que a depressão e outros problemas que envolvem a saúde mental são caminhos para que as pessoas se tornem dependentes químicas.

PF: E como o senhor pretende atuar na Câmara para resolver essas demandas?
EL: Com projetos de lei e fomentos ao debate. Eu quero ser um deputado federal, que defenda o ABC no Congresso e que, além de defender a região do ABC, defenda principalmente os trabalhadores e os pequenos comerciantes, que são quem hoje sofrem mais com a carga tributária e com os impactos negativos da crise econômica, que o País está atravessando.

Eduardo Leite (direita) apoia Luiz Marinho (PT)
na disputa do governo estadual | Foto: Divulgação
PF: Na sua opinião, quais as principais demandas do ABC e como senhor pretende ajudar a região para solucioná-las? 
EL: Uma demanda urgente diz respeito à mobilidade urbana, que aqui no ABC é um problema seríssimo. Eu, como deputado federal, posso ajudar a fazer pressão, a pautar alguns debates na Câmara e até mesmo em outros entes da federação, como o governo do estado, que há muitos anos vem prometendo, a cada eleição, trazer o metrô para o ABC e a cada eleição que passa os governadores tucanos esquecem com seus compromissos com a região e não executam a promessa. Não é uma proposta de trazer metrô, porque isso não é uma competência do deputado federal. Mas acho que é uma bandeira, que todos os parlamentares da região devem assumir para si e se unirem para que se concretize, porque é vital para que o nosso desenvolvimento.

Outra questão importante é a Saúde pública. Nós temos em Santo André dois hospitais estaduais, o Mário Covas e o AME que executam pouquíssimas cirurgias de próteses de quadril, cirurgias mais complexas. Não sei dizer exatamente, mas outro dia entrei no site do hospital e têm muitas cirurgias estéticas, por incrível que pareça, têm várias cirurgias de pequeno porte que poderiam ser feitas no próprio Hospital Municipal e são feitas lá, porque têm um custo menor. E aquelas que o Estado é responsável, que são as complexas, acabam não acontecendo. O mesmo acontece com o município. Tem uma fila de espera muito grande por cirurgias, parte disso é falta de recurso público do governo federal. Ele (governo federal) vem, ano a ano, depois do golpe contra a presidenta Dilma, reduzindo os recursos na Saúde para Santo André.

Nós precisamos revogar a emenda constitucional que limita os gastos, dos municípios, dos estados e da união. Essa emenda precisa ser revogada, porque ela está matando o povo brasileiro nos hospitais. Essa emenda constitucional que congelou por 20 anos os gastos em Saúde está matando os brasileiros, porque o desemprego está fazendo com que mais pessoas procurem o Sistema Único de Saúde (SUS) e ao mesmo tempo o poder público está impedido de aumentar os investimentos. Porque o governo federal resolveu que a saída para a crise econômica, que o País enfrenta, deve penalizar os mais pobres e garantir que o dinheiro público continue engordando os banqueiros e grandes empresários brasileiros, que não estão passando necessidade, como estão passando milhões e milhões pelas ruas do Brasil.

PF: O senhor está no segundo mandato como vereador. No primeiro, o senhor era da situação, com o governo do PT, e agora faz parte da oposição. Como o senhor avalia este segundo mandato e a atuação da oposição na Câmara andreense? 
EL: A oposição aqui em Santo André tem agido de forma muito responsável. Diferente da forma irresponsável e antiética que o senador Aécio Neves, derrotado nas eleições de 2014, promoveu no País, de inviabilizar o governo Dilma até que ela fosse derrubada. Nós não estamos agindo dessa forma, porque nós estamos pensando na cidade. Algumas ações do Executivo que são, ao nosso ponto de vista, importantes para a cidade, não temos nenhum problema em manifestar apoio. Agora, ações negativas, como o fim do Orçamento Participativo, como o fechamento repentino de unidades de saúde, que foram adotadas no início do ano passado, como a forma que a Prefeitura lidou com o reajuste do IPTU, nós não concordamos e fizemos a crítica na hora certa. Votamos contra, nos dois casos. E estamos firmes nessa linha de oposição com responsabilidade.

PF: Não faltou um pouco mais de combatividade da oposição em alguns casos? Por exemplo, na questão do IPTU: foi aprovado rapidamente na Câmara e a própria Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que depois foi contestar este aumento foi iniciativa da base governista. Não faltou um pouco mais de atitude da oposição? 
EL: Depois de aprovada a lei, qual o sentido de uma CPI? A CPI existe para investigar crime. Não houve nenhum crime na aprovação da lei. Houve uma inabilidade política. Inabilidade política não é crime. Ela é cobrada no momento oportuno, nas eleições. Qualquer político que aja dessa forma paga o preço, geralmente, nas urnas. Agora, não é crime. Nós chegamos a discutir essa possibilidade, mas chegamos a essa conclusão na época. Foi uma decisão política, do ponto de vista legal poderia ter sido tomada. Nós nos posicionamos contrários e não fazia sentido, ao nosso entendimento, uma Comissão Parlamentar de Inquérito, tanto que os próprios vereadores que propuseram a CPI depois retiraram o pedido, porque entenderam que não havia crime para ser investigado.

PF: Seu objetivo é ser prefeito de Santo André? 
EL: Nesse momento meu objetivo é me eleger deputado federal e contribuir para que nossa cidade e a região do ABC volte a se desenvolver. Passado esse momento, eu vou me reunir com meu partido e juntamente com outras lideranças definir o rumo que nós vamos seguir.



quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Ailton Lima defende regionalidade e desenvolvimento econômico

Por Vitor Lima

Nas eleições deste ano, abrigado pelo PSD, Ailton Lima, 53 anos, participará de sua sexta corrida eleitoral. Pernambucano de Manarí, Lima vive em Santo André há décadas e tentará uma vaga na Câmara Federal.

Concorreu a vereador em três ocasiões e saiu vitorioso em duas delas (2008 e 2012, com 4,1 e 5,7 mil votos, respectivamente). Em 2014 tentou ser deputado federal, mas não obteve êxito.

Em sua última disputa eleitoral, em 2016, tentou ser prefeito de Santo André. Tido como azarão no início do certame, Lima não venceu as eleições, mas saiu fortalecido do pleito: angariou quase 50 mil sufrágios.

Lima é candidato a deputado
federal pelo PSD  | Foto: Ricardo Trida/PSA
No segundo turno, apoiou o candidato eleito, Paulo Serra (PSDB). A aliança resultou na indicação de seu nome para ser o secretário de Desenvolvimento Econômico do município, cargo que deixou no início deste ano para figurar nas urnas em outubro.

A reportagem do Ponto Final conversou com o candidato na última quinta-feira (26), durante o anúncio oficial da reabertura do Moinho Santo André, agora administrado por um grupo argentino (mais detalhes aqui). Embora não faça mais parte do governo, Lima foi convidado para a solenidade por ter feito parte da equipe que ajudou nas articulações para a reabertura do local.

Lima garantiu que, independente do resultado de outubro, não concorrerá à Prefeitura da cidade em 2020. Revelou que nutre um sentimento de “gratidão” pelo prefeito. Embora existam outros candidatos do bloco governista, a expectativa é de que Serra também peça votos para Lima.

Durante o bate-papo, o candidato revelou que, caso eleito, destinará todas suas emendas parlamentares ao ABC e que trabalhará para o desenvolvimento econômico das sete cidades.

Ponto Final (PF): Caso os eleitores escolham o senhor como um dos representantes na Câmara Federal, haverá alguma área que o senhor priorizará? 

Ailton Lima (AL): Eu tenho certeza de que um mandato nosso será voltado, principalmente, à regionalidade e a retomada do desenvolvimento econômico. Hoje foi um dia simbólico, você viu a direção do Moinho agradecendo reiteradas vezes toda a equipe do prefeito Paulo Serra e na realidade foi a equipe que nós montamos na Secretaria de Desenvolvimento. Criamos um acolhimento às pessoas que geram fomento e desenvolvimento econômico.

São por volta de R$ 14 milhões que um deputado federal tem direito em emendas diretas. No governo do Estado tem um complemento também. Só de emendas, um deputado bem relacionado consegue por volta de R$ 20 milhões de emendas ao ano, são R$ 80 milhões em um mandato. Isso é dinheiro que certamente virá aqui para a nossa região.

Nós temos uma região autossuficiente, inclusive para nos eleger. O ABC é muito forte conjuntamente, são mais de 2,5 milhões pessoas e um colégio eleitoral absurdo. Então, basicamente, você fica aqui dentro, faz a campanha aqui e fica devendo seu mandato à região. Será um mandato com forte vínculo à região.

A gente não vê um deputado lá em Brasília, infelizmente, nos últimos 10, 15, quase 20 anos, que tenha a imagem dele voltada ao compromisso com nossa região, principalmente com a questão do desenvolvimento econômico. Em pouco tempo nosso mandato, em caso de vitória, será reconhecido como alguém em Brasília trabalhando para o Grande ABC.

PF: De fato, o número de eleitores da região é alto, mas o número de candidatos também é elevado. Existem outras candidaturas postas à Câmara Federal, inclusive de Santo André, como é o caso do vereador Eduardo Leite (PT), por exemplo. Há espaço para todos?

AL: Há espaço, sim. Só Santo André, ao meu ver, consegue eleger quatro deputados federais, mais quatro estaduais. Se a cidade tiver esse sentimento, e aí cabe a quem está na disputa fazer esse sentimento acontecer, nós temos por volta de 400 mil votos válidos. Um deputado se elege tranquilamente com 100 mil votos, há alguns partidos em que não precisa nem de tantos votos assim.

Nós tivemos um evento essa semana, e quero parabenizar a Acisa (Associação Comercial e Industrial de Santo André), a Octopus e todas as entidades que estão promovendo isso, onde a gente viu um colégio eleitoral que já teve quatro deputados federais encolheu para dois, já tivemos nove deputados estaduais e hoje encolheu para sete (mais detalhes aqui: Entidades lançam campanha para incentivar votos em políticos do ABC). Na minha opinião, o Grande ABC poderia ter 20 deputados com facilidade, porque nós temos cociente eleitoral para isso.

PF: O senhor esteve por um ano e dois meses no comando da Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Santo André. Como o senhor avalia sua atuação na Pasta e qual legado o senhor deixou para a cidade? 

AL: Nós tivemos uma mostra disso aqui. A retomada deste moinho se deve exatamente pela filosofia que o prefeito Paulo Serra nos pediu, coincidentemente era tudo o que eu havia pregado também enquanto candidato à prefeito. Retomada de desenvolvimento econômico criando um clima acolhedor e a equipe que nós montamos na Secretaria entendeu isso perfeitamente. Todos os números nossos foram muito bons, inclusive refletiu até no Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do Ministério do Trabalho). Santo André foi a cidade do Grande ABC que mais gerou empregos. Nós geramos mais do que demitimos. Isso foi um legado que nós deixamos lá na Secretaria.

PF: Qual o maior desafio desta eleição: vencer os concorrentes ou o movimento do não voto?

AL: A gente sempre teve nas nossas campanhas a preocupação com o nosso eleitor, é isso que mostra o nosso sucesso. Na primeira eleição foram 2 mil votos e na última 50 mil. Houve um crescimento sempre constante, porque eu nunca me preocupei nem com os concorrentes nem com um clima adverso, porque eu tenho serviço para mostrar, eu tenho vida pública que mostra uma aprovação.

Como candidato a prefeito,
Lima obteve 50 mil votos | Foto: Ricardo Trida/PSA
Evidentemente que nós temos nesse ano um clima da sociedade com bastante intenção de não votar, mas eu acho que quando começa a campanha esse sentimento diminui bastante porque o bom eleitor, esse que neste momento não está querendo votar, ele é responsável. E ele sabe que quando ele deixa de participar alguém vai escolher por ele e quando alguém escolhe pela gente, a escolha geralmente desagrada. Então eu acho que quando começar a campanha nas ruas, no tempo normal, este eleitor que hoje está com falta de apetite para votar vai ser imbuído da responsabilidade, ele sabe que para melhorar ele vai continuar tendo que participar do processo de escolha.

PF: As novas regras eleitorais e a campanha mais curta não prejudicam todo este processo que o senhor está projetando?

AL: A pré-campanha permite você trabalhar bastante. Então o candidato que está ali aguardando sair o número para fazer seu nome conhecido, este candidato corre um sério risco de não se tornar conhecido a tempo. No nosso caso, a gente já vem numa boa sequência de exposição pública com essas disputas que nós fizemos. Foram três disputas para Câmara Municipal, uma para a Prefeitura e uma para a Câmara Federal. Isso tudo já deixou o nosso nome bem visto. Então esses 45 dias eu vejo que eles são para você fazer a parte legal e o seu número chegar até as pessoas. Mas o trabalho já está feito.

PF: No início da nossa conversa o senhor citou a questão da regionalidade. Diadema deixou o Consórcio Intermunicipal e outras cidades ameaçaram fazer o mesmo. Como o senhor vê a atuação do órgão?

AL: Eu vejo que o Consórcio passou por alguma dificuldade de relacionamento que eu entendo que o prefeito Orlando Morando (também presidente do Consórcio) vai conseguir equalizar. O Consórcio é importante, ele precisa ser fortalecido, defendido. E o que acontece ali, pelo menos que a gente percebeu, são momentos de relacionamento. A vida relacional não é fácil.

Assumiram todos prefeitos novos, a maioria deles, cada um com seus desafios nas suas cidades. Todas as cidades quase sem exceção passando por muitas dificuldades financeiras e às vezes você tem que administrar sua cidade e tem que vir para uma outra entidade, dependendo de como você saiu da sua cidade, das reuniões que você teve, você pode chegar ali um pouco agitado. A gente percebeu que nesse ano que passou a relação foi acima da temperatura. Mas eu entendo que Orlando Morando está fazendo uma boa gestão lá em São Bernardo e conforme a situação das cidades fiquem mais controladas, isso vai refletir em uma boa unidade no Consórcio.