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quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Em Santo André, Maurici defende políticas metropolitanas e nega atrito com candidatura local

Por Vitor Lima 

Mario Maurici Morais, 57 anos, é candidato a deputado estadual. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), desde a década de 1980, Maurici é formado em Jornalismo e, em 1992, foi eleito prefeito de Franco da Rocha, cargo que ocupou até 1996 – antes, havia sido vereador no município.

Após a experiência no Executivo da cidade, Maurici foi convidado pelo então prefeito de Santo André, Celso Daniel, a compor o primeiro escalão de seu governo, como secretário de Comunicação, na gestão 2000-2004. Foi a partir daí que o postulante à Assembleia Legislativa se tornou conhecido da população do ABC.

Em 2002, em meio ao traumático sequestro e posterior assassinato de Celso, Maurici foi realocado na Secretaria de Governo. No exercício da função, o petista tornou-se o homem forte do novo prefeito, João Avamileno, que foi reeleito, em 2004, e cumpriu mandato até 2008.

Maurici já foi prefeito de Franco da Rocha e homem forte
de gestões petistas em Santo André; neste pleito, tentará
se eleger deputados estadual | Foto: Divulgação

Contudo, no fim da gestão de Avamileno, Maurici já não fazia parte do governo. Após conturbadas prévias no PT, para definir o nome que sucederia Avamileno nas urnas – na qual Vanderlei Siraque foi escolhido em detrimento a Ivete Garcia, esposa de Maurici – o hoje candidato e outros secretários deixaram o governo.

Após aproximadamente dez anos com moradia em Santo André, Maurici voltou a residir em Franco da Rocha. Seu filho, Kiko Celeguim (PT), é o atual prefeito da cidade, em segundo mandato.

Ontem (18), Maurici esteve em Santo André, onde passou todo o dia para cumprir compromissos de campanha. Pelo ABC, Maurici tem dobradas consolidas com Eduardo Leite, Ana do Carmo e Vicentinho, todos do PT.

A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), de Santo André, que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici e deixaram o grupo de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito. “Eu não quero tirar votos dele (Turco), quero tirar votos da direita”, minimiza o candidato em entrevista ao Ponto Final, sobre suposto mal-estar criado por suas agendas políticas na cidade.

Durante o bate-papo, Maurici explicou as motivações de sua candidatura, defendeu a formulação de políticas públicas metropolitanas, o diálogo entre municípios e diz querer contribuir com o processo de reorganização do PT de Santo André. Confira os principais pontos da entrevista:

Ponto Final (PF): O que te motivou a buscar um cargo público novamente?

Mario Maurici (MM): Vou tentar resumir em três questões. Primeiro, a situação do País. A sensação que eu tenho é nós estamos retomando a agenda de antes dos governos do presidente Lula e da presidente Dilma. Agravada pelo fato de que nós estamos vivendo hoje um outro momento do capitalismo mundial. Momento em que os empregos cada vez mais de forma acelerada estão desaparecendo, inclusive algumas profissões. Essa nova agenda pede que quem acumulou mais experiência, quem tem compromissos mais firmes com a população mais pobre deste País, atue.

Outra razão é a própria situação vivida pelo PT. E não é só o desgaste que se manifestou de forma muito expressiva nas eleições de 2016. Nem o Brasil, nem os próprios quadros políticos do PT são os mesmos de 30 anos atrás, estamos num momento de transição geracional. Contribuir com esse processo também me atrai bastante.

E a terceira razão, é que eu acho que tem um aspecto que a cada dia se torna mais importante e que não está na agenda do Estado, não está na agenda dos políticos, que é a questão da metropolização do País. Você tem hoje um processo contínuo e avançado de metropolização e você não tem instâncias nem de governança, nem de formulação de políticas públicas de âmbito metropolitano. Os municípios têm se mostrado numa estrutura insuficiente para determinadas políticas, por exemplo, de mobilidade, saneamento integrado, destinação de resíduos sólidos, drenagem urbana. Os municípios têm se mostrado insuficientes para isso, porque essas questões não respeitam limite geográficos. E o Estado vê isso de uma forma muito distanciada.

PF: Eleito, como o senhor pretende trabalhar nisto?

MM: Trabalhar no debate junto à sociedade para acordar, despertar para esse tema. Junto as prefeituras para estimular a organização de consórcios, associação de municípios e agências de desenvolvimento regional.

PF: Aqui no ABC, o senhor deve ter acompanhado, Diadema saiu do Consórcio Intermunicipal e outras cidades estão se articulando para isso. O que a gente vê aqui, na verdade, é o enfraquecimento dessa postura que o senhor prega. O senhor, caso eleito, trabalhará para unir os municípios? 

MM: Eu tenho a sensação de que essa visão aqui no ABC é uma visão muito tacanha de achar que a discussão da regionalidade é uma discussão do PT, de governos petistas. Alguns gestores saem, mas com que compromisso, qual o propósito? Qual o argumento? É não ter mais uma discussão de planejamento regional?

PF: Eles argumentam que o Consórcio traz poucos resultados concretos para as cidades. O argumento é de que o órgão "pensa" muito e executa pouco. 

MM: Trazer pouco resultado é falta de empenho. Tem muita coisa que avançou aqui no ABC em função dessa discussão regional. A minha sensação é que alguns gestores municipais do ABC entendem que fortalecer o Consórcio é fortalecer uma visão mais ligada ao PT da sociedade. É uma represália e dane-se a população, os objetivos da coletividade.

PF: Uma das funções importantes dos parlamentares é o envio de verbas, especialmente agora, momento em que os municípios estão em situação financeiras delicadas. Aqui no ABC, algumas entidades se uniram e criaram a campanha "Quem é do ABC, vota no ABC", para que aumente o número de representantes daqui e o envio de verbas seja maior. O seu maior reduto eleitoral é Franco da Rocha e região. Caso eleito, o senhor vai se comprometer em enviar verbas para cá? Como funcionará essa questão da distribuição de verbas?

MM: Muito da minha formação eu devo a Santo André. Eu vivi 10 anos da minha vida aqui. Fiquei 7, 8, quase 9 anos na Prefeitura Municipal de Santo André. Tenho relação aqui com pessoas, tenho referências culturais, políticas, de amizade aqui na região.

Agora, mandar recursos de emenda é uma questão menor. Vamos mandar? Vamos, mas é uma questão menor. A questão maior é interferir na direção do governo do Estado para que ele olhe para a região do ABC com os olhos de quem precisa revigorar essa região.

Maurici cumpriu agendas de campanha durante todo o dia em Santo André | Foto: Reprodução
PF: Na sua opinião, quais as maiores demandas do ABC?

MM: É preciso encontrar um novo caminho de desenvolvimento. Nós já estamos entrando na quarta revolução industrial. A região do ABC é uma região de ponta neste aspecto no Brasil e ela precisa, de novo, continuar na ponta.

PF: O senhor tentaria impulsionar o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia?

MM: Exatamente. Em especial Santo André que deve a sua industrialização a fase inclusive anterior, porque São Bernardo vem com a indústria automobilística e, em Santo André, a matriz é anterior, com fertilizantes, com química. Muita coisa mudou na estruturação produtiva destes setores. Agora, você tem aqui uma mão-de-obra altamente especializada, a presença de universidades. Aliás, a própria Universidade Federal do ABC (UFABC), claro que foi criada pelo presidente Lula, mas foi um sonho acalentado e desenvolvido no conceito de regionalidade. Então nós temos aqui uma série de recursos que precisam ser aproveitados. É aqui que nós temos as melhores condições de educação, de formação, para entrar nesta quarta revolução industrial.

PF: Vamos falar de política. O senhor era muito ativo em Santo André na época dos governos do Celso Daniel e do João Avamileno. O último governo petista aqui, do Carlos Grana, teve uma derrota histórica, a maior derrota da história do partido na cidade. O prefeito eleito, Paulo Serra, obteve 80% dos votos. Eu sei que senhor não estava na cidade no período, mas com certeza acompanhou o que aconteceu. Na sua opinião, o que deu errado na gestão do PT para ter uma derrota tão significativa?

MM: Você reparou em como você formulou a pergunta? Houve uma derrota do PT e que 80% dos votos foram para o Paulinho. Quem perdeu foi o partido, mas quem ganhou foi a pessoa, o Paulinho. É um cacoete que nós todos temos ao discutir o PT. Eu diria o seguinte: a bancada do PT na Câmara Municipal não diminuiu, continuou com cinco vereadores. Por que a gente atribui a derrota ao PT local e não ao quadro nacional que a gente viveu? O PT continua vivo com o mesmo nível de representação. Perdeu o governo, é verdade. Agora, nós perdemos em todos os lugares, com exceção de um, Franco da Rocha. Eu acho que a situação de fragilidade que o PT viveu naquele momento, da qual ele já está se recuperando, foi o que se abateu sobre Santo André.

PF: O senhor tem um grupo de apoiadores em Santo André que na outra eleição apoiaram o deputado Luiz Turco e seria natural que eles continuassem com ele, que tenta a reeleição, até pelo fato dele ser da cidade. Mas alguns militantes foram para o seu lado, e não há nada de errado nisso. Mas houve uma conversa, antes da eleição, para que o senhor não viesse, entre aspas, tirar votos do Turco em Santo André? 

MM: Olha, eu tenho uma excelente relação com o Turco. E eu não quero tirar votos dele, quero tirar votos da direita.

PF: Mas o fato do grupo dele ter sido desfalcado com apoios ao senhor e o fato do senhor vir para cá, fazer campanha em Santo André, não prejudica a candidatura dele, mesmo que indiretamente?

MM: Veja só: na eleição passada, praticamente todo o PT de Santo André, apoiou o Luiz Turco. Era impossível ter uma outra candidatura. Naquele momento a gente tinha o governo, era importante para o governo ter uma candidatura muito ligada a ele, tinha toda uma razão nesse sentido, e hoje eu não sei se há.

Minha ideia é contribuir com o PT de Santo André. Não é um momento fácil. O momento que sucede uma derrota eleitoral é sempre um momento difícil, de rearticulação, de reorganização, e eu quero contribuir com este processo. Eu não acho, honestamente, que eu vá tirar votos do Luiz Turco.

PF: Perguntei isso porque na década passada, e o senhor viveu muito intensamente isso, o PT teve uma grande crise na cidade, uma grande fragmentação, que deixou cicatrizes até hoje. Vanderlei Siraque, que era um quadro importante na cidade, mudou de partido. Não há um risco de fragmentar novamente o partido, de fato que ele chegue na próxima eleição mais fraco? 

MM: Essa fragmentação que você fala, não foi exatamente uma fragmentação. Foi uma disputa interna que resultou numa divisão e nós perdemos a eleição, mas rapidamente no momento seguinte nós retomamos o governo com o Grana. São coisas da política.

Com relação a essa história de ser ou não daqui, eu acho que é uma maneira muito complicada de ver isso. Não é por aí que você mede o compromisso dos mandatos com as regiões. Eu, por exemplo, quando assumi a Secretaria de Governo, em 2002, uma semana antes do assassinato do prefeito Celso Daniel, assumi com responsabilidade de ajudar o então vice-prefeito João Avamileno a manter o grupo reunido pelo prefeito Celso Daniel junto e levar o programa de governo adiante. E, além disso, ainda responder a suspeitas sobre a morte do Celso e a maneira de como se geria a Prefeitura.

Naquele momento ninguém reclamou que eu não era daqui. O que que eu preciso fazer para ser daqui? Qual é o problema? Você vive dez anos aqui, constrói política aqui, ajuda na gestão, mantém relações locais... qual é o problema? Para mim isso não é determinante. Pode ser determinante numa região como a de Franco da Rocha, que nunca elegeu um deputado, que nunca teve uma representação. Aquela é uma região sub-representada, mas não é o caso do ABC.

PF: Sobre o cenário nacional, como o senhor avalia a estratégia do PT de levar a candidatura do Lula até a última possibilidade?

MM: Ontem saiu a pesquisa (de intenção de votos) e o processo de transferência de intenção de votos do presidente Lula segue firme em direção ao Haddad. Já dá para imaginar, se nada de muito absurdo acontecer nos próximos 20 dias, o segundo turno será entre o candidato do PSL (Jair Bolsonaro) e o Fernando Haddad.

PF: E o senhor avalia que o PT sairá vencedor? 

MM: Acho que sim, mas não acho que haverá uma agenda fácil para depois das eleições. Eu acho que só vale a pena voltar a governar no País se for para aprofundar a radicalização de algumas coisas. Vou te dar um exemplo. A reforma do sistema eleitoral. O nosso sistema eleitoral é que promove essa coisa de caixa 2, de venda de votos e de apoio, essa corrupção que está posta. Não está posta nos últimos 10, 20 anos. Está posta desde sempre. Se nós, PT, erramos, erramos em não denunciar esse modelo, em não brigar para mudar esse modelo. E nós precisamos fazer isso agora. Não dá para manter do jeito que está.

PF: Mas o PT não denunciou porque era beneficiado também. 

MM: Passou a se beneficiar. Pois é... tinha uma opção a ser feita: denuncia ou se beneficia. Acho que fizemos a segunda opção. Errada, incorreta. Temos que rever isto. E como é que nós vamos fazer isso? Acho que vamos ter que usar os mecanismos de democracia direta, referendo, plebiscito.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Maurici, ex-homem forte de gestões petistas, cumpre agenda em Santo André

Por Vitor Lima

O candidato a deputado estadual, Mario Maurici Morais (PT), cumpre agenda durante todo o dia de hoje (18) em Santo André. Atualmente morando em Franco da Rocha, Maurici é figura conhecida do petismo na cidade e foi protagonista dos governos de Celso Daniel e João Avamileno, entre 1999 e 2008, nos quais foi titular das pastas de Comunicação e Governo.


Maurici tem diversos compromissos na cidade; entre eles,
entrevista com Ponto Final, que será
publicada amanhã (18) | Foto: Reprodução
Logo no início da manhã, o candidato esteve na Bridesgtone, e aproveitou a entrada dos funcionários para apresentar sua candidatura. Em sua agenda, estão previstas visitas a outras fábricas, caminhada na Avenida Sorocaba e entrevistas para veículos de comunicação locais, entre eles, o Ponto Final. A entrevista com o candidato será publicada neste espaço, amanhã (19).

Na cidade, Maurici tem dobrada com o candidato a deputado federal e atual vereador, Eduardo Leite (PT). A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici em detrimento ao de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito.

Embora tenha morado por aproximadamente 10 anos em Santo André e tenha grupo de apoiadores no ABC, o grande reduto eleitoral de Maurici é mesmo em Franco da Rocha, cidade  que ele já governou (entre 1993 e 1996). Atualmente, seu filho Kiko Celeguim (PT), é o prefeito do município, pela segunda vez consecutiva.




terça-feira, 27 de fevereiro de 2018

Luiz Turco protocola três Projetos de Lei com foco no combate ao machismo

Da Redação

Ainda que tenham ocorrido diversas transformações comportamentais e de pensamento da nossa sociedade ao longo da história, a mulher ainda é submetida a um conjunto de regras morais rígidas e sofre com a reafirmação sistemática e equivocada da divisão de papéis sociais ente os sexos. A difusão da imagem da mulher na publicidade como objeto prontamente disponível para a satisfação dos desejos masculinos, a diferença salarial em cargos iguais entre homens e mulheres, e a violência física contra a mulher são elementos que contribuem para a promoção e reafirmação do machismo, atuando na direção contrária à evolução da luta pela igualdade.

Foto: Arquivo
Foi pensando nisso que o deputado estadual Luiz Turco protocolou os projetos de lei nº1, nº30 e n°46, todos em 2018, que proíbe publicidade de cunho machista, que garante a equidade salarial entre homens e mulheres, e institui o monitoramento eletrônico de agente de violência contra as mulheres, respectivamente.

Além desses, Luiz Turco já protocolou os seguintes projetos com essa temática:

- Projeto de Lei nº567/2017 que institui o Programa Estadual de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher – PEVDM e estabelece diretrizes para a criação do Serviço de Responsabilização e Educação dos Agressores.
- Projeto de Lei (Nº352/2017) que garante a prioridade da mulher na titularidade da posse de imóveis oriundos dos Programas Habitacionais do Governo do Estado.
- Indicação ao governo do Estado para a criação de um aplicativo gratuito de celular que possibilita às mulheres vítimas de violência o pedido de socorro por meio de um “botão do pânico”, que aciona a polícia de forma rápida em caso de emergência.

Audiência pública – Por que política para as mulheres? 

Composição da mesa: Eleonora Menicucci, ex-ministra de Políticas para Mulheres do Governo Dilma Rousseff, Silmara Conchão, professora universitária e ex-secretária de Política Para as Mulheres de Santo André, Tamires Gomes Sampaio, diretora do Instituto Lula e mestranda em Direito Político e Econômico na Universidade Presbiteriana Mackenzie; e Ana Perugini, deputada federal pelo PT/SP, coordenadora-geral da Frente Parlamentar Mista em Defesa dos Direitos Humanos das Mulheres no Congresso Nacional, coordenadora-adjunta da Bancada Feminina da Câmara dos Deputados e membro da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher.

Quando: 22 de março a partir das 18h
Onde: Assembleia Legislativa de São Paulo. Auditório Paulo Kobayashi – Avenida Pedro A. Cabral, 201.





sexta-feira, 14 de julho de 2017

Lula é condenado e políticos do ABC divergem sobre o assunto

Por Vitor Lima

O juiz Sergio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira instância, condenou na última quarta-feira (12) o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva a nove anos e seis meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A condenação é relativa ao processo que investigou a compra e a reforma de um apartamento triplex no Guarujá, no litoral de São Paulo. No entanto, Moro não decretou a prisão de Lula, que pode recorrer da sentença em liberdade. 

Na decisão, juiz afirma que as reformas executadas no apartamento pela empresa OAS provam que o imóvel era destinado ao ex-presidente. Segundo Moro, ficou provado nos autos que Lula e sua esposa eram os proprietários de fato do apartamento. 

“Nem é necessário, por outro lado, depoimento de testemunhas para se concluir que reformas, como as descritas, não são, em sua maioria, reformas gerais destinadas a incrementar o valor do imóvel, mas sim reformas dirigidas a atender um cliente específico e que, servindo aos desejos do cliente, só fazem sentido, quando este cliente é o proprietário do imóvel", diz o juiz.

Defesa de Lula afirma não haver provas e que sentença é fruto de perseguição política | Foto: Ricardo Stuckert

Em declaração à imprensa realizada na manhã ontem (13), Lula disse que a sentença tem componente político e que provará sua inocência. “A única prova que existe nesse processo é a da minha inocência”, afirma o ex-presidente. “Eu acho que o Moro tem que prestar contas à história, que vai dizer quem está certo e errado”, completa.

Para Lula, a condenação é uma tentativa de tirá-lo do cenário político. Ele disse que continua candidato à presidência do País nas eleições de 2018 e voltou a pedir a apresentação de provas: “Queria desafiar os meus inimigos e donos de meios de comunicação que fizessem um esforço incomensurável para apresentar uma única prova”.

Decisão não é consenso 

A sentença fez com que diversos políticos do ABC se manifestassem. Nas redes sociais, o prefeito de Santo André, Paulo Serra (PSDB), disse que a “decisão fortalece a minha crença na justiça e na independência dos poderes. Vivemos um momento histórico na democracia recente”. Ainda na publicação, o tucano afirma que a “impunidade, independente de partido ou ideologias, não pode vencer a esperança de dias melhores principalmente após o desastre ético, econômico e social que o PT trouxe ao Brasil”. 

De acordo com o deputado estadual Luiz Turco (PT), “a condenação já era esperada”. Contudo, Turco defende que não existem provas para condenar o ex-presidente e avalia que a condenação foi proferida com o objetivo de inviabilizar a candidatura de Lula nas eleições presidenciais do ano que vem. 

“O tempo mostrará que Lula é inocente e que a perseguição sistemática que sofre é o preço de ter sido aquele que governou para o povo pobre desse País. Estamos atentos e vigilantes ao desenrolar da operação Lava-Jato. E seguiremos confiantes que a Justiça cumprirá com seu papel e irá, por fim, inocentar o ex-presidente”, aposta.

Na visão do presidente da Câmara Municipal de Santo André, Almir Cicote (PSB), a condenação de Moro não foi equivocada. “Ele se baseou nas provas que foram reunidas ao longo do processo e deve proceder com o mesmo rigor com todos os investigados pela Lava Jato”, defende. O presidente afirma também que o “País precisa de uma restauração ética e política para recuperar a credibilidade” e que o combate à corrupção e à impunidade “devem ser uma constante”. 

Próximos capítulos

O processo envolvendo o ex-presidente irá agora para a 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), responsável pelos processos da Operação Lava Jato, que julgará em segunda instância a matéria. Os desembargadores, sediados em Porto Alegre, têm levado em média um ano para julgar os casos da operação.


Se for condenado em segunda instância até 15 de agosto do ano que vem, quando se encerra o prazo para registro de candidaturas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Lula não poderá concorrer a cargo eletivo. Isso porque a sentença de Moro prevê que Lula fique interditado para o exercício de cargo ou função pública por 19 anos.



segunda-feira, 21 de julho de 2014

Luiz Turco acredita em parcerias e regionalidade

Por Montero Netto 


Turco é candidato oficial do prefeito Carlos Grana
O presidente do PT de Santo André, Luiz Turco, tenta este ano, pela primeira vez conquistar uma cadeira na Assembleia Legislativa de São Paulo. Considerado o candidato oficial do prefeito andreense Carlos Grana (PT), que recentemente, em ato político, declarou publicamente o voto em Turco, o petista tem como grande mote de seu trabalho a questão da regionalidade. Tendo iniciado sua militância política na década de 80, com a fundação do Partido dos Trabalhadores, Turco é oriundo das pastorais da Igreja Católica tendo se firmado ao longo do tempo na questão da organização partidária como conciliador.

Jornal Ponto Final - Como foi tomada sua decisão de sair candidato a deputado estadual?
Luiz Turco - O prefeito Grana e o partido em Santo André decidiram que a minha candidatura teria que ser colocada nesta eleição. Esta é a primeira vez que o PT na cidade lança um único candidato a estadual, pois historicamente sempre houve três ou quatro candidatos. Assim, o objetivo da nossa candidatura é fortalecer nosso projeto de governo em Santo André e na região do ABC. Para mim é um privilegio, pois nunca tive a pretensão de sair candidato.

JPF - Você sempre destaca a questão da regionalidade como ponto principal de suas propostas. Como você tratará este tema em caso de vitória?
LT - Caso eu seja eleito, trabalharei com esta expectativa, há vários temas comuns do ABC que podem ser trabalhados conjuntamente. Tenho uma avaliação que o mandato dos deputados aqui da região são muito individualizados. Nós temos o Consórcio, a Agência Regional que devem ser mais usados. Os deputados da região, ao que eu lembre, nunca sentaram juntos para discutir questões comuns como mobilidade urbana, saúde e o meio ambiente. Tem que haver mais parceria, acredito que independente de partidos, os deputados eleitos do ABC poderiam sentar juntos, fazer seminários pra discutir algumas ações comuns.

JPF – Em quais áreas você pretende promover debates e ações, que podem gerar benefício direto para a população?
LT – Temos que fazer um debate da educação do Estado que está sucateada. Precisamos rever a progressão continuada. Precisa haver uma reciclagem dos nossos professores, melhoria de salários. Estes profissionais hoje estão desvalorizados em São Paulo. A questão da segurança pode ser discutida regionalmente. Aí se formos deputado de situação o debate é um; se formos oposição teremos mais dificuldades, mas vamos ter que fazer este debate.

JPF – Você acredita na vitória do PT, na disputa ao governo do Estado, que há mais de 14 anos vem sendo vencida pelo PSDB em São Paulo?
LT - O PT tem que atingir a meta que sempre teve no Estado de São Paulo. Se conseguirmos, com certeza, o Padilha vai para o segundo turno. Nessa eleição, trabalharemos com comparações entre o que foi feito no governo Dilma, nos dois mandatos do Lula, e o que foi feito nos governos do PSDB.  Nós temos condição de fazer este debate de uma maneira muito tranquila. A militância do PT não precisa ter vergonha de nada, tem que ir à rua de ‘peito aberto’. Nós temos todas as condições de mostrar à população que ninguém fez mais do que fizemos pela população do Brasil.

Espaço aberto a todos os candidatos aos cargos eletivos de 2014. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final escrevam para redacao@pfinal.com.br.