Por Vitor Lima
Conforme publicamos, a rádio CBN veiculou reportagem na manhã de hoje (15) que traz a informação de que o Ministério Público (MP) de São Paulo apura possível “mensalinho” na gestão de Carlos Grana (PT) à frente da Prefeitura de Santo André, entre 2013 e 2016. Em tese, o esquema envolveria membros do primeiro escalão do governo, vereadores, empresas com contratos firmados com a Prefeitura e até jornalistas.
Entretanto, ao tentar contatar o MP para verificar a informação, veículos da imprensa regional se deparam com outra versão. O jornalista Marcelo Uivinha, do Canal RN, obteve como resposta da assessoria de imprensa do MP que o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado – (GAECO) "ainda não possui investigação instaurada sobre os fatos, no entanto tomaremos as medidas cabíveis quanto à analise de tais questões". Situação idêntica ocorreu na apuração da emissora TV+.
Embora o MP não descarte averiguar o caso, não está em curso nenhuma ação sobre o caso. Ao que tudo indica, portanto, trate-se de uma “barrigada” (termo jornalístico usado para a publicação de notícias inverídicas) da emissora de rádio.
O Ponto Final continua atento ao desenrolar dos fatos.
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terça-feira, 15 de janeiro de 2019
MP suspeita de "mensalinho" na gestão de Grana em Santo André
Por Vitor Lima
A informação, que veio à tona hoje (15), de que o Ministério Público (MP) apura uma suspeita de mensalinho na gestão do antigo prefeito de Santo André, Carlos Grana, deixou movimentado os bastidores políticos na cidade desde o início do dia.
De acordo com informação apuradas pela repórter Alana Ambrósio, da rádio CBN, o MP localizou oito planilhas mensais com informações referentes aos meses de janeiro a agosto de 2016. Nelas, estariam informações de entrada de valores (R$ 8,5 milhões durante todo o período) via 27 empresas que prestavam serviços para a Prefeitura e a lista das pessoas que recebiam os montantes.
Entre os beneficiários, constam 18 dos 21 vereadores que cumpriram mandato entre 2013 e 2016. A reportagem afirma que nove desses parlamentares foram reeleitos e seguem na Casa Legislativa.
Os indícios apontam que onze partidos, inclusive siglas da base oposicionista, eram beneficiados com os repasses. Seriam eles: PT, MDB, DEM, PSB, PTB, PSD, Solidariedade, PV, PRB, PMN e PMB.
Um dos homens fortes da antiga gestão e ex-secretário de Governo, Arlindo José de Lima, é apontado pelo MP como suspeito de ser o responsável pelas planilhas. Ouvido pela reportagem, Lima afirmou desconhecer o teor da denúncia. Grana, o ex-prefeito, negou que em sua gestão tenha ocorrido qualquer irregularidade.
Suspeitas já repercutem
O PSB andreense, citado na reportagem como um dos beneficiários do suposto esquema, emitiu nota assinada pelo presidente da sigla na cidade, Donay Neto, comentando a reportagem.
O documento do partido ressalta que o PSB era oposição na época e que tinham, inclusive, um pré-candidato para concorrer com o PT (o ex-prefeito Aidan Ravin). “Rechaçamos veementemente qualquer denúncia neste sentido, nos colocando enquanto partido à disposição para quaisquer esclarecimentos”, comenta a nota.
“Entretanto se qualquer membro do partido de forma isolada possa ter se beneficiado do referido esquema espúrio, faremos uma apuração rigorosa e não hesitaremos em punir este desvio de conduta!”, finaliza o documento.
Denúncia aumenta a crise do petismo na cidade
As perspectivas em relação ao PT para o próximo pleito municipal, em 2020, já não eram boas. O novo imbróglio dificulta ainda mais a missão do partido para a escolha de um representante competitivo para disputar a Prefeitura da cidade com o atual prefeito, Paulo Serra (PSDB).
Vale lembrar que, em 2016, Grana sofreu a maior derrota da história do partido na cidade (no segundo turno, Serra derrotou o petista com mais de 80% dos votos).
Um dos nomes que eram cotados para ser o cabeça da chapa petista, em 2020, era o do deputado estadual Luiz Turco, que viu o projeto de reeleição na Assembleia Legislativa naufragar nas eleições do ano passado (o deputado perdeu mais da metade do eleitorado, na comparação com o pleito de 2014).
O atual vereador Eduardo Leite se coloca à disposição do partido para ser candidato ao Executivo. Porém, caso as suspeitas de irregularidades se confirmem, Leite também deve ter o nome inviabilizado, já que ele já formava a base do PT na Câmara na legislatura anterior.
A informação, que veio à tona hoje (15), de que o Ministério Público (MP) apura uma suspeita de mensalinho na gestão do antigo prefeito de Santo André, Carlos Grana, deixou movimentado os bastidores políticos na cidade desde o início do dia.
De acordo com informação apuradas pela repórter Alana Ambrósio, da rádio CBN, o MP localizou oito planilhas mensais com informações referentes aos meses de janeiro a agosto de 2016. Nelas, estariam informações de entrada de valores (R$ 8,5 milhões durante todo o período) via 27 empresas que prestavam serviços para a Prefeitura e a lista das pessoas que recebiam os montantes.
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| Ministério Público suspeita de irregularidades na gestão do antigo prefeito, Carlos Grana, em Santo André | Foto: Arquivo |
Os indícios apontam que onze partidos, inclusive siglas da base oposicionista, eram beneficiados com os repasses. Seriam eles: PT, MDB, DEM, PSB, PTB, PSD, Solidariedade, PV, PRB, PMN e PMB.
Um dos homens fortes da antiga gestão e ex-secretário de Governo, Arlindo José de Lima, é apontado pelo MP como suspeito de ser o responsável pelas planilhas. Ouvido pela reportagem, Lima afirmou desconhecer o teor da denúncia. Grana, o ex-prefeito, negou que em sua gestão tenha ocorrido qualquer irregularidade.
Suspeitas já repercutem
O PSB andreense, citado na reportagem como um dos beneficiários do suposto esquema, emitiu nota assinada pelo presidente da sigla na cidade, Donay Neto, comentando a reportagem.
O documento do partido ressalta que o PSB era oposição na época e que tinham, inclusive, um pré-candidato para concorrer com o PT (o ex-prefeito Aidan Ravin). “Rechaçamos veementemente qualquer denúncia neste sentido, nos colocando enquanto partido à disposição para quaisquer esclarecimentos”, comenta a nota.
“Entretanto se qualquer membro do partido de forma isolada possa ter se beneficiado do referido esquema espúrio, faremos uma apuração rigorosa e não hesitaremos em punir este desvio de conduta!”, finaliza o documento.
Denúncia aumenta a crise do petismo na cidade
As perspectivas em relação ao PT para o próximo pleito municipal, em 2020, já não eram boas. O novo imbróglio dificulta ainda mais a missão do partido para a escolha de um representante competitivo para disputar a Prefeitura da cidade com o atual prefeito, Paulo Serra (PSDB).
Vale lembrar que, em 2016, Grana sofreu a maior derrota da história do partido na cidade (no segundo turno, Serra derrotou o petista com mais de 80% dos votos).
Um dos nomes que eram cotados para ser o cabeça da chapa petista, em 2020, era o do deputado estadual Luiz Turco, que viu o projeto de reeleição na Assembleia Legislativa naufragar nas eleições do ano passado (o deputado perdeu mais da metade do eleitorado, na comparação com o pleito de 2014).
O atual vereador Eduardo Leite se coloca à disposição do partido para ser candidato ao Executivo. Porém, caso as suspeitas de irregularidades se confirmem, Leite também deve ter o nome inviabilizado, já que ele já formava a base do PT na Câmara na legislatura anterior.
quarta-feira, 19 de setembro de 2018
Em Santo André, Maurici defende políticas metropolitanas e nega atrito com candidatura local
Por Vitor Lima
Mario Maurici Morais, 57 anos, é candidato a deputado estadual. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), desde a década de 1980, Maurici é formado em Jornalismo e, em 1992, foi eleito prefeito de Franco da Rocha, cargo que ocupou até 1996 – antes, havia sido vereador no município.
Após a experiência no Executivo da cidade, Maurici foi convidado pelo então prefeito de Santo André, Celso Daniel, a compor o primeiro escalão de seu governo, como secretário de Comunicação, na gestão 2000-2004. Foi a partir daí que o postulante à Assembleia Legislativa se tornou conhecido da população do ABC.
Em 2002, em meio ao traumático sequestro e posterior assassinato de Celso, Maurici foi realocado na Secretaria de Governo. No exercício da função, o petista tornou-se o homem forte do novo prefeito, João Avamileno, que foi reeleito, em 2004, e cumpriu mandato até 2008.
Contudo, no fim da gestão de Avamileno, Maurici já não fazia parte do governo. Após conturbadas prévias no PT, para definir o nome que sucederia Avamileno nas urnas – na qual Vanderlei Siraque foi escolhido em detrimento a Ivete Garcia, esposa de Maurici – o hoje candidato e outros secretários deixaram o governo.
Após aproximadamente dez anos com moradia em Santo André, Maurici voltou a residir em Franco da Rocha. Seu filho, Kiko Celeguim (PT), é o atual prefeito da cidade, em segundo mandato.
Ontem (18), Maurici esteve em Santo André, onde passou todo o dia para cumprir compromissos de campanha. Pelo ABC, Maurici tem dobradas consolidas com Eduardo Leite, Ana do Carmo e Vicentinho, todos do PT.
A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), de Santo André, que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici e deixaram o grupo de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito. “Eu não quero tirar votos dele (Turco), quero tirar votos da direita”, minimiza o candidato em entrevista ao Ponto Final, sobre suposto mal-estar criado por suas agendas políticas na cidade.
Durante o bate-papo, Maurici explicou as motivações de sua candidatura, defendeu a formulação de políticas públicas metropolitanas, o diálogo entre municípios e diz querer contribuir com o processo de reorganização do PT de Santo André. Confira os principais pontos da entrevista:
Ponto Final (PF): O que te motivou a buscar um cargo público novamente?
Mario Maurici (MM): Vou tentar resumir em três questões. Primeiro, a situação do País. A sensação que eu tenho é nós estamos retomando a agenda de antes dos governos do presidente Lula e da presidente Dilma. Agravada pelo fato de que nós estamos vivendo hoje um outro momento do capitalismo mundial. Momento em que os empregos cada vez mais de forma acelerada estão desaparecendo, inclusive algumas profissões. Essa nova agenda pede que quem acumulou mais experiência, quem tem compromissos mais firmes com a população mais pobre deste País, atue.
Outra razão é a própria situação vivida pelo PT. E não é só o desgaste que se manifestou de forma muito expressiva nas eleições de 2016. Nem o Brasil, nem os próprios quadros políticos do PT são os mesmos de 30 anos atrás, estamos num momento de transição geracional. Contribuir com esse processo também me atrai bastante.
E a terceira razão, é que eu acho que tem um aspecto que a cada dia se torna mais importante e que não está na agenda do Estado, não está na agenda dos políticos, que é a questão da metropolização do País. Você tem hoje um processo contínuo e avançado de metropolização e você não tem instâncias nem de governança, nem de formulação de políticas públicas de âmbito metropolitano. Os municípios têm se mostrado numa estrutura insuficiente para determinadas políticas, por exemplo, de mobilidade, saneamento integrado, destinação de resíduos sólidos, drenagem urbana. Os municípios têm se mostrado insuficientes para isso, porque essas questões não respeitam limite geográficos. E o Estado vê isso de uma forma muito distanciada.
PF: Eleito, como o senhor pretende trabalhar nisto?
MM: Trabalhar no debate junto à sociedade para acordar, despertar para esse tema. Junto as prefeituras para estimular a organização de consórcios, associação de municípios e agências de desenvolvimento regional.
PF: Aqui no ABC, o senhor deve ter acompanhado, Diadema saiu do Consórcio Intermunicipal e outras cidades estão se articulando para isso. O que a gente vê aqui, na verdade, é o enfraquecimento dessa postura que o senhor prega. O senhor, caso eleito, trabalhará para unir os municípios?
MM: Eu tenho a sensação de que essa visão aqui no ABC é uma visão muito tacanha de achar que a discussão da regionalidade é uma discussão do PT, de governos petistas. Alguns gestores saem, mas com que compromisso, qual o propósito? Qual o argumento? É não ter mais uma discussão de planejamento regional?
PF: Eles argumentam que o Consórcio traz poucos resultados concretos para as cidades. O argumento é de que o órgão "pensa" muito e executa pouco.
MM: Trazer pouco resultado é falta de empenho. Tem muita coisa que avançou aqui no ABC em função dessa discussão regional. A minha sensação é que alguns gestores municipais do ABC entendem que fortalecer o Consórcio é fortalecer uma visão mais ligada ao PT da sociedade. É uma represália e dane-se a população, os objetivos da coletividade.
PF: Uma das funções importantes dos parlamentares é o envio de verbas, especialmente agora, momento em que os municípios estão em situação financeiras delicadas. Aqui no ABC, algumas entidades se uniram e criaram a campanha "Quem é do ABC, vota no ABC", para que aumente o número de representantes daqui e o envio de verbas seja maior. O seu maior reduto eleitoral é Franco da Rocha e região. Caso eleito, o senhor vai se comprometer em enviar verbas para cá? Como funcionará essa questão da distribuição de verbas?
MM: Muito da minha formação eu devo a Santo André. Eu vivi 10 anos da minha vida aqui. Fiquei 7, 8, quase 9 anos na Prefeitura Municipal de Santo André. Tenho relação aqui com pessoas, tenho referências culturais, políticas, de amizade aqui na região.
Agora, mandar recursos de emenda é uma questão menor. Vamos mandar? Vamos, mas é uma questão menor. A questão maior é interferir na direção do governo do Estado para que ele olhe para a região do ABC com os olhos de quem precisa revigorar essa região.
PF: Na sua opinião, quais as maiores demandas do ABC?
MM: É preciso encontrar um novo caminho de desenvolvimento. Nós já estamos entrando na quarta revolução industrial. A região do ABC é uma região de ponta neste aspecto no Brasil e ela precisa, de novo, continuar na ponta.
PF: O senhor tentaria impulsionar o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia?
MM: Exatamente. Em especial Santo André que deve a sua industrialização a fase inclusive anterior, porque São Bernardo vem com a indústria automobilística e, em Santo André, a matriz é anterior, com fertilizantes, com química. Muita coisa mudou na estruturação produtiva destes setores. Agora, você tem aqui uma mão-de-obra altamente especializada, a presença de universidades. Aliás, a própria Universidade Federal do ABC (UFABC), claro que foi criada pelo presidente Lula, mas foi um sonho acalentado e desenvolvido no conceito de regionalidade. Então nós temos aqui uma série de recursos que precisam ser aproveitados. É aqui que nós temos as melhores condições de educação, de formação, para entrar nesta quarta revolução industrial.
PF: Vamos falar de política. O senhor era muito ativo em Santo André na época dos governos do Celso Daniel e do João Avamileno. O último governo petista aqui, do Carlos Grana, teve uma derrota histórica, a maior derrota da história do partido na cidade. O prefeito eleito, Paulo Serra, obteve 80% dos votos. Eu sei que senhor não estava na cidade no período, mas com certeza acompanhou o que aconteceu. Na sua opinião, o que deu errado na gestão do PT para ter uma derrota tão significativa?
MM: Você reparou em como você formulou a pergunta? Houve uma derrota do PT e que 80% dos votos foram para o Paulinho. Quem perdeu foi o partido, mas quem ganhou foi a pessoa, o Paulinho. É um cacoete que nós todos temos ao discutir o PT. Eu diria o seguinte: a bancada do PT na Câmara Municipal não diminuiu, continuou com cinco vereadores. Por que a gente atribui a derrota ao PT local e não ao quadro nacional que a gente viveu? O PT continua vivo com o mesmo nível de representação. Perdeu o governo, é verdade. Agora, nós perdemos em todos os lugares, com exceção de um, Franco da Rocha. Eu acho que a situação de fragilidade que o PT viveu naquele momento, da qual ele já está se recuperando, foi o que se abateu sobre Santo André.
PF: O senhor tem um grupo de apoiadores em Santo André que na outra eleição apoiaram o deputado Luiz Turco e seria natural que eles continuassem com ele, que tenta a reeleição, até pelo fato dele ser da cidade. Mas alguns militantes foram para o seu lado, e não há nada de errado nisso. Mas houve uma conversa, antes da eleição, para que o senhor não viesse, entre aspas, tirar votos do Turco em Santo André?
MM: Olha, eu tenho uma excelente relação com o Turco. E eu não quero tirar votos dele, quero tirar votos da direita.
PF: Mas o fato do grupo dele ter sido desfalcado com apoios ao senhor e o fato do senhor vir para cá, fazer campanha em Santo André, não prejudica a candidatura dele, mesmo que indiretamente?
MM: Veja só: na eleição passada, praticamente todo o PT de Santo André, apoiou o Luiz Turco. Era impossível ter uma outra candidatura. Naquele momento a gente tinha o governo, era importante para o governo ter uma candidatura muito ligada a ele, tinha toda uma razão nesse sentido, e hoje eu não sei se há.
Minha ideia é contribuir com o PT de Santo André. Não é um momento fácil. O momento que sucede uma derrota eleitoral é sempre um momento difícil, de rearticulação, de reorganização, e eu quero contribuir com este processo. Eu não acho, honestamente, que eu vá tirar votos do Luiz Turco.
PF: Perguntei isso porque na década passada, e o senhor viveu muito intensamente isso, o PT teve uma grande crise na cidade, uma grande fragmentação, que deixou cicatrizes até hoje. Vanderlei Siraque, que era um quadro importante na cidade, mudou de partido. Não há um risco de fragmentar novamente o partido, de fato que ele chegue na próxima eleição mais fraco?
MM: Essa fragmentação que você fala, não foi exatamente uma fragmentação. Foi uma disputa interna que resultou numa divisão e nós perdemos a eleição, mas rapidamente no momento seguinte nós retomamos o governo com o Grana. São coisas da política.
Com relação a essa história de ser ou não daqui, eu acho que é uma maneira muito complicada de ver isso. Não é por aí que você mede o compromisso dos mandatos com as regiões. Eu, por exemplo, quando assumi a Secretaria de Governo, em 2002, uma semana antes do assassinato do prefeito Celso Daniel, assumi com responsabilidade de ajudar o então vice-prefeito João Avamileno a manter o grupo reunido pelo prefeito Celso Daniel junto e levar o programa de governo adiante. E, além disso, ainda responder a suspeitas sobre a morte do Celso e a maneira de como se geria a Prefeitura.
Naquele momento ninguém reclamou que eu não era daqui. O que que eu preciso fazer para ser daqui? Qual é o problema? Você vive dez anos aqui, constrói política aqui, ajuda na gestão, mantém relações locais... qual é o problema? Para mim isso não é determinante. Pode ser determinante numa região como a de Franco da Rocha, que nunca elegeu um deputado, que nunca teve uma representação. Aquela é uma região sub-representada, mas não é o caso do ABC.
PF: Sobre o cenário nacional, como o senhor avalia a estratégia do PT de levar a candidatura do Lula até a última possibilidade?
MM: Ontem saiu a pesquisa (de intenção de votos) e o processo de transferência de intenção de votos do presidente Lula segue firme em direção ao Haddad. Já dá para imaginar, se nada de muito absurdo acontecer nos próximos 20 dias, o segundo turno será entre o candidato do PSL (Jair Bolsonaro) e o Fernando Haddad.
PF: E o senhor avalia que o PT sairá vencedor?
MM: Acho que sim, mas não acho que haverá uma agenda fácil para depois das eleições. Eu acho que só vale a pena voltar a governar no País se for para aprofundar a radicalização de algumas coisas. Vou te dar um exemplo. A reforma do sistema eleitoral. O nosso sistema eleitoral é que promove essa coisa de caixa 2, de venda de votos e de apoio, essa corrupção que está posta. Não está posta nos últimos 10, 20 anos. Está posta desde sempre. Se nós, PT, erramos, erramos em não denunciar esse modelo, em não brigar para mudar esse modelo. E nós precisamos fazer isso agora. Não dá para manter do jeito que está.
PF: Mas o PT não denunciou porque era beneficiado também.
MM: Passou a se beneficiar. Pois é... tinha uma opção a ser feita: denuncia ou se beneficia. Acho que fizemos a segunda opção. Errada, incorreta. Temos que rever isto. E como é que nós vamos fazer isso? Acho que vamos ter que usar os mecanismos de democracia direta, referendo, plebiscito.
Mario Maurici Morais, 57 anos, é candidato a deputado estadual. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), desde a década de 1980, Maurici é formado em Jornalismo e, em 1992, foi eleito prefeito de Franco da Rocha, cargo que ocupou até 1996 – antes, havia sido vereador no município.
Após a experiência no Executivo da cidade, Maurici foi convidado pelo então prefeito de Santo André, Celso Daniel, a compor o primeiro escalão de seu governo, como secretário de Comunicação, na gestão 2000-2004. Foi a partir daí que o postulante à Assembleia Legislativa se tornou conhecido da população do ABC.
Em 2002, em meio ao traumático sequestro e posterior assassinato de Celso, Maurici foi realocado na Secretaria de Governo. No exercício da função, o petista tornou-se o homem forte do novo prefeito, João Avamileno, que foi reeleito, em 2004, e cumpriu mandato até 2008.
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| Maurici já foi prefeito de Franco da Rocha e homem forte de gestões petistas em Santo André; neste pleito, tentará se eleger deputados estadual | Foto: Divulgação |
Contudo, no fim da gestão de Avamileno, Maurici já não fazia parte do governo. Após conturbadas prévias no PT, para definir o nome que sucederia Avamileno nas urnas – na qual Vanderlei Siraque foi escolhido em detrimento a Ivete Garcia, esposa de Maurici – o hoje candidato e outros secretários deixaram o governo.
Após aproximadamente dez anos com moradia em Santo André, Maurici voltou a residir em Franco da Rocha. Seu filho, Kiko Celeguim (PT), é o atual prefeito da cidade, em segundo mandato.
Ontem (18), Maurici esteve em Santo André, onde passou todo o dia para cumprir compromissos de campanha. Pelo ABC, Maurici tem dobradas consolidas com Eduardo Leite, Ana do Carmo e Vicentinho, todos do PT.
A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), de Santo André, que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici e deixaram o grupo de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito. “Eu não quero tirar votos dele (Turco), quero tirar votos da direita”, minimiza o candidato em entrevista ao Ponto Final, sobre suposto mal-estar criado por suas agendas políticas na cidade.
Durante o bate-papo, Maurici explicou as motivações de sua candidatura, defendeu a formulação de políticas públicas metropolitanas, o diálogo entre municípios e diz querer contribuir com o processo de reorganização do PT de Santo André. Confira os principais pontos da entrevista:
Ponto Final (PF): O que te motivou a buscar um cargo público novamente?
Mario Maurici (MM): Vou tentar resumir em três questões. Primeiro, a situação do País. A sensação que eu tenho é nós estamos retomando a agenda de antes dos governos do presidente Lula e da presidente Dilma. Agravada pelo fato de que nós estamos vivendo hoje um outro momento do capitalismo mundial. Momento em que os empregos cada vez mais de forma acelerada estão desaparecendo, inclusive algumas profissões. Essa nova agenda pede que quem acumulou mais experiência, quem tem compromissos mais firmes com a população mais pobre deste País, atue.
Outra razão é a própria situação vivida pelo PT. E não é só o desgaste que se manifestou de forma muito expressiva nas eleições de 2016. Nem o Brasil, nem os próprios quadros políticos do PT são os mesmos de 30 anos atrás, estamos num momento de transição geracional. Contribuir com esse processo também me atrai bastante.
E a terceira razão, é que eu acho que tem um aspecto que a cada dia se torna mais importante e que não está na agenda do Estado, não está na agenda dos políticos, que é a questão da metropolização do País. Você tem hoje um processo contínuo e avançado de metropolização e você não tem instâncias nem de governança, nem de formulação de políticas públicas de âmbito metropolitano. Os municípios têm se mostrado numa estrutura insuficiente para determinadas políticas, por exemplo, de mobilidade, saneamento integrado, destinação de resíduos sólidos, drenagem urbana. Os municípios têm se mostrado insuficientes para isso, porque essas questões não respeitam limite geográficos. E o Estado vê isso de uma forma muito distanciada.
PF: Eleito, como o senhor pretende trabalhar nisto?
MM: Trabalhar no debate junto à sociedade para acordar, despertar para esse tema. Junto as prefeituras para estimular a organização de consórcios, associação de municípios e agências de desenvolvimento regional.
PF: Aqui no ABC, o senhor deve ter acompanhado, Diadema saiu do Consórcio Intermunicipal e outras cidades estão se articulando para isso. O que a gente vê aqui, na verdade, é o enfraquecimento dessa postura que o senhor prega. O senhor, caso eleito, trabalhará para unir os municípios?
MM: Eu tenho a sensação de que essa visão aqui no ABC é uma visão muito tacanha de achar que a discussão da regionalidade é uma discussão do PT, de governos petistas. Alguns gestores saem, mas com que compromisso, qual o propósito? Qual o argumento? É não ter mais uma discussão de planejamento regional?
PF: Eles argumentam que o Consórcio traz poucos resultados concretos para as cidades. O argumento é de que o órgão "pensa" muito e executa pouco.
MM: Trazer pouco resultado é falta de empenho. Tem muita coisa que avançou aqui no ABC em função dessa discussão regional. A minha sensação é que alguns gestores municipais do ABC entendem que fortalecer o Consórcio é fortalecer uma visão mais ligada ao PT da sociedade. É uma represália e dane-se a população, os objetivos da coletividade.
PF: Uma das funções importantes dos parlamentares é o envio de verbas, especialmente agora, momento em que os municípios estão em situação financeiras delicadas. Aqui no ABC, algumas entidades se uniram e criaram a campanha "Quem é do ABC, vota no ABC", para que aumente o número de representantes daqui e o envio de verbas seja maior. O seu maior reduto eleitoral é Franco da Rocha e região. Caso eleito, o senhor vai se comprometer em enviar verbas para cá? Como funcionará essa questão da distribuição de verbas?
MM: Muito da minha formação eu devo a Santo André. Eu vivi 10 anos da minha vida aqui. Fiquei 7, 8, quase 9 anos na Prefeitura Municipal de Santo André. Tenho relação aqui com pessoas, tenho referências culturais, políticas, de amizade aqui na região.
Agora, mandar recursos de emenda é uma questão menor. Vamos mandar? Vamos, mas é uma questão menor. A questão maior é interferir na direção do governo do Estado para que ele olhe para a região do ABC com os olhos de quem precisa revigorar essa região.
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| Maurici cumpriu agendas de campanha durante todo o dia em Santo André | Foto: Reprodução |
MM: É preciso encontrar um novo caminho de desenvolvimento. Nós já estamos entrando na quarta revolução industrial. A região do ABC é uma região de ponta neste aspecto no Brasil e ela precisa, de novo, continuar na ponta.
PF: O senhor tentaria impulsionar o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia?
MM: Exatamente. Em especial Santo André que deve a sua industrialização a fase inclusive anterior, porque São Bernardo vem com a indústria automobilística e, em Santo André, a matriz é anterior, com fertilizantes, com química. Muita coisa mudou na estruturação produtiva destes setores. Agora, você tem aqui uma mão-de-obra altamente especializada, a presença de universidades. Aliás, a própria Universidade Federal do ABC (UFABC), claro que foi criada pelo presidente Lula, mas foi um sonho acalentado e desenvolvido no conceito de regionalidade. Então nós temos aqui uma série de recursos que precisam ser aproveitados. É aqui que nós temos as melhores condições de educação, de formação, para entrar nesta quarta revolução industrial.
PF: Vamos falar de política. O senhor era muito ativo em Santo André na época dos governos do Celso Daniel e do João Avamileno. O último governo petista aqui, do Carlos Grana, teve uma derrota histórica, a maior derrota da história do partido na cidade. O prefeito eleito, Paulo Serra, obteve 80% dos votos. Eu sei que senhor não estava na cidade no período, mas com certeza acompanhou o que aconteceu. Na sua opinião, o que deu errado na gestão do PT para ter uma derrota tão significativa?
MM: Você reparou em como você formulou a pergunta? Houve uma derrota do PT e que 80% dos votos foram para o Paulinho. Quem perdeu foi o partido, mas quem ganhou foi a pessoa, o Paulinho. É um cacoete que nós todos temos ao discutir o PT. Eu diria o seguinte: a bancada do PT na Câmara Municipal não diminuiu, continuou com cinco vereadores. Por que a gente atribui a derrota ao PT local e não ao quadro nacional que a gente viveu? O PT continua vivo com o mesmo nível de representação. Perdeu o governo, é verdade. Agora, nós perdemos em todos os lugares, com exceção de um, Franco da Rocha. Eu acho que a situação de fragilidade que o PT viveu naquele momento, da qual ele já está se recuperando, foi o que se abateu sobre Santo André.
PF: O senhor tem um grupo de apoiadores em Santo André que na outra eleição apoiaram o deputado Luiz Turco e seria natural que eles continuassem com ele, que tenta a reeleição, até pelo fato dele ser da cidade. Mas alguns militantes foram para o seu lado, e não há nada de errado nisso. Mas houve uma conversa, antes da eleição, para que o senhor não viesse, entre aspas, tirar votos do Turco em Santo André?
MM: Olha, eu tenho uma excelente relação com o Turco. E eu não quero tirar votos dele, quero tirar votos da direita.
PF: Mas o fato do grupo dele ter sido desfalcado com apoios ao senhor e o fato do senhor vir para cá, fazer campanha em Santo André, não prejudica a candidatura dele, mesmo que indiretamente?
MM: Veja só: na eleição passada, praticamente todo o PT de Santo André, apoiou o Luiz Turco. Era impossível ter uma outra candidatura. Naquele momento a gente tinha o governo, era importante para o governo ter uma candidatura muito ligada a ele, tinha toda uma razão nesse sentido, e hoje eu não sei se há.
Minha ideia é contribuir com o PT de Santo André. Não é um momento fácil. O momento que sucede uma derrota eleitoral é sempre um momento difícil, de rearticulação, de reorganização, e eu quero contribuir com este processo. Eu não acho, honestamente, que eu vá tirar votos do Luiz Turco.
PF: Perguntei isso porque na década passada, e o senhor viveu muito intensamente isso, o PT teve uma grande crise na cidade, uma grande fragmentação, que deixou cicatrizes até hoje. Vanderlei Siraque, que era um quadro importante na cidade, mudou de partido. Não há um risco de fragmentar novamente o partido, de fato que ele chegue na próxima eleição mais fraco?
MM: Essa fragmentação que você fala, não foi exatamente uma fragmentação. Foi uma disputa interna que resultou numa divisão e nós perdemos a eleição, mas rapidamente no momento seguinte nós retomamos o governo com o Grana. São coisas da política.
Com relação a essa história de ser ou não daqui, eu acho que é uma maneira muito complicada de ver isso. Não é por aí que você mede o compromisso dos mandatos com as regiões. Eu, por exemplo, quando assumi a Secretaria de Governo, em 2002, uma semana antes do assassinato do prefeito Celso Daniel, assumi com responsabilidade de ajudar o então vice-prefeito João Avamileno a manter o grupo reunido pelo prefeito Celso Daniel junto e levar o programa de governo adiante. E, além disso, ainda responder a suspeitas sobre a morte do Celso e a maneira de como se geria a Prefeitura.
Naquele momento ninguém reclamou que eu não era daqui. O que que eu preciso fazer para ser daqui? Qual é o problema? Você vive dez anos aqui, constrói política aqui, ajuda na gestão, mantém relações locais... qual é o problema? Para mim isso não é determinante. Pode ser determinante numa região como a de Franco da Rocha, que nunca elegeu um deputado, que nunca teve uma representação. Aquela é uma região sub-representada, mas não é o caso do ABC.
PF: Sobre o cenário nacional, como o senhor avalia a estratégia do PT de levar a candidatura do Lula até a última possibilidade?
MM: Ontem saiu a pesquisa (de intenção de votos) e o processo de transferência de intenção de votos do presidente Lula segue firme em direção ao Haddad. Já dá para imaginar, se nada de muito absurdo acontecer nos próximos 20 dias, o segundo turno será entre o candidato do PSL (Jair Bolsonaro) e o Fernando Haddad.
PF: E o senhor avalia que o PT sairá vencedor?
MM: Acho que sim, mas não acho que haverá uma agenda fácil para depois das eleições. Eu acho que só vale a pena voltar a governar no País se for para aprofundar a radicalização de algumas coisas. Vou te dar um exemplo. A reforma do sistema eleitoral. O nosso sistema eleitoral é que promove essa coisa de caixa 2, de venda de votos e de apoio, essa corrupção que está posta. Não está posta nos últimos 10, 20 anos. Está posta desde sempre. Se nós, PT, erramos, erramos em não denunciar esse modelo, em não brigar para mudar esse modelo. E nós precisamos fazer isso agora. Não dá para manter do jeito que está.
PF: Mas o PT não denunciou porque era beneficiado também.
MM: Passou a se beneficiar. Pois é... tinha uma opção a ser feita: denuncia ou se beneficia. Acho que fizemos a segunda opção. Errada, incorreta. Temos que rever isto. E como é que nós vamos fazer isso? Acho que vamos ter que usar os mecanismos de democracia direta, referendo, plebiscito.
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segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Novo governo andreense deve receber R$ 200 milhões de restos a pagar
Por Vivian Silva
O prefeito de Santo André, Carlos Grana, e o prefeito eleito, Paulo Serra, juntamente, com secretários se reuniram na última sexta-feira (16) no prédio do Executivo para encerrar formalmente a transição do governo. Na ocasião, Grana anunciou que, provavelmente, fique de restos a pagar (débitos) para a nova gestão cerca de R$ 200 milhões. Além disso, comentaram sobre a gestão da água no município – que ficará a cargo do prefeito eleito – além da sonegação de impostos, por parte de empresários de ônibus.
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| Encontro ocorreu no Gabinete do prefeito | Foto: Donizete Gimenez |
De acordo com Grana, o montante de R$ 200 milhões – que pode mudar até o fim do ano - é referente a débitos com fornecedores, principalmente, da Companhia Regional de Abastecimento Integrado de Santo André (Craisa), além do décimo terceiro dos funcionários (setor Saúde) da Fundação do ABC (FUABC) que ainda não foi quitado e não há previsão. A queda na arrecadação orçamentária e o alto custo com pagamentos de precatórios no município são justificativas para a situação atual.
“É bom lembrar que quando assumi em 2013, o Paulo (Serra) estava comigo aqui, a gente recebeu com uma dívida de R$ 130 milhões de restos a pagar. É bom lembrar também que quando o ex-prefeito Aidan assumiu a Prefeitura, em 2009, ele teve um saldo de R$ 90 milhões positivo... então, eu digo ao Paulo que, claro, a situação não está fácil, estamos vendo o Brasil, a situação generalizada (dívidas dos estados), mas eu diria que a gente está deixando para você uma situação menos desfavorável do que eu recebi em 2013. Menos desfavorável não quer dizer que está boa”, comenta o prefeito.
Previdência
Apesar da Previdência em Santo André estar com saldo positivo de R$ 300 milhões, Grana ressaltou que a questão da aposentadoria é preocupante, pois nos próximos quatro anos dobrará o número de funcionários que se aposentarão. Ele explica que há dois regimes que atendem o funcionalismo público na cidade, porém, o regime antigo é deficitário. “Os novos funcionários estão com saldo positivo, agora do tesouro todo mês, nós pagamos mais de complemento das aposentadorias, do que pagamos de precatórios. E precatório já é uma sangria de R$ 6 milhões por mês, mas o complemento aqui nós estamos falando de R$ 8 milhões por mês”, conta o chefe do Executivo.
Gestão da água
Recentemente, a questão da água causou um burburinho no município. O atual governo anunciou uma Parceria Público-Privada (PPP), para gerenciar o serviço de água da cidade e o prefeito eleito entrou com uma ação para suspender o processo. Entretanto, durante este encontro, Grana anunciou que deixará Serra decidir sobre o futuro da água no município, por entender se tratar de um assunto de “extrema relevância para a cidade” e porque a “empresa vencedora do processo (Odebrecht) acabou de ser vendida para outra empresa (Brookfield)”.
“A gente vai, a partir de 1º de janeiro, com a nossa equipe e a futura Secretaria do Meio Ambiente do Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) avaliar todo andamento deste processo e tomar a decisão”, diz Serra.
Sonegação de impostos
Durante o encontro, o atual prefeito não poupou críticas aos empresários de ônibus do município, especialmente, ao Ronan Maria Pinto, que também é proprietário do jornal Diário do Grande ABC. “A maioria dos empresários do transporte de Santo André são sonegadores! Não pagam (impostos)! De ISS (Imposto Sobre Serviços), tirando a Guarará que pediu autofalência, estão devendo R$ 12 milhões a Prefeitura de Santo André, só este ano. A maior dívida é do Sr. Ronan Maria Pinto, inclusive”.
A reportagem do Ponto Final procurou o empresário para comentar o caso, mas até o momento não obteve retorno.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2016
Centro de assistência social é entregue em Utinga
Por Vitor Lima
Na última terça-feira (6), a Prefeitura de Santo André entregou o novo Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) Utinga. O local oferece apoio para pessoas em vulnerabilidade social, atenção especial a crianças e adolescentes e realiza o cadastro no CadÚnico do Bolsa Família, sistema que dá acesso à diversos programas sociais. O equipamento foi todo reformado e conta com seis profissionais (entre eles psicólogo e assistentes sociais) que devem atender uma população estimada em cinco mil pessoas. O espaço (que fica na Avenida Utinga, 1971) contou com um investimento de R$ 431,3 mil oriundos de repasses feitos pelo Governo Federal.
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| Entrega foi realizada ontem (6) | Foto: Diego Barros |
A inauguração reuniu cerca de 80 pessoas, entre moradores e representantes de entidades sociais. Também participaram da solenidade o prefeito Carlos Grana e a secretária de Inclusão e Assistência Social, Fátima Grana, que aproveitou a oportunidade para destacar a importância da campanha do Laço Branco, que busca mobilizar homens pelo fim da violência contra a mulher: “É um absurdo que a mulher ainda seja tratada como uma propriedade privada”.
Fátima também ressaltou os avanços que a pasta obteve nesta gestão, como a entrega de quatro novos CRAS (entre eles o CRAS itinerante) e a reforma administrativa na secretaria. “A inclusão social é uma área de direitos e não de favores. Esse espaço aqui não vai fazer favor para ninguém, apenas atenderá os direitos de vocês”, disse para a população.
Fim de mandato
Com menos de um mês para o fim do mandato, Grana aproveitou a ocasião para destacar que entrega a Prefeitura com o sentimento de “dever cumprido” e que não parou de trabalhar após as eleições. “Tem muita gente que perde a eleição e joga a toalha. A gente não. Nosso compromisso não é com a eleição, é com a cidade”, explica, para em seguida frisar que respeita o resultado da democracia e que dia 1° fará a passagem para o governo seguinte com muito respeito. “Desejamos boa sorte ao próximo governo, mas vamos continuar trabalhando e cobrando. Não aceitaremos nenhum direito a menos”, afirma.
quarta-feira, 9 de novembro de 2016
Grana e Serra reúnem-se e iniciam transição
Da Redação
O prefeito de Santo André, Carlos Grana, recebeu na
última terça-feira (8), em seu gabinete, o prefeito eleito, Paulo Serra, para iniciar
a transição de governo. O objetivo é que o processo se encerre dia 15 de
dezembro.
Grana
frisou que a reunião foi “produtiva e respeitosa” e que está a disposição para
realizar a transição. “A eleição terminou dia 30, portanto, agora nos cabe
criar as melhores condições para a nova administração assumir. Com a
responsabilidade de não ter interrupção de serviços”, destaca.
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| Reunião ocorreu ontem (8) no gabinete do prefeito | Foto: Anderson Pedro/PSA |
O futuro prefeito ressaltou que a “palavra
de ordem é transparência” e avaliou positivamente a reunião. “Protocolamos
alguns documentos requerendo informações de contratos em andamentos, convênios,
principalmente em relação aos serviços essenciais para que as atividades
contínuas não sejam interrompidas e a cidade não pare”, disse.
Participaram
da reunião, além de Grana e Serra, os membros de suas respectivas equipes. A
equipe do atual prefeito é composta pelo Arlindo José de Lima (secretário de
Governo), Alberto Alves de Souza (de Finanças e Orçamento), Antonio Leite (de
Administração) e pela Mylene Gambale (secretária de Assuntos Jurídicos). Já a
equipe de Paulo Serra conta com Leandro Petrin, Ana Claudia Cebrian Leite e
Ajan Marques de Oliveira.
segunda-feira, 31 de outubro de 2016
Paulo Serra será o novo prefeito de Santo André
Por Vitor Lima
Com 78,21% dos votos válidos (276.575), Paulo Serra (PSDB) impôs uma derrota acachapante ao candidato a reeleição Carlos Grana (PT) neste domingo (30) e se tornou o prefeito mais votado da história de Santo André.
O candidato eleito foi para o segundo turno com uma expressiva vantagem em relação ao adversário. Com novos apoiadores, Serra obteve mais que o dobro de votos do primeiro turno. Grana, por sua vez, estacionou. O atual prefeito teve a preferência de 21,79% do eleitorado, com 77.069 votos, apenas 9.441 a mais que no primeiro pleito.
Logo após o término da votação, os apoiadores do tucano começaram a se reunir no Ocara Clube para acompanhar a apuração dos votos. Com direito a muitos fogos e cerveja liberada, os militantes festejavam a vitória, que já era dada como certa.
| Paulo Serra e sua militância festejaram a vitória no Clube Ocara | Foto: Divulgação |
Por volta das 19h40, com 100% dos votos apurados, Serra chegou ao local, declarou estar surpreso pela quantidade de votos e comentou o resultado que, segundo ele, “está ligado ao sentimento de esperança” dos eleitores. “A população foi extremamente carinhosa com nosso projeto e essa votação mostra isso. Mas, quanto maior a vitória maior a nossa obrigação, maior a nossa responsabilidade”, ressalta.
Mesmo com a rivalidade entre Serra e Grana criada pelas eleições, o tucano disse estar convicto de que a transição de governo será feita de forma harmoniosa. “Tenho certeza que a transição será muito tranquila, muito pacífica. O prefeito já me ligou e se colocou a disposição e, a partir da semana que vem, nós vamos iniciar esse processo”.
Outro lado
Eram poucos os petistas que acreditavam na vitória de Grana neste domingo. Quando no sábado (29) o partido orientou os militantes a acompanhar a apuração na sede do diretório municipal, no bairro Casa Blanca, o sentimento era de que a derrota já estava sacramentada. Isto porque, nas últimas eleições, a orientação era para que os apoiadores se dirigissem ao Sindicato dos Metalúrgicos, um espaço maior e com mais estrutura para receber a festa da vitória.
Com apenas 36% dos votos apurados, o prefeito apareceu e saudou os militantes, já reconhecendo a derrota. Na avaliação do partido, a gestão petista foi boa, mas a conjuntura nacional e os escândalos de corrupção que atingem a alta cúpula do partido foram determinantes para a derrota de Grana.
No fim da apuração, o prefeito subiu no palanque e defendeu a reconstrução do PT. “Nós precisamos reconstruir a nossa relação com a sociedade. Precisamos reconquistar a nossa credibilidade. Eu não vejo outra forma de fazer isso a não ser recuperar os princípios que nortearam a criação do Partido dos Trabalhadores, em 1980”, disse.
ABC tucano
Desde a criação do PT, essa é a primeira vez que o partido fica sem nenhuma prefeitura no ABC. Os resultados deste domingo consolidam a vitória do PSDB que, também pela primeira vez na história, comandará as três cidades do ABC (além de Santo André, com Serra, Orlando Morando comandará São Bernardo do Campo na próxima gestão e Auricchio será o chefe do Executivo em São Caetano do Sul).
Para Serra, este é um fator positivo para a região. “Isso só vai ajudar, o diálogo fica mais fácil, as tratativas mais transparentes e todo mundo com a mesma identidade. Acho que o ABC ganha muito”, afirma, logo após lembrar que a capital também será comandada por um tucano, João Dória.
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Moradores do Centreville terão escrituras dos imóveis
Por Vivian Silva
Os moradores da comunidade Centreville, em Santo André, terão a regularização fundiária do local, de acordo com o prefeito de Santo André, Carlos Grana. O anúncio ocorreu ontem (19) durante sabatina, na qual o chefe do Executivo participou junto com o candidato Paulo Serra, no Clube dos Engenheiros da cidade.
Na ocasião, Grana comentou que o Estado já iniciou o trabalho no local. “Nós estamos com um cronograma de execução, já faz cinco meses, foi feita toda vistoria em todas as residências, análise familiar e distribuição. É um trabalho técnico que eu consegui e acho que, em breve, nós vamos entregar lá as escrituras definitivas”, comenta.
Com a regularização, o local passa a ser também uma fonte de receita para o município, pois será possível cobrar o Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU).
Um pouco de história
A comunidade Centreville inicialmente seria um conjunto habitacional de luxo. Porém, a construção foi paralisada devido à falência da construtora responsável. Com isso, os imóveis abandonados foram ocupados por diversas famílias, em 1983.
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quarta-feira, 19 de outubro de 2016
Sabatina expõe diferenças entre Grana e Serra
Por Vivian Silva
Em Santo André, o segundo turno das eleições ficou entre o prefeito Carlos Grana (PT), que busca a reeleição, e o candidato Paulo Serra (PSDB). Para dar mais visibilidade às propostas dos candidatos, o ABC Mais Empreendedor, grupo formado por nove entidades da sociedade civil, promoveu nesta quarta-feira (19), às 9h, no Clube dos Engenheiros uma sabatina com os postulantes.
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| Paulinho Serra chegou ao local, no fim do discurso de Grana | Fotos: Divulgação |
Na ocasião, cada candidato teve uma 1h30 para expor suas propostas e esclarecer dúvidas dos presentes. Grana foi o primeiro a falar e aproveitou o tempo disponível. Já Serra – que chegou ao local ao fim da exposição do atual prefeito - falou apenas por cerca de 30 minutos, pois tinha agenda com o prefeito eleito de São Paulo, João Doria Júnior (PSDB).
Falta d’água
Grana foi questionado em relação a falta d´água no município e de uma suposta dívida com a Sabesp no valor de R$ 3 bilhões. Ele foi categórico ao afirmar que “não existe nada de R$ 3 bilhões, isso é uma conta. O que existe é um questionamento do preço da água desde 1992”. A questão está no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE).
Além disso, ele ressaltou que a construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Recreio da Borda do Campo – que possibilitará mais autonomia a cidade - ainda não saiu do papel, pois os recursos não foram liberados, mas tudo que dependia do munícipio já foi realizado.
Já o candidato Serra frisou a questão desta suposta dívida. “A má gestão financeira levou esta cidade a uma completa falência. Nós devemos mais de R$ 4 bilhões hoje: R$ 3,3 bilhões para a Sabesp, R$ 1 bilhão para precatório e R$ 1 bilhão para fornecedores diretos”.
Equilíbrio financeiro
Atualmente, Santo André tem uma queda orçamentária. Segundo Grana, R$ 6 milhões são pagos, por mês, à justiça em decorrência de dívidas com precatórios, ou seja, são indenizações em decorrência de desapropriações e processos judiciais ocorridos nos anos 1980 e 1990, mas que não foram pagos na época e caiu sobre a atual gestão. Com isso, o acumulado desta dívida chega a R$ 1,5 bilhão.
Para recuperar o equilíbrio do orçamento, o atual prefeito comentou algumas ações que, de acordo com ele, já estão em andamento como a diminuição progressiva de cargos comissionados. “No TAC – Termo de Ajuste de Conduta que nós fizemos com o Ministério Público, nós tínhamos direito até 550 cargos comissionados, nós diminuímos drasticamente este número e, hoje, estamos com 450 comissionados”, afirma. Ele conta ainda que o cargo de secretario adjunto também tem sido extinto.
Serra, por outro lado, defende o enxugamento da máquina pública. “Hoje com 20 secretarias não produz a capacidade de investimento para a gente ter política pública de qualidade, então, essa equação de receita da despesa é o primeiro desafio, nós vamos enxugar a máquina”, afirma, ao ressaltar que pretende fazer uma gestão com proatividade econômica.
Para reduzir as despesas do município, Grana comenta ainda que a Ciclofaixa de Lazer – implantada quando o candidato Serra era secretário de Mobilidade Urbana, Obras e Serviços Públicos de Santo André – pode ser extinta. “Quando me apresentaram a ideia da Ciclofaixa de Lazer de Santo André, chegou da seguinte forma: ‘prefeito, nós vamos começar a fazer pela Prefeitura e depois, rapidamente, nós vamos buscar patrocínio, e ela vai se auto pagar’”. Mas não foi o que houve. Inicialmente, o teto do custo era R$ 5 milhões por ano. De acordo com Grana, na renovação conseguiram reduzir para R$ 3,5 milhões, mas se não houver 100% de patrocínio como ocorre em São Paulo, por exemplo, a Ciclofaixa será suspensa.
Incentivos fiscais
O ex-secretário Serra é favorável aos incentivos fiscais para empresas que possam alavancar o número de empregos no município. “Nós queremos dar mais um passo e criar um programa de isenção e redução tributária para quem for gerar emprego na cidade”, afirma.
Por outro lado, Grana vê com cautela o assunto. “Eu não vejo perspectiva da gente ter uma política agressiva de incentivos fiscais, porque a lei de responsabilidade de incentivo fiscal hoje com o gestor ela é muito dura, se você der um incentivo, você tem que provar da onde que ele vai ser reposto. Não é mais aquela farra, que existia antigamente, digamos assim... O gestor público tem a responsabilidade de mostrar para o Tribunal de Contas do Estado eu dei (um incentivo) daqui e eu preenchi ali. Isso é um cuidado que nós temos que ter e isso nós temos feito”, explica.
Desburocratização
Ambos os candidatos defenderam projetos para facilitar a vida dos empreendedores no município. Grana relembrou que o Via Rápida Empresa deve ser implantado até o próximo mês e, com isso, será possível obter alvará de funcionamento de um novo estabelecimento em apenas 72h.
Já o tucano, por sua vez, comentou sobre a proposta chamada Poupatempo do Empreendedor. Trata-se de uma sala, na qual todo o processo envolvendo uma nova empresa estaria centralizado neste local e só sairia de lá com tudo certo. O prazo giraria em torno de 30 dias, no máximo.
O segundo turno das eleições municipais ocorre em 30 de outubro. No primeiro pleito, o tucano obteve 35,85% dos votos (119.540) e o candidato petista 20,28% (67.628).
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Empresários promovem sabatina com candidatos à Prefeitura de Santo André
Da Redação
O ABC Mais Empreendedor, grupo formado por nove entidades sociedade civil, promoverá na próxima quarta-feira (19), a partir das 9 horas, sabatina com os candidatos do segundo turno à Prefeitura de Santo André.
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| Foto: Arquivo |
Carlos Grana (PT) e Paulinho Serra (PSDB) terão, cada um, o tempo de 1 hora e meia para apresentarem suas propostas de governo para a cidade, além de serem sabatinados sobre os principais temas ligados à transparência administrativa, mobilidade urbana, parque tecnológico, desenvolvimento econômico, polêmica que envolve o Semasa e Sabesp, entre outros tópicos.
O encontro acontecerá no Clube dos Engenheiros, localizado na rua Albertina, 53, Vila Pires, Santo André.
Fazem parte do ABC Mais Empreendedor a ACISA (Associação Comercial e Industrial de Santo André), CIESP/DR Santo André (Centro das Indústrias do Estado de São Paulo), REGRAN (Sindicato do Comércio Varejista e Derivado do Petróleo do ABC), SINCOR (Sindicato dos Corretores de Seguros no Estado de São Paulo), AESCON (Associação das Empresas de Serviços Contábeis do Grande ABC), AEAABC (Associação dos Engenheiros e Arquitetos do ABC), SINDUSCON (Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Estado de São Paulo), SIPAN/AIPAN (Sindicato da Indústria de Panificação e Confeitaria de Santo André) e SETRANS (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do ABC).
quinta-feira, 11 de agosto de 2016
“Estamos com a expectativa de concluir 85% do nosso programa de governo”, diz Carlos Grana
Por Vivian Silva
O prefeito de Santo André, Carlos Grana, aos 50 anos, tentará a reeleição pelo Partido dos Trabalhadores (PT), com o objetivo de dar continuidade às ações e projetos iniciados nesta gestão.
Natural de São Bernardo do Campo, Grana é morador de Santo André, desde o nascimento. Atualmente, é casado e pai de dois filhos. Na vida política, iniciou militância na Pastoral da Juventude, aos 14 anos. Está filiado ao PT, desde a origem da legenda. Em 2010, concorreu a deputado estadual e foi eleito com 127 mil votos.
Em entrevista exclusiva ao Ponto Final, o chefe do Executivo comenta sobre algumas demandas do município, eleições municipais e explica algumas propostas pendentes do plano de governo, além disso, promete atuar com austeridade para reverter a queda de receita no município.
| Prefeito Carlos Grana durante entrevista ao Ponto Final, no gabinete | Diego Barros/PSA |
Ponto Final (PF): Por que o senhor deseja se reeleger?
Carlos Grana (CG): Para dar continuidade aos projetos, que nós iniciamos durante este nosso mandato. Olhando o retrospecto das gestões dos prefeitos anteriores, o prefeito Celso Daniel teve dez anos de oportunidade, para consolidar alguns projetos importantes na cidade; o prefeito (Newton da Costa) Brandão acho que foram três mandatos; o prefeito João Avamileno seis anos. Uma série de projetos que nós iniciamos, nós não abriremos mão de dar continuidade, em três anos e meio você não consegue colocá-los todos no patamar desejado, então, esse é o principal motivo.
PF: O que o senhor não fez e deseja realizar neste 2º mandato?
CG: Alguns projetos, principalmente, de mobilidade (urbana) que são projetos estruturantes e, portanto, necessitam de buscar primeiramente um bom projeto, buscar recursos e depois consolidá-los. Um dos maiores desafios que nós temos é, justamente, a conclusão do viaduto Adib Chammas e o viaduto, que na verdade é o alteamento da Avenida dos Estados naquele ponto de (bairro) Santa Terezinha. Nós conseguimos projeto, nós conseguimos financiamento, o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) acabou de aprovar a liberação de R$ 82 milhões, na verdade são US$ 25 milhões, ou seja, agora são mãos à obra, para começar a licitação e a execução. Então, isso é o meu desejo, creio que é um dos principais pontos de estrangulamento do trânsito na cidade de Santo André é, justamente, neste ponto ali no bairro Santa Terezinha.
PF: Por que tanta morosidade para liberação do BID?
CG: Ele é lento, como se trata de um financiamento internacional não basta apenas a gente ter a relação banco e município, mas você tem os órgãos de controle – Ministério de Planejamento, Secretária Nacional do Tesouro, Senado Federal – então, há algumas barreiras um pouco mais longas, mas é importante, porque é um financiamento viável, que tem um período de carência e depois um financiamento bastante prolongado, a taxa de juros atrativas, infinitamente, menores se fossemos buscar recursos aqui dos bancos do Brasil.
PF: Essas obras de mobilidade terão continuidade independente do resultado das eleições?
CG: Eu vejo no exemplo que ocorreu em São Bernardo, que foi o mesmo tipo de financiamento, todo aquele complexo da Avenida Lions foi, justamente, financiado pelo BID, se você não mantém o governo corre o risco de atrasar, muito difícil você interromper, mas o risco de atraso sempre tem.
PF: Qual a estimativa para início das obras do viaduto Adib Chammas e do alteamento da Avenida dos Estados?
CG: Como o projeto do Adib Chammas já está mais adiantado, eu creio que até o fim do ano as obras começam ali neste viaduto. Aí o alteamento em 2017, até porque ele precisa de um projeto do Executivo. O Adib Chammas já é um projeto pronto, porque é um projeto complementar, o da Santa Terezinha é um projeto novo, mas que não irá interromper o trânsito, o que é muito positivo. Você tem a própria facilidade da rotatória servir de canteiro de obra, sem interferir no trânsito que já é caótico.
PF: Em relação a ciclofaixa de lazer, por que não foi implantada ainda na região do 2º subdistrito? Há planos para ciclovia na região também?
CG: Eu acho que o melhor ponto para aproveitar a ciclovia e ciclofaixa é, justamente, na Avenida das Nações. O que nós estamos fazendo neste momento: primeira etapa foi o Corredor Verde que sai do ponto da Coop (Cooperativa de Consumo) até Avenida Presidente Costa e Silva, anteriormente, o que foi uma obra muito mais complexa, que é toda a solução do córrego Guaixaya, que é da Coop até à Rua Oratório. O que estava faltando apenas é aquele entroncamento, que funciona a Coop. Acabamos de realizar um acordo com a Coop – foi aprovado pela Câmara – então, nós vamos duplicar também o trecho, onde se encontra a Coop, ocupando uma parte do seu estacionamento, e praticamente já iniciará as obras. Eu quero aproveitar justamente este trecho, que eu estou falando aí em 3,5 quilômetros (km) aproximadamente, se eu considerar ida e volta 7 km, então tem a ciclovia ali, dá para aproveitar e ampliar, inclusive, para ter uma ciclofaixa de lazer nesses dois pontos. A ideia é que tenha continuidade até à Rua Oratório. Nós estamos falando de ganhar aí uns 7 km, combinando a ciclovia com a ciclofaixa, que funcionaria também aos domingos como uma ciclofaixa de lazer. Isso só para 2017.
PF: No seu plano de governo constam propostas para criar duas subprefeituras, uma no 2º subdistrito e outra na Vila Luzita. Por que até o momento isto não foi concretizado?
CG: Uma questão financeira. Não basta apenas eu constituir uma subprefeitura e não dar as condições físicas e estruturais. Em 2015 acentuou a recessão e a crise econômica, portanto, não seria viável ampliar custos. Então, se manteve centralizado e atendendo toda a cidade, com as nossas equipes de forma centralizada, mas dando conta do recado, principalmente, a manutenção da cidade. Então, não se trata apenas de você ter um equipamento descentralizado administrativamente, é importante você levar os serviços, e isso a gente conseguiu levar os serviços para toda a cidade.
PF: O senhor pretende manter essa proposta das subprefeituras no seu novo plano de governo?
CG: Enquanto a gente não tiver uma recuperação econômica no País e que influencia os recursos de Santo André, não há sentido de ampliar mais serviços, mais custeios. Isto vai depender muito da conjuntura econômica.
PF: O senhor já comentou que o maior desafio da sua gestão foi a queda na receita e o déficit herdado da antiga administração. Atualmente, como está este cenário?
CG: Eu não diria só da gestão passada. Santo André ao longo dos anos anteriores foi gerada uma divida altíssima, que é a dívida é maior do que o orçamento anual, não posso dizer que é só da gestão passada. A gestão passada deixou, sim, principalmente, de restos a pagar no início de 2013 foi muito alto, mas a nossa principal dívida são os precatórios. Mais de R$ 1,3 bilhão em precatórios (acumulado ao longo dos anos). Todas as gestões anteriores tiveram desapropriações, processos judiciais, alguns até questionáveis, mas o fato é que a Justiça deu ganho de causa para essas pessoas – proprietários, funcionários públicos – tiveram seus ganhos de causa, isso gerou um volume de precatório muito alto. Uma hora ia ter que pagar e, justamente, caiu no finalzinho da gestão do meu antecessor e na minha (gestão) na sua totalidade, dispendo aí de R$ 6 milhões por mês, R$ 72 milhões por ano, são quase R$ 300 milhões (ao longo da gestão), ou seja, daria para fazer dez viadutos ali do (bairro) Santa Terezinha com esse dinheiro, para você ter uma ideia. Não tem jeito, são dívidas judiciais, se eu não pagar, os juízes determinam e entra na conta da Prefeitura e faz o sequestro direto, então tem que pagar. Isso pesou. Segundo é o que eu falei, estamos vivendo uma crise econômica, mas de qualquer forma nós conseguimos manter os serviços sem grandes impactos, pelo contrário, continuamos investindo. Um exemplo maior é o da iluminação na cidade, nós tínhamos 10 mil pontos de luz apagadas, superamos isso logo no primeiro ano de governos e, hoje, são mais de 15 mil luminárias novas na cidade, de LED, você pode ver ali no Camilópolis e Itamaraty são todos corredores brancos.
PF: É possível colocar lâmpadas de LED em todo município?
CG: É possível. São 52 mil pontos de iluminação na cidade, a gente conseguiu concretizar 15 mil, com certeza, até o fim do ano estaremos próximo de 20 mil. Então, é uma questão de continuidade, quem sabe no fim de 2020, trocaremos 100% das luminárias, substituindo as lâmpadas antigas, amarelas de tecnologia inferior, por uma tecnologia melhor, que é o LED e uma intermediária, que nós também estamos utilizando que é bastante eficaz, porque o LED ainda é muito caro. A gente priorizou os corredores das grandes avenidas em LED, as demais (ruas) com essa tecnologia intermediária.
PF: Como o senhor pretende reverter a queda na receita?
CG: Nós vamos continuar buscando recursos no governo do estado, no governo federal e internacionais, mas nós vamos nos dedicar em buscar muito recursos na própria cidade. Hoje, há um estoque de dívida ativa, ou seja, pessoas que estão devendo para a Prefeitura ISS (Imposto Sobre Serviços), IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e outros tributos, que nós vamos intensificar a cobrança. Neste primeiro mandato nos abrimos dois RECREFs (Recuperação Extraordinária de Créditos Fazendários), que são refinanciamentos nos quais a pessoa podia vir e abatia juros e multas, parcelava este pagamento. Nós percebemos que alguns devedores, maus pagadores terão que ter um tratamento mais firme, por parte da Administração Pública, que nós vamos implementar no segundo mandato.
A gente já viu um programa de informatização de eficiência na área de informática, nós estamos executando este programa de modernização e vamos ter o controle sobre as dívidas com o município e, assim, teremos mecanismos mais eficientes para cobrarmos, inclusive, por medidas judiciais. Nós estamos falando de R$ 1,8 bilhão de estoque de dívida ativa na cidade, que eu vou buscar. Quanto nós vamos recuperar? Eu não tenho ideia. Nós temos que aplicar a justiça tributária independentemente do que ele esteja devendo, ele precisa pagar - independente se ele é grande empresário ou pequeno, se é um comerciante ou cidadão comum - nós vamos começar pelos grandes, claro.
PF: Há planos para enxugar alguma secretaria ou diminuir cargos comissionados? Se sim, quais e quantos?
CG: Nós estamos neste momento discutindo e finalizando o programa de governo para um novo mandato. Evidente que alguns ajustes deverão acontecer, agora não vou entrar nessa lógica de ‘vamos enxugar a máquina’, que enxugar a máquina resolve. Não é bem assim. Você tem políticas que você não pode abrir mão, citei uma agora Secretaria das Mulheres, Secretaria dos Direitos Humanos, que defende justamente negros, LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros), segmentos da sociedade importantes, que o poder público tem que ter uma política pública. Então, nós vamos tratar com cuidado este tema, claro, o ideal é a gente buscar reduzir custos, mas sem perder a capacidade de implementar políticas públicas inovadoras, esse é o conceito, mas dá sim para ter alguns ajustes.
Nesse mandado, por exemplo, os comissionados que nós temos aqui na Prefeitura não tiveram reajuste salarial, nem em 2015 e 2016. Isso já gerou uma economia bastante significativa, é um exemplo, de que a gente tem comprometimento.
PF: Quantos comissionados existem?
CG: Aproximadamente 450, mas teve uma redução. Inclusive, você pode observar que alguns secretários-adjuntos saíram do governo, tinham outras propostas, e a gente não repôs. Sem muito ‘barulho’ a gente está reduzindo progressivamente, sem comprometer os serviços, a gente está reduzindo o número de comissionados.
PF: Na área da Saúde, a UPA Especialidades (da Rua Agenor de Camargo, 129 ) será entregue até o fim deste ano, conforme divulgado inicialmente?
CG: A expectativa é que sim, antes do fim do ano. Na medida em que ampliamos a rede de UPAs (Unidade de Pronto Atendimento), esta UPA que estava ali tradicional era um equívoco, porque você está ao lado do hospital, então, ela tem que ter uma especialidade, é o que nós vamos colocar agora em funcionamento, já é previsto pelo governo federal esta modalidade de UPA Especialidades que é, inclusive, o gargalo que nós temos na Saúde.
Nós temos uma boa unidade de Saúde espalhada pela cidade, as UBSs (Unidades Básica de Saúde) e as Unidades de Saúde da Família (USF) muito bem montadas na cidade, nós temos o Pronto-Atendimento (PA) da cidade, através das UPAs e PAs. Nós temos uma rede ótima de regaste, o SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), nós temos um ótimo hospital de excelência que é o CHM (Centro Hospitalar Municipal), temos o Hospital da Mulher, que é referência. O que nós precisamos melhorar é, justamente, esta rede de especialidades, que é o gargalo, por isso, nós vamos investir forte, no segundo mandato, nessa área de especialidades.
Nós vamos também entregar o Centro Especializado em Reabilitação (CER), um dos maiores do Brasil. E continuar com uma política de promoção à saúde (programa Caminhando para a Saúde, promoção do ciclismo e alimentação mais adequada, por exemplo). A AME (Ambulatório Médico de Especialidades) que era uma solução do Estado para cuidar, justamente, das especialidades, ela é insuficiente. O ideal ali seria, no mínimo, dobrar a capacidade de atendimento, espaço físico tem, inclusive, foi a Prefeitura quem fez aquele prédio, que é subutilizado, mas nós temos os nossos outros centros de especialidades, tem três na cidade. A minha ideia é que essa UPA Especialidades venha no sentido de melhorar e diminuir o tempo da fila de exames e dar atenção especial nessas áreas de especialidades (cirurgias de pequena e média complexidade, a princípio, nas áreas de ortopedia, cirurgia geral e odontologia) e, com isso, ‘desafogar’ o Hospital Municipal.
PF: Quais são as próximas ações no projeto de reorganização da rede de urgência e emergência?
CG: De transformar o PA (Pronto-Atendimento) Bangu em UPA (Unidade de Pronto Atendimento). Dar o mesmo padrão da UPA Central. Acredito que isso seja feito no início do primeiro semestre de 2017. Este ano, a gente termina o da Vila Luzita (de PA será transformado em UPA). Terminou a Vila Luzita a equipe vai se descolar, imediatamente, para o Bangu. Então, nós vamos ter aí cinco UPAs e uma UPA Especialidades, no atendimento da urgência e emergência que atende muito bem a cidade. Você tem o pronto-socorro do Hospital Municipal, cinco UPAs, uma de especialidades e nós temos 55 Unidade de Saúde. Temos três unidade de especialidades, com a AME seria uma quarta, então, é essa que precisa equilibrar, para agilizar os exames, então, para você ter os exames, você tem que ter os especialistas de coração, estômago... E a gente tem dois equipamentos importantes que é o Brasil Sorridentes, nesses quatro anos, nós vamos atingir uma marca de 7 mil próteses entregues até o fim do ano. Não tem nenhuma comparação na história de Santo André. Estamos fazendo quase 2 mil por ano. A meta era fazer mil, superou com saldo positivo.
PF: Em alguns bairros as pessoas reclamam da falta d’água. Quando isso será solucionado? Como está o projeto de construção da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Recreio da Borda do Campo?
CG: Isso vai ser solucionado na hora que a gente tiver impulsionamento da nossa própria unidade de tratamento de água, está tudo pronto, só falta liberação dos recursos. Temos licitação feita, a negociação do Clube de Campo, a liberalidade de captar água da (Represa) Billings, uma área inclusive limpa. Isso vai sair de 5% para 20% (a capacidade de produção de água). A Sabesp diminuiu a disponibilidade de água na cidade, além disso, a cidade aumentou o consumo, porque ela verticalizou, olha Santo André hoje e relembra dez anos atrás. Houve um aumento populacional e, consequentemente, um aumento de consumo, mas a Sabesp não aumenta a quantidade de água. Então, nós temos que ficar administrando.
PF: O recurso para a construção da ETA é federal? Há previsão de liberação?
CG: Do Fundo de Garantia (FGTS), R$ 84 milhões. Em regra geral muita coisa parou em Brasília. Cadê a linha do metrô? É o que aconteceu com a gente, porque não é dinheiro dado é empréstimo. E mesmo empréstimo eles estão segurando.
PF: Na área da Segurança, há alguma ação pontual para diminuir a criminalidade?
CG: Eu acho que a gente conseguiu nesses três anos e meio equipar a nossa guarda. Hoje a nossa guarda está bem melhor do ponto de vista de equipamentos, para executar suas funções prioritariamente de cuidar do patrimônio público municipal, mas ela tem avançado, inclusive, cumpre um papel de cooperação com a Polícia Militar no combate ao crime. Nós temos, hoje, oito bases móveis na cidade, dois ônibus que funcionam com videomonitoramento, temos que apostar nesta política preventiva. Se por um lado a gente iluminou a cidade, as condições de segurança melhoraram. E a gente equipou muito a guarda, eles usavam 38 e agora utilizam pistola. Então, equipar, formar e preparar melhor a nossa guarda foi o que nós fizemos, olhando para a frente, nós vamos ter que ampliar o número.
É preciso fazer valer aquele programa que tem de divisas (de cidades), que foi aprovado pelo Consórcio (Intermunicipal Grande ABC), está faltando agora os recursos, que é um investimento muito importante para a segurança de videomonitoramento nas divisas. A nossa prioridade é, justamente, na Rua Oratório, divisa com São Paulo.
PF: Atualmente, qual o contingente de guardas municipais em Santo André? Este número é o ideal?
GG: Hoje são 650 guardas, o ideal seria passar de mil.
PF: Em sua opinião, como o atual ambiente político nacional e estadual afetará as eleições municipais?
CG: Eu acho que pouco, porque a eleição de prefeito ela diz respeito as soluções e aos problemas locais. A população está acompanhando os resultados que o nosso governo tem trazido de conquistas para a cidade, que não são poucas, são muitas conquistas, nós estamos com a expectativa de concluir 85% do nosso programa de governo até o fim do ano, então, demostra que nós estamos no rumo certo. A confusão do cenário nacional é tão grande, que ninguém sabe onde vai chegar, efetivamente. O importante é a gente cuidar da cidade, a gente ajuda o Brasil se a gente cuidar bem da cidade.
PF: Como é disputar as eleições com dois ex-secretários (Paulinho Serra e Raimundo Salles)?
CG: Natural. Eu não olho como ex-secretários. São concorrentes legítimos. Eles não saíram por minha iniciativa, por mim eles continuariam no governo, saíram porque tinham projetos e também um sonho de ser prefeito de Santo André, então, é respeitável. Da mesma forma que eu vou tratar os dois ex-secretários, eu vou tratar também os demais concorrentes. Cada um tem o seu valor, tem suas virtudes, seus defeitos, como nós temos nossas virtudes e nossos defeitos, vou encarar de uma forma muito democrática, porque isso é o maior valor que nós temos é, justamente, recuperar a democracia e se submeter à vontade popular. São 540 mil eleitores na cidade, eles terão o papel de decidir. É uma eleição diferente, mudou as regras do processo eleitoral, não tem mais financiamento privado de campanha. Que bom! E, portanto, o que vai prevalecer é a vontade e a força da militância.
PF: Por que a decisão de manter a mesma vice-prefeita Oswana Fameli, neste pleito?
CG: Consenso entre os partidos. A regra que nós estabelecemos é: nós abrimos a discussão da vice com os 12 partidos, apareceram e foram apresentados outros nomes e convergiu de que era mais adequado (manter a Oswana). Ela obteve esse consenso dos partidos políticos de continuar sendo a vice. Foi esse o critério. Importante manter essa questão de gênero na chapa, prefeito homem e uma prefeita mulher, ou prefeita mulher e vice-prefeito homem. Tem que promover, ‘não é á toa’ que eu fiz a Secretária de Política para Mulheres, justamente, para dar ênfase e, principalmente, para combater à violência contra as mulheres, que é o nosso principal desafio, inclusive, a violência doméstica.
PF: Em algumas pesquisas eleitorais (Paraná Pesquisas | DGABC Pesquisas, por exemplo), o senhor apareceu como o segundo favorito. Como analisa este fato?
CG: Em algumas eu fiquei em segundo, em algumas em primeiro. Pesquisa é uma percepção do momento. Nós acreditamos em um bom desempenho no dia 2 de outubro, isso significa que nós estaremos, no mínimo, colocado para o 2º turno. Agora falar em segundo turno quem vai, ou quem não vai, é muito deselegante com os outros concorrentes. Pesquisa no Brasil, eu já vi muita gente dormir eleito e acordar fora, então, a gente tem que aguardar a vontade do eleitor, nada de ficar de ‘salto alto’, soberba, porque quem praticou isso no passado não se deu bem não.
Obs.: Espaço aberto a todos os candidatos aos cargos eletivos de 2016. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final escrevam para redacao@pfinal.com.br.
Obs.: Espaço aberto a todos os candidatos aos cargos eletivos de 2016. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final escrevam para redacao@pfinal.com.br.
sexta-feira, 29 de abril de 2016
Juiz considera improcedente ação de Ainda Ravin
Vivian Silva e Vitor Lima
Nesta última quarta-feira (27), o ex-prefeito de Santo André Aidan Ravin (PSB) perdeu a ação movida contra o prefeito Carlos Grana (PT), na qual ele acusava o chefe do Executivo de contratar empresa de telemarketing para realizar ligações, durante a madrugada, solicitando votos nas vésperas das Eleições de 2012. A ação teria contribuído para a derrota de Aidan nas urnas.
| Juiz Eleitoral julgou que acusações contra Carlos Grana não procedem | Foto: arquivo |
De acordo com informações sobre a sentença publicadas no portal do Tribunal Superior Eleitoral, as acusações não foram provadas. “Diante do exposto, julgo improcedente a representação apresentada por Aidan Antonio Ravin e Partido Trabalhista Brasileiro - PTB de Santo André contra Carlos Alberto Grana e Oswana Maria Fernandes Fameli”.
Por meio da fanpage, Grana comemora o resultado da sentença. “Após nova colheita de provas e do exame meticuloso das 3.989 páginas dos autos de 21 volumes, o Juiz Eleitoral da 156ª Zona Eleitoral de Santo André afirmou na sentença que inexistem provas que confirmem as acusações de Aidan Ravin, não justificando desse modo, a cassação do meu mandato e inelegibilidade por oito anos”, afirma. Até o fechamento desta matéria, o ex-prefeito não foi localizado para comentar a decisão.
segunda-feira, 14 de setembro de 2015
Andreense cria primeiro vídeo de realidade virtual do Brasil e apresenta projeto ao prefeito Carlos Grana
O prefeito de Santo André, Carlos Grana, recebeu nesta segunda-feira (14) em seu gabinete o editor de vídeo Leandro Balladas, 33 anos, andreense responsável pela produção do primeiro videoclipe de realidade virtual do Brasil - e terceiro do mundo. Visivelmente impressionado, Grana apontou a importância do pioneirismo da proposta, destacando o protagonismo de Balladas que, de maneira independente, desenvolveu o trabalho junto da banda Spazio - também nascida na cidade.
Leandro Balladas apresenta o videoclipe ao prefeito Carlos Grana no celular
O clipe intitulado Plano de Controle, lançado em 18 de julho último, pode ser visto de três maneiras: por meio de óculos especiais que acompanham o movimento da cabeça do espectador, com alcance de 360° em qualquer direção; no Youtube, onde a visualização panorâmica é realizada com o auxílio do mouse; e pelo celular, mudando o panorama de acordo com o movimento do aparelho. (Confira abaixo).
Clipe é o primeiro do gênero no Brasil e o terceiro no mundo
Grana, devidamente equipado com os óculos, esboçou a mesma reação de 99% dos que se deparam com esta tecnologia pela primeira vez: "Puta, mas que legal!",disse o prefeito. A experiência contagiou os demais presentes, entre eles, o secretário de Comunicação do município, Ronaldo de Castro. "Muito louco isso, parece que você está dentro do show", exemplificou.
Grana assiste ao clipe com óculos de realidade virtual
Thiago Matricardi, baterista da Spazio, aproveitou a ocasião para prestigiar Balladas. Segundo ele, "a banda se sentiu honrada em participar de um trabalho tão inovador e que, graças a ele, foi possível de ser realizado".
Grana vê foto do suporte de câmeras utilizado na produção do vídeo.
Ao fundo, o baterista Thiago Matricardi
O desenvolvimento e realização do projeto levou, de acordo com Balladas, aproximadamente um ano. Neste período, o editor de vídeo se empenhou não somente em aprimorar técnicas inéditas no Brasil para a elaboração deste tipo de vídeo, mas em adquirir programas e manufaturar peças para a viabilização da empreitada. "O suporte para as câmeras que foram utilizadas, por exemplo, mandamos fazer em uma impressora 3D (três dimensões). Foram seis máquinas gravando a apresentação, simultaneamente, do centro do cenário que, em nosso caso, foi um galpão locado em Santos, mas é possível adaptar essa tecnologia para diversas necessidades e possibilidades, inclusive utilizando drones", explica.
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