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sexta-feira, 1 de novembro de 2019

Avamileno acerta filiação ao Solidariedade para buscar a Prefeitura novamente


Da Redação

Após sair do PT, o ex-prefeito de Santo André João Avamileno decidiu concorrer novamente ao cargo. Em encontro realizado na tarde de hoje (1°) com o deputado federal Paulinho da Força, ficou definido que o ex-prefeito concorrerá ao cargo pelo Solidariedade, partido presidido por Paulinho.

Ex-prefeito de Santo André duas vezes pelo PT, Avamileno (centro)
concorrerá ao cargo novamente em 2020 | Foto: Divulgação

Participaram do encontro o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Santo André e Mauá, Cícero Martinha, e o empresário Erick Eloi, que após tentar emplacar pré-candidatura a prefeito pelo PT, e não conseguir, optou por deixar a legenda junto com Avamileno.

O Ponto Final continua apurando o assunto e trará mais informações, em breve.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

Cava de Cubatão pode ser tema de CPI

Da Redação

Em entrevista à Rádio Brasil Atual, o deputado Luiz Fernando Teixeira (PT) disse nessa manhã que iniciará, ainda hoje (26), o processo de coleta das assinaturas dos parlamentares para a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar de que maneira se deu a autorização da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) para a implantação da cava de Cubatão.

Iniciativa é do deputado Luiz Fernando (PT) | Foto: Alesp
A cava é administrada pela subsidiária da Vale, a VLI, e armazena um alto teor de poluentes formados por rejeitos e lixos tóxicos que tem despertado preocupação pela possibilidade de rompimento e por estar em uma área sujeita a eventuais erosões, colisão com navios ou abalos naturais.

“Podemos estar diante de um grande crime ambiental em toda Baixada Santista, que pode comprometer a vida marinha, todo ecossistema, a balneabilidade das praias e ainda a economia local, uma vez que a maioria dos moradores da vila onde está a cava vive da pesca artesanal”, alerta o deputado. 

Com informações RBA.

terça-feira, 15 de janeiro de 2019

MP suspeita de "mensalinho" na gestão de Grana em Santo André

Por Vitor Lima

A informação, que veio à tona hoje (15), de que o Ministério Público (MP) apura uma suspeita de mensalinho na gestão do antigo prefeito de Santo André, Carlos Grana, deixou movimentado os bastidores políticos na cidade desde o início do dia.

De acordo com informação apuradas pela repórter Alana Ambrósio, da rádio CBN, o MP localizou oito planilhas mensais com informações referentes aos meses de janeiro a agosto de 2016. Nelas, estariam informações de entrada de valores (R$ 8,5 milhões durante todo o período) via 27 empresas que prestavam serviços para a Prefeitura e a lista das pessoas que recebiam os montantes.

Ministério Público suspeita de irregularidades na gestão
do antigo prefeito, Carlos Grana, em Santo André | Foto: Arquivo
Entre os beneficiários, constam 18 dos 21 vereadores que cumpriram mandato entre 2013 e 2016. A reportagem afirma que nove desses parlamentares foram reeleitos e seguem na Casa Legislativa.

Os indícios apontam que onze partidos, inclusive siglas da base oposicionista, eram beneficiados com os repasses. Seriam eles: PT, MDB, DEM, PSB, PTB, PSD, Solidariedade, PV, PRB, PMN e PMB.

Um dos homens fortes da antiga gestão e ex-secretário de Governo, Arlindo José de Lima, é apontado pelo MP como suspeito de ser o responsável pelas planilhas. Ouvido pela reportagem, Lima afirmou desconhecer o teor da denúncia. Grana, o ex-prefeito, negou que em sua gestão tenha ocorrido qualquer irregularidade.

Suspeitas já repercutem

O PSB andreense, citado na reportagem como um dos beneficiários do suposto esquema, emitiu nota assinada pelo presidente da sigla na cidade, Donay Neto, comentando a reportagem.

O documento do partido ressalta que o PSB era oposição na época e que tinham, inclusive, um pré-candidato para concorrer com o PT (o ex-prefeito Aidan Ravin). “Rechaçamos veementemente qualquer denúncia neste sentido, nos colocando enquanto partido à disposição para quaisquer esclarecimentos”, comenta a nota.

“Entretanto se qualquer membro do partido de forma isolada possa ter se beneficiado do referido esquema espúrio, faremos uma apuração rigorosa e não hesitaremos em punir este desvio de conduta!”, finaliza o documento.

Denúncia aumenta a crise do petismo na cidade

As perspectivas em relação ao PT para o próximo pleito municipal, em 2020, já não eram boas. O novo imbróglio dificulta ainda mais a missão do partido para a escolha de um representante competitivo para disputar a Prefeitura da cidade com o atual prefeito, Paulo Serra (PSDB).

Vale lembrar que, em 2016, Grana sofreu a maior derrota da história do partido na cidade (no segundo turno, Serra derrotou o petista com mais de 80% dos votos).

Um dos nomes que eram cotados para ser o cabeça da chapa petista, em 2020, era o do deputado estadual Luiz Turco, que viu o projeto de reeleição na Assembleia Legislativa naufragar nas eleições do ano passado (o deputado perdeu mais da metade do eleitorado, na comparação com o pleito de 2014).

O atual vereador Eduardo Leite se coloca à disposição do partido para ser candidato ao Executivo. Porém, caso as suspeitas de irregularidades se confirmem, Leite também deve ter o nome inviabilizado, já que ele já formava a base do PT na Câmara na legislatura anterior.



terça-feira, 16 de outubro de 2018

Santo André recebe ato cultural contra Bolsonaro

Por Vitor Lima

No próximo domingo (21), Santo André receberá o ato “Resistência ao Retrocesso”, em frente a Escola Estadual Américo Brasiliense (na Praça Quarto Centenário, no Centro), das 10h às 19h. Na ocasião, diversos artistas e grupos farão apresentações culturais gratuitas em “defesa da democracia”.
Arte: Divulgação

Um dos organizadores, Edson José da Silva, explica que a motivação para o ato é o momento político do País e as eleições do próximo dia 28. “Infelizmente caminhamos para um retrocesso inimaginável. Daí a união para contribuir de alguma forma para não eleger o candidato fascista”, comenta, em referência ao candidato Jair Bolsonaro (PSL).

Na descrição do evento no Facebook (que pode ser acessado aqui), os organizadores ressaltam que o “outro lado”, representado pelo candidato do PSL, “age com violência e barbárie. Acreditamos que é necessário combater com inteligência e conhecimento”.

Até o momento, estão confirmadas 17 atrações culturais durante o ato – todos os artistas, grupos e coletivos se apresentarão de forma voluntária, em apoio às pautas do ato. Também estão programadas oficinas de arte para crianças.

“É uma satisfação imensa fazer parte desta turma, todos temos o mesmo propósito de contribuir de forma sensata para que o eleitor não eleja o  proliferador de ódio”, afirma Silva.


terça-feira, 25 de setembro de 2018

Marinho irá adotar o “Planejamento Participativo” para definir Orçamento do Estado

Da Redação

O candidato da coligação “São Paulo do Trabalho e de Oportunidades - PT/PC do B”, Luiz Marinho, declarou nesta segunda-feira (24), em Osasco, que as prefeituras e a população irão participar da elaboração do Orçamento do Estado. Para Marinho, trata-se de “fazer o planejamento a partir da lógica de territórios regionais, fortalecendo a governança regional”. “É o Planejamento Participativo”.

Marinho explicou sua proposta ao ser questionado por um dos participantes de entrevista concedida à ConecTV, ao Diário da Região e à Associação dos Jornais do Interior do Estado de São Paulo (Adjori-SP) sobre o fato de que boa parte dos impostos arrecadados não fica nos municípios, e sim vai para o Estado e União.

Candidato do PT defende a indicação das prioridades dos investimentos pelos territórios regionais, por meio dos prefeitos e moradores das cidades, juntos com o governador | Foto: Cesar Ogata/Divulgação
O candidato do PT afirmou ser importante cada região do Estado se enxergar no Orçamento. “Vamos dividir o Estado por territórios e, neles, os prefeitos poderão sinalizar quais são as prioridades nos quatro anos de mandato do nosso governo.”

Marinho explicou: “Vejam no caso da saúde. O Hospital Regional de Osasco tem 50% de sua capacidade ociosa. Portanto, fazendo o diagnóstico por região, teremos condições de saber o que está faltando e o que precisa ser implementado. Temos que partilhar a gestão”.

Para o petista, o Planejamento Participativo faz avançar a democracia participativa. Ele citou a experiência do Orçamento Participativo, que adotou em São Bernardo do Campo em suas duas gestões. Nesse modelo, a população da cidade apontava as prioridades que, em seguida, passavam a integrar o Orçamento do município.

Pedágios

Marinho voltou a falar do preço do pedágio cobrado pelas concessionárias de rodovias no Estado ao ser questionado por um dos entrevistadores sobre assunto. O candidato reafirmou sua disposição de reavaliar os contratos, independentemente do período de vencimento.

O petista disse que “é preciso rever o conceito de como fazer essas concessões”, pois o alto custo do pedágio tira a eficiência da economia paulista. “O preço dos produtos que você compra é impactado pelo exagero no preço do pedágio”, afirmou Marinho, que, depois, participou de uma caminhada na cidade de Osasco, com a presença de eleitores, militantes e simpatizantes.



quarta-feira, 19 de setembro de 2018

Em Santo André, Maurici defende políticas metropolitanas e nega atrito com candidatura local

Por Vitor Lima 

Mario Maurici Morais, 57 anos, é candidato a deputado estadual. Filiado ao Partido dos Trabalhadores (PT), desde a década de 1980, Maurici é formado em Jornalismo e, em 1992, foi eleito prefeito de Franco da Rocha, cargo que ocupou até 1996 – antes, havia sido vereador no município.

Após a experiência no Executivo da cidade, Maurici foi convidado pelo então prefeito de Santo André, Celso Daniel, a compor o primeiro escalão de seu governo, como secretário de Comunicação, na gestão 2000-2004. Foi a partir daí que o postulante à Assembleia Legislativa se tornou conhecido da população do ABC.

Em 2002, em meio ao traumático sequestro e posterior assassinato de Celso, Maurici foi realocado na Secretaria de Governo. No exercício da função, o petista tornou-se o homem forte do novo prefeito, João Avamileno, que foi reeleito, em 2004, e cumpriu mandato até 2008.

Maurici já foi prefeito de Franco da Rocha e homem forte
de gestões petistas em Santo André; neste pleito, tentará
se eleger deputados estadual | Foto: Divulgação

Contudo, no fim da gestão de Avamileno, Maurici já não fazia parte do governo. Após conturbadas prévias no PT, para definir o nome que sucederia Avamileno nas urnas – na qual Vanderlei Siraque foi escolhido em detrimento a Ivete Garcia, esposa de Maurici – o hoje candidato e outros secretários deixaram o governo.

Após aproximadamente dez anos com moradia em Santo André, Maurici voltou a residir em Franco da Rocha. Seu filho, Kiko Celeguim (PT), é o atual prefeito da cidade, em segundo mandato.

Ontem (18), Maurici esteve em Santo André, onde passou todo o dia para cumprir compromissos de campanha. Pelo ABC, Maurici tem dobradas consolidas com Eduardo Leite, Ana do Carmo e Vicentinho, todos do PT.

A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), de Santo André, que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici e deixaram o grupo de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito. “Eu não quero tirar votos dele (Turco), quero tirar votos da direita”, minimiza o candidato em entrevista ao Ponto Final, sobre suposto mal-estar criado por suas agendas políticas na cidade.

Durante o bate-papo, Maurici explicou as motivações de sua candidatura, defendeu a formulação de políticas públicas metropolitanas, o diálogo entre municípios e diz querer contribuir com o processo de reorganização do PT de Santo André. Confira os principais pontos da entrevista:

Ponto Final (PF): O que te motivou a buscar um cargo público novamente?

Mario Maurici (MM): Vou tentar resumir em três questões. Primeiro, a situação do País. A sensação que eu tenho é nós estamos retomando a agenda de antes dos governos do presidente Lula e da presidente Dilma. Agravada pelo fato de que nós estamos vivendo hoje um outro momento do capitalismo mundial. Momento em que os empregos cada vez mais de forma acelerada estão desaparecendo, inclusive algumas profissões. Essa nova agenda pede que quem acumulou mais experiência, quem tem compromissos mais firmes com a população mais pobre deste País, atue.

Outra razão é a própria situação vivida pelo PT. E não é só o desgaste que se manifestou de forma muito expressiva nas eleições de 2016. Nem o Brasil, nem os próprios quadros políticos do PT são os mesmos de 30 anos atrás, estamos num momento de transição geracional. Contribuir com esse processo também me atrai bastante.

E a terceira razão, é que eu acho que tem um aspecto que a cada dia se torna mais importante e que não está na agenda do Estado, não está na agenda dos políticos, que é a questão da metropolização do País. Você tem hoje um processo contínuo e avançado de metropolização e você não tem instâncias nem de governança, nem de formulação de políticas públicas de âmbito metropolitano. Os municípios têm se mostrado numa estrutura insuficiente para determinadas políticas, por exemplo, de mobilidade, saneamento integrado, destinação de resíduos sólidos, drenagem urbana. Os municípios têm se mostrado insuficientes para isso, porque essas questões não respeitam limite geográficos. E o Estado vê isso de uma forma muito distanciada.

PF: Eleito, como o senhor pretende trabalhar nisto?

MM: Trabalhar no debate junto à sociedade para acordar, despertar para esse tema. Junto as prefeituras para estimular a organização de consórcios, associação de municípios e agências de desenvolvimento regional.

PF: Aqui no ABC, o senhor deve ter acompanhado, Diadema saiu do Consórcio Intermunicipal e outras cidades estão se articulando para isso. O que a gente vê aqui, na verdade, é o enfraquecimento dessa postura que o senhor prega. O senhor, caso eleito, trabalhará para unir os municípios? 

MM: Eu tenho a sensação de que essa visão aqui no ABC é uma visão muito tacanha de achar que a discussão da regionalidade é uma discussão do PT, de governos petistas. Alguns gestores saem, mas com que compromisso, qual o propósito? Qual o argumento? É não ter mais uma discussão de planejamento regional?

PF: Eles argumentam que o Consórcio traz poucos resultados concretos para as cidades. O argumento é de que o órgão "pensa" muito e executa pouco. 

MM: Trazer pouco resultado é falta de empenho. Tem muita coisa que avançou aqui no ABC em função dessa discussão regional. A minha sensação é que alguns gestores municipais do ABC entendem que fortalecer o Consórcio é fortalecer uma visão mais ligada ao PT da sociedade. É uma represália e dane-se a população, os objetivos da coletividade.

PF: Uma das funções importantes dos parlamentares é o envio de verbas, especialmente agora, momento em que os municípios estão em situação financeiras delicadas. Aqui no ABC, algumas entidades se uniram e criaram a campanha "Quem é do ABC, vota no ABC", para que aumente o número de representantes daqui e o envio de verbas seja maior. O seu maior reduto eleitoral é Franco da Rocha e região. Caso eleito, o senhor vai se comprometer em enviar verbas para cá? Como funcionará essa questão da distribuição de verbas?

MM: Muito da minha formação eu devo a Santo André. Eu vivi 10 anos da minha vida aqui. Fiquei 7, 8, quase 9 anos na Prefeitura Municipal de Santo André. Tenho relação aqui com pessoas, tenho referências culturais, políticas, de amizade aqui na região.

Agora, mandar recursos de emenda é uma questão menor. Vamos mandar? Vamos, mas é uma questão menor. A questão maior é interferir na direção do governo do Estado para que ele olhe para a região do ABC com os olhos de quem precisa revigorar essa região.

Maurici cumpriu agendas de campanha durante todo o dia em Santo André | Foto: Reprodução
PF: Na sua opinião, quais as maiores demandas do ABC?

MM: É preciso encontrar um novo caminho de desenvolvimento. Nós já estamos entrando na quarta revolução industrial. A região do ABC é uma região de ponta neste aspecto no Brasil e ela precisa, de novo, continuar na ponta.

PF: O senhor tentaria impulsionar o investimento em Pesquisa e Desenvolvimento, Ciência e Tecnologia?

MM: Exatamente. Em especial Santo André que deve a sua industrialização a fase inclusive anterior, porque São Bernardo vem com a indústria automobilística e, em Santo André, a matriz é anterior, com fertilizantes, com química. Muita coisa mudou na estruturação produtiva destes setores. Agora, você tem aqui uma mão-de-obra altamente especializada, a presença de universidades. Aliás, a própria Universidade Federal do ABC (UFABC), claro que foi criada pelo presidente Lula, mas foi um sonho acalentado e desenvolvido no conceito de regionalidade. Então nós temos aqui uma série de recursos que precisam ser aproveitados. É aqui que nós temos as melhores condições de educação, de formação, para entrar nesta quarta revolução industrial.

PF: Vamos falar de política. O senhor era muito ativo em Santo André na época dos governos do Celso Daniel e do João Avamileno. O último governo petista aqui, do Carlos Grana, teve uma derrota histórica, a maior derrota da história do partido na cidade. O prefeito eleito, Paulo Serra, obteve 80% dos votos. Eu sei que senhor não estava na cidade no período, mas com certeza acompanhou o que aconteceu. Na sua opinião, o que deu errado na gestão do PT para ter uma derrota tão significativa?

MM: Você reparou em como você formulou a pergunta? Houve uma derrota do PT e que 80% dos votos foram para o Paulinho. Quem perdeu foi o partido, mas quem ganhou foi a pessoa, o Paulinho. É um cacoete que nós todos temos ao discutir o PT. Eu diria o seguinte: a bancada do PT na Câmara Municipal não diminuiu, continuou com cinco vereadores. Por que a gente atribui a derrota ao PT local e não ao quadro nacional que a gente viveu? O PT continua vivo com o mesmo nível de representação. Perdeu o governo, é verdade. Agora, nós perdemos em todos os lugares, com exceção de um, Franco da Rocha. Eu acho que a situação de fragilidade que o PT viveu naquele momento, da qual ele já está se recuperando, foi o que se abateu sobre Santo André.

PF: O senhor tem um grupo de apoiadores em Santo André que na outra eleição apoiaram o deputado Luiz Turco e seria natural que eles continuassem com ele, que tenta a reeleição, até pelo fato dele ser da cidade. Mas alguns militantes foram para o seu lado, e não há nada de errado nisso. Mas houve uma conversa, antes da eleição, para que o senhor não viesse, entre aspas, tirar votos do Turco em Santo André? 

MM: Olha, eu tenho uma excelente relação com o Turco. E eu não quero tirar votos dele, quero tirar votos da direita.

PF: Mas o fato do grupo dele ter sido desfalcado com apoios ao senhor e o fato do senhor vir para cá, fazer campanha em Santo André, não prejudica a candidatura dele, mesmo que indiretamente?

MM: Veja só: na eleição passada, praticamente todo o PT de Santo André, apoiou o Luiz Turco. Era impossível ter uma outra candidatura. Naquele momento a gente tinha o governo, era importante para o governo ter uma candidatura muito ligada a ele, tinha toda uma razão nesse sentido, e hoje eu não sei se há.

Minha ideia é contribuir com o PT de Santo André. Não é um momento fácil. O momento que sucede uma derrota eleitoral é sempre um momento difícil, de rearticulação, de reorganização, e eu quero contribuir com este processo. Eu não acho, honestamente, que eu vá tirar votos do Luiz Turco.

PF: Perguntei isso porque na década passada, e o senhor viveu muito intensamente isso, o PT teve uma grande crise na cidade, uma grande fragmentação, que deixou cicatrizes até hoje. Vanderlei Siraque, que era um quadro importante na cidade, mudou de partido. Não há um risco de fragmentar novamente o partido, de fato que ele chegue na próxima eleição mais fraco? 

MM: Essa fragmentação que você fala, não foi exatamente uma fragmentação. Foi uma disputa interna que resultou numa divisão e nós perdemos a eleição, mas rapidamente no momento seguinte nós retomamos o governo com o Grana. São coisas da política.

Com relação a essa história de ser ou não daqui, eu acho que é uma maneira muito complicada de ver isso. Não é por aí que você mede o compromisso dos mandatos com as regiões. Eu, por exemplo, quando assumi a Secretaria de Governo, em 2002, uma semana antes do assassinato do prefeito Celso Daniel, assumi com responsabilidade de ajudar o então vice-prefeito João Avamileno a manter o grupo reunido pelo prefeito Celso Daniel junto e levar o programa de governo adiante. E, além disso, ainda responder a suspeitas sobre a morte do Celso e a maneira de como se geria a Prefeitura.

Naquele momento ninguém reclamou que eu não era daqui. O que que eu preciso fazer para ser daqui? Qual é o problema? Você vive dez anos aqui, constrói política aqui, ajuda na gestão, mantém relações locais... qual é o problema? Para mim isso não é determinante. Pode ser determinante numa região como a de Franco da Rocha, que nunca elegeu um deputado, que nunca teve uma representação. Aquela é uma região sub-representada, mas não é o caso do ABC.

PF: Sobre o cenário nacional, como o senhor avalia a estratégia do PT de levar a candidatura do Lula até a última possibilidade?

MM: Ontem saiu a pesquisa (de intenção de votos) e o processo de transferência de intenção de votos do presidente Lula segue firme em direção ao Haddad. Já dá para imaginar, se nada de muito absurdo acontecer nos próximos 20 dias, o segundo turno será entre o candidato do PSL (Jair Bolsonaro) e o Fernando Haddad.

PF: E o senhor avalia que o PT sairá vencedor? 

MM: Acho que sim, mas não acho que haverá uma agenda fácil para depois das eleições. Eu acho que só vale a pena voltar a governar no País se for para aprofundar a radicalização de algumas coisas. Vou te dar um exemplo. A reforma do sistema eleitoral. O nosso sistema eleitoral é que promove essa coisa de caixa 2, de venda de votos e de apoio, essa corrupção que está posta. Não está posta nos últimos 10, 20 anos. Está posta desde sempre. Se nós, PT, erramos, erramos em não denunciar esse modelo, em não brigar para mudar esse modelo. E nós precisamos fazer isso agora. Não dá para manter do jeito que está.

PF: Mas o PT não denunciou porque era beneficiado também. 

MM: Passou a se beneficiar. Pois é... tinha uma opção a ser feita: denuncia ou se beneficia. Acho que fizemos a segunda opção. Errada, incorreta. Temos que rever isto. E como é que nós vamos fazer isso? Acho que vamos ter que usar os mecanismos de democracia direta, referendo, plebiscito.


terça-feira, 18 de setembro de 2018

Maurici, ex-homem forte de gestões petistas, cumpre agenda em Santo André

Por Vitor Lima

O candidato a deputado estadual, Mario Maurici Morais (PT), cumpre agenda durante todo o dia de hoje (18) em Santo André. Atualmente morando em Franco da Rocha, Maurici é figura conhecida do petismo na cidade e foi protagonista dos governos de Celso Daniel e João Avamileno, entre 1999 e 2008, nos quais foi titular das pastas de Comunicação e Governo.


Maurici tem diversos compromissos na cidade; entre eles,
entrevista com Ponto Final, que será
publicada amanhã (18) | Foto: Reprodução
Logo no início da manhã, o candidato esteve na Bridesgtone, e aproveitou a entrada dos funcionários para apresentar sua candidatura. Em sua agenda, estão previstas visitas a outras fábricas, caminhada na Avenida Sorocaba e entrevistas para veículos de comunicação locais, entre eles, o Ponto Final. A entrevista com o candidato será publicada neste espaço, amanhã (19).

Na cidade, Maurici tem dobrada com o candidato a deputado federal e atual vereador, Eduardo Leite (PT). A sua decisão de candidatar-se a deputado estadual desfalcou o grupo político do deputado estadual Luiz Turco (PT), que busca a reeleição. Alguns petistas da cidade, especialmente após a derrota de Carlos Grana na busca da reeleição para a Prefeitura, em 2016, se uniram ao projeto de Maurici em detrimento ao de Turco, que é muito próximo do ex-prefeito.

Embora tenha morado por aproximadamente 10 anos em Santo André e tenha grupo de apoiadores no ABC, o grande reduto eleitoral de Maurici é mesmo em Franco da Rocha, cidade  que ele já governou (entre 1993 e 1996). Atualmente, seu filho Kiko Celeguim (PT), é o prefeito do município, pela segunda vez consecutiva.




sexta-feira, 17 de agosto de 2018

Marinho cumpre agenda no ABC e critica gestões do PSDB

Por Vitor Lima

O candidato ao governo do Estado de São Paulo, Luiz Marinho (PT), cumpriu diversas agendas no ABC nesta terça-feira (14). Nas atividades, o petista criticou as gestões tucanas no governo do Estado nos últimos 24 anos, lembrou a falta de compromisso com o ABC e ressaltou iniciativas que nunca saíram do papel, como o chamado “Metrô do ABC”.

Militância petista se reuniu no Sindicato dos Rodoviários no fim do dia | Foto: Divulgação
Marinho iniciou as atividades cedo: participou de duas assembleias em empresas químicas em São Bernardo do Campo e terminou a manhã em reunião com empresários da região na sede da Associação Comercial e Industrial de Santo André (Acisa). Pela tarde, o candidato realizou caminhadas pela Vila Luzita e atendeu diversos veículos de comunicação regionais – entre eles, o Ponto Final. As agendas foram encerradas no Sindicato dos Rodoviários, em Santo André, em plenária que reuniu a militância e diversas lideranças petistas da região.

“Qual planejamento o governo do Estado tem para o ABC? Do ponto de vista de mobilidade, propostas ao vento, promessas vazias, como a do monotrilho. Promessas de 20 anos de modernização dos trens, das estações. A Avenida dos Estados, se tivesse sido modernizada e tivesse melhores condições, poderia induzir o processo de desenvolvimento do eixo do Tamanduateí, que era o sonho do Celso Daniel. O Estado pode, se planejado, ajudar o desenvolvimento da região do ABC”, afirma.

A respeito de sua candidatura, que ainda não emplacou, conforme apontam as pesquisas eleitorais, Marinho projeta que este quadro mudará conforme a campanha avance. “Nós temos que fazer o nosso papel como fizemos em 2008 (ocasião em que Marinho foi eleito prefeito de São Bernardo do Campo). A construção da campanha com a militância, no Estado inteiro, é o que levará ao crescimento da nossa campanha, gradativamente”, almeja.

Sobre o cenário eleitoral, o candidato reafirmou que o PT levará a candidatura de Lula até as últimas consequências. “Temos a certeza do seu direito jurídico e político de ser candidato. Vamos brigar até as últimas possibilidades de recursos. Espero que as cortes superiores ajam com o rigor da lei, da constituição e da jurisprudência. Se seguir o rigor da lei, da constituição e da jurisprudência, o Lula terá a homologação da sua candidatura”.



Em Brasília, Eduardo Leite brigará para revogar medidas de Temer

Por Vitor Lima

Eduardo Leite (PT) cumpre seu segundo mandato como vereador por Santo André, e tenta alçar voos mais altos. Em outubro, tentará se eleger deputado federal. Advogado de formação, Leite esteve ligado à política desde muito cedo: seu pai, Antônio Leite, também foi vereador em Santo André e foi secretário da Prefeitura da cidade.

Vereador de Santo André é candidato
 a deputado federal | Foto: Divulgação 
Na conversa com a reportagem do Ponto Final, o candidato afirmou que na Câmara Federal lutará pela revogação da reforma trabalhista implantada pelo atual governo federal. “Penso que o fortalecimento das indústrias e dos empregos não passa por essa reforma. Ela tem um impacto inverso ao que foi divulgado na época por quem defendeu a aprovação”, avalia.

Um dos objetivos de Leite, em Brasília, será reformular o sistema tributário. Esta sim, na visão dele, uma reforma necessária. “Nós assistimos muitas multinacionais que têm uma tributação muito branda em relação ao seu lucro, diferente do que acontece com o trabalhador”, protesta.

Também estão na lista de prioridades do petista o envio de recursos ao ABC, para que a região melhore o atendimento da Saúde pública e aumente o número de vagas em creches. Na avaliação dele, a população sofre muito com a chamada “PEC do teto”, que limita os investimentos públicos na Saúde e em diversas áreas. “Nós precisamos revogar a emenda constitucional que limita os investimentos. Ela está matando o povo brasileiro”.

Ponto Final (PF): Quais áreas serão priorizadas em um possível mandato? 
Eduardo Leite (EL): Nós precisamos pensar em projetos e ações, que fortaleçam o ABC e favoreçam o desenvolvimento regional. É preciso atrair recursos para a nossa região, para podermos investir mais na Saúde pública, no ensino infantil, especialmente no aumento de vagas em creches na região, e um deputado federal tem condições de destinar emendas parlamentares para isso. Vou focar nessas duas áreas.

E nós precisamos revogar essa reforma trabalhista que foi aprovada na Câmara dos deputados e que vem gerando uma precarização dos empregos, das relações de trabalho, aumentando o desemprego, diminuindo a renda e isso tem um impacto direto no nosso mercado consumidor.

Eu penso que a forma de fortalecimento das indústrias e dos empregos na região não passa por essa reforma. Ela tem um impacto inverso ao que foi divulgado na época, por quem defendeu a aprovação. O que precisa ser feito é uma reforma tributária. É necessário diminuir a tributação da produção. A tributação precisa ser majoritariamente sobre a renda, não sobre a produção e o consumo.

Uma das prioridades é uma reforma tributária que não sacrifique tanto os pequenos e médios comerciantes, empresários, prestadores de serviços, como hoje acontece no Brasil. E que não penalize tanto os trabalhadores que têm o seu salário considerado renda para efeito de tributação. Nós assistimos muitas empresas, no caso de grandes multinacionais, que têm uma tributação muito branda em relação ao seu lucro, diferente do que acontece com o trabalhador.

PF: Mas isso passa inevitavelmente por uma iniciativa do Executivo. 
EL: Mas tem que haver uma pressão para que o Executivo promova essas mudanças. Sem dúvidas, são iniciativas do Executivo, mas que exigem uma pressão social para que o Executivo tome iniciativa de encaminhar e pautar este tema. Essa pressão eu pretendo fazer.

Nós precisamos, também, ter uma política diferente do que vem acontecendo em relação ao consumo de drogas no nosso País. O consumo de drogas vem aumentando a cada ano. O poder de quem está envolvido na rede de comércio só aumenta e, hoje, o que nós assistimos é o encarceramento de muitos dependentes químicos. Não os traficantes. São jovens que vendem a droga para sustentar o vício. Existe pouca ação do Poder Público, de uma maneira geral, na prevenção ao consumo de drogas. Pouca informação nas escolas, poucas campanhas publicitárias focando na prevenção ao consumo de drogas e isso é um tema que o governo federal precisa olhar com cuidado.

A saúde mental é tratada de forma paliativa pelos governos, mas principalmente o governo central, e nós sabemos que a depressão e outros problemas que envolvem a saúde mental são caminhos para que as pessoas se tornem dependentes químicas.

PF: E como o senhor pretende atuar na Câmara para resolver essas demandas?
EL: Com projetos de lei e fomentos ao debate. Eu quero ser um deputado federal, que defenda o ABC no Congresso e que, além de defender a região do ABC, defenda principalmente os trabalhadores e os pequenos comerciantes, que são quem hoje sofrem mais com a carga tributária e com os impactos negativos da crise econômica, que o País está atravessando.

Eduardo Leite (direita) apoia Luiz Marinho (PT)
na disputa do governo estadual | Foto: Divulgação
PF: Na sua opinião, quais as principais demandas do ABC e como senhor pretende ajudar a região para solucioná-las? 
EL: Uma demanda urgente diz respeito à mobilidade urbana, que aqui no ABC é um problema seríssimo. Eu, como deputado federal, posso ajudar a fazer pressão, a pautar alguns debates na Câmara e até mesmo em outros entes da federação, como o governo do estado, que há muitos anos vem prometendo, a cada eleição, trazer o metrô para o ABC e a cada eleição que passa os governadores tucanos esquecem com seus compromissos com a região e não executam a promessa. Não é uma proposta de trazer metrô, porque isso não é uma competência do deputado federal. Mas acho que é uma bandeira, que todos os parlamentares da região devem assumir para si e se unirem para que se concretize, porque é vital para que o nosso desenvolvimento.

Outra questão importante é a Saúde pública. Nós temos em Santo André dois hospitais estaduais, o Mário Covas e o AME que executam pouquíssimas cirurgias de próteses de quadril, cirurgias mais complexas. Não sei dizer exatamente, mas outro dia entrei no site do hospital e têm muitas cirurgias estéticas, por incrível que pareça, têm várias cirurgias de pequeno porte que poderiam ser feitas no próprio Hospital Municipal e são feitas lá, porque têm um custo menor. E aquelas que o Estado é responsável, que são as complexas, acabam não acontecendo. O mesmo acontece com o município. Tem uma fila de espera muito grande por cirurgias, parte disso é falta de recurso público do governo federal. Ele (governo federal) vem, ano a ano, depois do golpe contra a presidenta Dilma, reduzindo os recursos na Saúde para Santo André.

Nós precisamos revogar a emenda constitucional que limita os gastos, dos municípios, dos estados e da união. Essa emenda precisa ser revogada, porque ela está matando o povo brasileiro nos hospitais. Essa emenda constitucional que congelou por 20 anos os gastos em Saúde está matando os brasileiros, porque o desemprego está fazendo com que mais pessoas procurem o Sistema Único de Saúde (SUS) e ao mesmo tempo o poder público está impedido de aumentar os investimentos. Porque o governo federal resolveu que a saída para a crise econômica, que o País enfrenta, deve penalizar os mais pobres e garantir que o dinheiro público continue engordando os banqueiros e grandes empresários brasileiros, que não estão passando necessidade, como estão passando milhões e milhões pelas ruas do Brasil.

PF: O senhor está no segundo mandato como vereador. No primeiro, o senhor era da situação, com o governo do PT, e agora faz parte da oposição. Como o senhor avalia este segundo mandato e a atuação da oposição na Câmara andreense? 
EL: A oposição aqui em Santo André tem agido de forma muito responsável. Diferente da forma irresponsável e antiética que o senador Aécio Neves, derrotado nas eleições de 2014, promoveu no País, de inviabilizar o governo Dilma até que ela fosse derrubada. Nós não estamos agindo dessa forma, porque nós estamos pensando na cidade. Algumas ações do Executivo que são, ao nosso ponto de vista, importantes para a cidade, não temos nenhum problema em manifestar apoio. Agora, ações negativas, como o fim do Orçamento Participativo, como o fechamento repentino de unidades de saúde, que foram adotadas no início do ano passado, como a forma que a Prefeitura lidou com o reajuste do IPTU, nós não concordamos e fizemos a crítica na hora certa. Votamos contra, nos dois casos. E estamos firmes nessa linha de oposição com responsabilidade.

PF: Não faltou um pouco mais de combatividade da oposição em alguns casos? Por exemplo, na questão do IPTU: foi aprovado rapidamente na Câmara e a própria Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que depois foi contestar este aumento foi iniciativa da base governista. Não faltou um pouco mais de atitude da oposição? 
EL: Depois de aprovada a lei, qual o sentido de uma CPI? A CPI existe para investigar crime. Não houve nenhum crime na aprovação da lei. Houve uma inabilidade política. Inabilidade política não é crime. Ela é cobrada no momento oportuno, nas eleições. Qualquer político que aja dessa forma paga o preço, geralmente, nas urnas. Agora, não é crime. Nós chegamos a discutir essa possibilidade, mas chegamos a essa conclusão na época. Foi uma decisão política, do ponto de vista legal poderia ter sido tomada. Nós nos posicionamos contrários e não fazia sentido, ao nosso entendimento, uma Comissão Parlamentar de Inquérito, tanto que os próprios vereadores que propuseram a CPI depois retiraram o pedido, porque entenderam que não havia crime para ser investigado.

PF: Seu objetivo é ser prefeito de Santo André? 
EL: Nesse momento meu objetivo é me eleger deputado federal e contribuir para que nossa cidade e a região do ABC volte a se desenvolver. Passado esse momento, eu vou me reunir com meu partido e juntamente com outras lideranças definir o rumo que nós vamos seguir.



segunda-feira, 30 de julho de 2018

Educação, mulheres e juventude são prioridades de Ana Lídia

Por Vitor Lima

Uma candidatura jovem, feminista, a serviço da classe trabalhadora e socialista. São sob esses motes que Ana Lídia (PT), 30 anos, tentará assegurar uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo. “Quando a gente fala de socialismo, estamos falando que queremos uma Educação e Saúde pública de qualidade para todo mundo, de salários justos e mais igualitários”, explica.

A candidata, nascida e criada em São José dos Campos, atualmente mora na Capital. Ana também morou em Guarulhos, período em que estudou na Unifesp e filiou-se ao PT, aos 20 anos de idade.
Aos 30 anos, Ana tentará uma cadeira
na Assembleia Legislativa | Foto: Reprodução 
Professora da rede pública estadual, a candidata revela que em um possível mandato priorizará a Educação e trabalhará pela valorização dos docentes. Pensar políticas públicas voltadas à juventude e fortalecer o trabalho contra a violência de gênero também serão prioridades.

Ana Lídia conversou com a reportagem do Ponto Final em 22 de julho, ocasião em que cumpriu agenda com apoiadores do ABC, em Santo André. Confira a entrevista:

Ponto Final (PF): Por gentileza, conte um pouco de sua trajetória política. Quando a senhora começou a militar politicamente e quando decidiu se filiar ao Partido dos Trabalhadores? 

Ana Lídia (AL): A política sempre foi muito presente na minha vida por conta da trajetória da minha família. Minha mãe e meu pai são operários. Um tio da minha mãe foi o primeiro sindicalista da família, no Sindicato dos Têxteis de São José dos Campos. Fui criada nesse ambiente. Quando eu tinha mais ou menos 13 anos, comecei a me aproximar mais da vida partidária, por conta de um mandato de um vereador lá na cidade.

Quando eu vou morar em Guarulhos, que eu ingresso numa universidade pública federal, que foi criada pelos governos do PT, é quando eu decido me filiar ao Partido dos Trabalhadores, com 20 anos, em 2008. Muito por entender todo o processo, do que o PT significa para a classe trabalhadora, como um dos principais instrumentos, ainda, de disputa da classe trabalhadora.

Outro pela própria história do partido, por aquilo que o PT defende e porque eu saio de uma cidade que há 12 anos vinha sendo administrada pelo PSDB e vou morar na periferia de Guarulhos, no fim da gestão do Elói Pietá (PT) e passo a compreender o que era uma gestão de trabalhadores para trabalhadores. Foi nessa gestão, e durante os governos Lula, que uma universidade pública federal vai ser colocada na periferia e junto com ela vem um hospital.

PF: Caso eleita, quais serão as principais bandeiras defendidas por seu mandato?

AL: Nossas prioridades, e eu vou falar ‘nossas’ porque essa pré-candidatura é um processo de construção coletiva, são baseadas em alguns eixos fundamentais.

Pelo fato de eu ser professora da rede pública estadual a gente sente o que são esses 20 anos de governos do PSDB para Educação. Não só do ponto de vista da carreira do professor, que sofre um processo de desmonte e de desmantelamento muito forte. Eu tenho dito que a reforma trabalhista que o governo golpista aplica, os governos do PSDB já aplicam na Educação aqui em São Paulo há muito tempo.

A questão da juventude, colocar outras perspectivas de vida para juventude, criar projetos que estejam ligadas ao desenvolvimento profissional, cultural dessa juventude, que hoje luta contra o Estado para sobreviver, que é uma juventude que não vê o Estado mais como referência de vida.

E a questão das mulheres. Eu trabalho com mulheres prostitutas, sou alfabetizadora, dou aula de alfabetização, de reforço escolar e formação política para mulheres prostitutas mais velhas. A gente tem que criar projetos voltados para o desenvolvimento delas sob uma perspectiva de acolhimento na questão da violência doméstica.

PF: Como educadora, qual a avaliação da senhora em relação a qualidade do ensino ofertado pelo governo de São Paulo? Concorda com a progressão continuada? 

AL: A progressão continua seria interessante, mas o que a gente vê agora não é uma progressão. O que significa uma progressão? É o aluno que está progredindo para poder atingir os outros níveis educacionais. Hoje há uma promoção automática. O aluno não tem progressão, qualificação educacional e ele vai sendo aprovado sem ter os pré-requisitos para conseguir ingressar em um outro nível. Para nós é fundamental que se crie outro modelo de escola e aí não vamos falar só da promoção automática.

É outro modelo de escola, com outro currículo, com plano de carreira para o professor, com valorização profissional, com cumprimento do Plano Estadual de Educação, da meta 17 do Plano, que diz respeito a equiparação salarial do professor.

É importante a gente pensar em uma Educação que esteja relacionada com a perspectiva de vida do aluno, uma Educação que dialoga com a realidade dele. O que não é colocado hoje. E na rede estadual muitos deles são alunos trabalhadores e hoje o estado de São Paulo visa um processo de fechamento de salas de aula do ensino noturno. O estado está com uma política de Parceria Público-Privada tentando entregar o ensino médio e o ensino básico para os setores privados e para as OS's. Isso é um ataque à educação pública.

Foto: Reprodução 
PF: Vemos um movimento muito intenso de negação à política, especialmente por parte dos jovens. A senhora também observa este movimento? Como dialogar com esta parcela da população?

AL: O jovem sabe o que ele quer. Essa negação da política é uma disputa que a gente passa junto aos meios de comunicação, que ficam pregando a antipolítica para essa juventude. O resultado disso é a eleição do Dória, por exemplo. O jovem, quando ele fala que não gosta de política, ele está negando, na verdade, as antigas práticas políticas que trouxeram o Brasil a essa atual condição.

Para dialogar com a juventude a gente tem que mostrar que a política é a solução e mostrar outras práticas. Ano passado, por exemplo, eu levei os meus alunos da rede estadual para assistir uma reunião da Comissão de Educação e Cultura na Assembleia Legislativa e ali eles puderam perceber como que absolutamente tudo que diz respeito a política está vinculado a vida deles. Ali eles perceberam o quanto é importante praticar a política e uma outra forma de política.

PF: Nas redes sociais da senhora a defesa dos direitos das mulheres está muito presente. Quais políticas a senhora defenderá na Assembleia Legislativa para que as pautas feministas sejam contempladas?

AL: A gente precisa ter um trabalho que combata de fato a violência doméstica ou qualquer tipo de violência de gênero no nosso estado e, por isso, é fundamental  a gente voltar a discutir dentro dos planos estaduais, dos planos municipais de educação, gênero e sexualidade, porque desde criança a gente tem que fazer uma educação que seja contrária ao machismo  e todas as formas de opressão. Esse é um ponto fundamental. Outro ponto é a gente conseguir promover políticas públicas que estejam voltadas, de fato, ao acolhimento das mulheres que sofrem tanto com violência doméstica ou com violências de gênero de uma maneira geral.

A gente tem que fazer com que a Lei Maria da Penha funcione aqui. A lei foi um grande avanço, mas tem as suas limitações pelo fato de a gente não ter, por exemplo, casas de acolhimento que estejam voltadas a essas demandas e parte das casas que a gente tem estão fechadas. A gente precisa ter delegacias que tenham estrutura de fato voltadas para esse acolhimento porque muitas das delegacias, mesmo as das mulheres, não têm preparo suficiente.

PF: Levando em consideração que a maior liderança do seu partido está presa há mais de 100 dias, como a senhora avalia o momento político do PT? 

AL: Se consolidado a impugnação da candidatura do Lula ela mostra a concretização de uma fraude. Essa Justiça prende o Lula justamente porque sabe que o Lula é a única liderança capaz de vencer as eleições e, vencendo as eleições, de derrotar todas essas medidas golpistas que foram colocadas. O nosso candidato é Lula e vamos com ele até o fim, porque se a gente assume qualquer outra possibilidade a gente assume a fraude do processo.

PF: Considerações finais.

AL: Quero destacar a questão da representatividade. A juventude que não vê a política como uma alternativa, porque não se faz política para a juventude, assim como não se faz políticas para as mulheres. As mulheres e negros, embora sejam a maior parcela da população, têm uma sub-representação em todos os espaços de poder.

Nossa candidatura é uma candidatura jovem, feminista, a serviço da classe trabalhadora e socialista. E quando a gente fala de socialismo a gente não fala assim de um jargão ou um conceito esvaziado. Quando a gente fala de socialismo, estamos falando que queremos uma Educação e Saúde pública de qualidade para todo mundo, de salários justos e mais igualitários. O eixo do socialismo para nós também é um eixo importante. Apesar das dificuldades, a gente tem de colocar isso em pauta.

PF: Não é prejudicial à candidatura defender essa bandeira?

AL: A gente trata a campanha, o processo eleitoral, como um processo de disputa da consciência de classe. É uma ideologia e a gente não abre mão das nossas ideologias. É com elas que a gente vai fazer essa disputa.

Obs.: Espaço aberto a todos os candidatos aos cargos eletivos de 2018. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final devem entrar em contato pelo e-mail: redacao@pfinal.com.br.



terça-feira, 24 de julho de 2018

Entidades lançam campanha para incentivar votos em políticos do ABC

Por Vitor Lima

Representantes de aproximadamente 15 entidades, entre sindicatos, associações e clubes, prestigiaram na manhã de hoje (24) o lançamento da campanha “Quem é do ABC vota pelo ABC”. Iniciativa da agência de comunicação Octopus, de Santo André, e da Associação Comercial e Industrial de Santo André (ACISA), a campanha buscar conscientizar os eleitores das sete cidades a votarem em candidatos a deputados estaduais e federais que tenham domicílio eleitoral no ABC.

Por meio de campanha publicitária gratuita e apoiada pelas entidades e pelos veículos de comunicação regionais, os organizadores pretender gerar engajamento nos eleitores e evitar os votos nos “estrangeiros” (candidatos com domicílio eleitoral fora do ABC).

Pedro Cia Junior, da ACISA, e Paulo César Ferrari, da Octopus | Foto: Divulgação
Ao explicar o mote da campanha, o diretor da Octopus, Paulo César Ferrari, lembrou que a região já contou com iniciativa semelhante, durante as eleições de 1994. Na ocasião, quando a região contava com aproximadamente 1,4 milhão de eleitores, foram eleitos quatro deputados estaduais e sete federais. Para o pleito deste ano, o ABC dispõe de mais de 2,1 milhões de eleitores.

Ferrari destacou também, além do aumento do número de votantes, o nível de insatisfação da população com a política ao analisar as diferenças entre as duas campanhas. O nível de abstenções da próxima eleição deve bater recordes, o que se configura como mais um desafio do projeto.

Segundo o manifesto da campanha, a região perdeu representantes do Câmara Federal e na Assembleia Legislativa de São Paulo nas últimas eleições, o que dificulta a resolução das demandas do ABC devido a falta de representatividade nas Casas. O envio de verbas para as Prefeituras, via emendas parlamentares, também é citado.

Durante o evento alguns executivos questionaram os organizadores sobre como cobrar os candidatos, caso eleitos. Na visão de alguns deles, a campanha de 1994, por exemplo, foi bem-sucedida ao eleger um número recorde de parlamentar do ABC, mas não trouxe frutos concretos à região, devido a atuação descompromissada dos políticos.

Por conta disso, os organizadores se comprometeram a formular um termo de compromisso a ser apresentados aos políticos eleitos e reafirmaram que após as eleições haverá acompanhamento dos mandatos e intensas cobranças, caso necessário.

O presidente da ACISA, Pedro Cia Júnior, acredita que eleger 12 deputados estaduais é um “número factível”, mas que, a depender do sucesso da campanha, pode chegar até a 15 nomes eleitos. Para deputados federais, o executivo tem projeção mais modesta: acredita que a região possa ter até seis nomes eleitos.

Em 2006, ao todo, eram 13 políticos do ABC nas Casas parlamentares (quatro deputados federais e nove estaduais). De lá para cá este número caiu: atualmente, são apenas dois representantes na Câmara Federal – Vicentinho (PT) e Alex Manente (PPS) – e quatro na Assembleia Legislativa – Luiz Turco, Ana do Carmo, Luiz Fernando Teixeira, Teonilio Barba (todos do PT).

É bom lembrar que na eleição de 2014 foram sete candidatos do ABC eleitos a deputados estaduais – contudo, três deles não exercem mais o mandato: Orlando Morando (PSDB, eleito prefeito de São Bernardo do Campo), Átila Jacomussi (PSB, eleito prefeito de Mauá) e Vanessa Damo (MDB, por problemas com a Justiça).

O site da campanha está no ar e pode ser acessado aqui. Por lá, é possível encontrar, gratuitamente, materiais de divulgação em diversos formatos (anúncios para diversas mídias, camisetas, adesivos, vídeo e jingle da campanha).


segunda-feira, 23 de julho de 2018

Oswaldo Dias volta às urnas como candidato a deputado estadual

Por Vitor Lima

Político experiente e protagonista do jogo eleitoral no ABC há décadas, Oswaldo Dias (PT), 76 anos, voltará às urnas neste ano, para pleitear uma das 94 cadeiras da Assembleia Legislativa de São Paulo. Dias estava há 10 anos sem disputar eleições.

Na última vez em que se dispôs a concorrer, em 2008, foi eleito prefeito de Mauá, cargo que ocupou até 2012. Anteriormente, Dias havia chefiado a Prefeitura mauaense em outros dois mandatos, entre 1997 e 2004.

Em 2006, o petista também tentou eleger-se deputado estadual. Na ocasião, obteve pouco mais de 84 mil votos – uma votação expressiva, mas que não foi suficiente para que seu objetivo fosse alcançado.

O ex-prefeito conta que decidiu concorrer novamente após pedidos de seu grupo político. A avaliação é de que a imagem negativa das últimas gestões de Mauá e sua atuação no passado cacifam Dias a obter uma boa votação em outubro. Petistas projetam que quem deseja vencer as eleições a deputado estadual deve obter, no mínimo, 60 mil votos.

Prefeito de Mauá três vezes, desta vez, Dias tentará eleger-se deputado estadual | Foto: Giovana Peres
Dias visitou a redação do Ponto Final em 18 de julho, ocasião em que concedeu entrevista para detalhar seus planos para um possível mandato. Eleições presidenciais, a crise mauaense e a atuação do Consórcio Intermunicipal também pautaram o bate-papo. Confira:

Ponto Final (PF): O senhor estava há dez anos afastado das urnas. O que te motivou a abandonar a “aposentadoria” e concorrer novamente?
Oswaldo Dias (OD): Nós temos pessoas mais próximas, militantes, amigos, que acabaram conversando com a gente. Na política, na vida de luta, a gente não tem aposentadoria. Estive afastado das urnas, mas nunca tive afastado da militância. Sempre estive atento, acompanhando todos os movimentos sociais, de reivindicação, de luta, sempre estive ativo. Fui eleito prefeito três vezes, não vou negar que eu tenha qualidades, mas fui eleito pela garra da militância e pela população que votou. Não me sinto tranquilo ao abandonar as pessoas, quando elas reivindicam que eu seja candidato. E nas urnas vamos ver se o eleitor corresponde ao que a militância está defendendo.

PF: Caso eleito, quais serão as principais bandeiras do seu mandato? 
OD: A defesa da Saúde e da Educação é quase uma obrigação, são as políticas sociais mais necessárias. Ainda ontem (17) estive conversando com algumas pessoas e elas comparavam o salário dos professores com o salário de juízes. Que bom (seria) se o professor ganhasse um quarto do que ganha um juiz. Não adianta você querer ter professores bons ganhando R$ 2 mil. Não vai conseguir ter professor qualificado, adequado, com R$ 2 mil, não tem cabimento. Então é lutar por Educação e pela questão da valorização do professor. Na Saúde, lutar para que a cidade tenha repasse necessário pelo atendimento que faz. Outra prioridade, inclusive com as possíveis dobradas, é a integração regional.

PF: O Consórcio tem sido motivo de muitas discussões. Diadema já deixou o órgão, alguns outros municípios indicaram que poderiam seguir o mesmo rumo. A percepção que a gente tem aqui de fora é de que divergências políticas têm atrapalhado a atuação do órgão. Como o senhor avalia o atual papel do Consórcio e o aparente enfraquecimento por qual a instituição passa? 
OD: Estamos em parceria, entre outros, com o Filippi (José Filippi Júnior, ex-prefeito de Diadema também por três vezes e que estará nas urnas este ano para se eleger deputado federal), e a gente vai defender que Diadema reintegre o Consórcio. Acho que cada município sabe o que faz, mas acho que lá em Diadema o Filippi vai defender que a cidade retorne. E nós vamos batalhar para que não haja a ideia de saída do Consórcio, pelo contrário. Nós podemos até mudar a política do Consórcio, talvez levar para uma articulação política, acho que é possível. Mas abandonar a ideia da regionalidade, não.

PF: Sua cidade passa por um momento, também, muito delicado. Como senhor recebeu a notícia da prisão do Átila?
OD: Com bastante tristeza. É duro você ter uma cidade com o prefeito preso. Agora não está preso, mas também não está em exercício. Para a cidade não é bom, independente de posição política. A população fica com baixo astral. É lamentável.

Foto: Giovana Peres 
PF: A dona Alaíde assumiu e mudou boa parte do secretariado, implementou uma nova gestão dentro da Prefeitura e decretou calamidade financeira. Como o senhor avalia a atuação política dela nesse período à frente da Prefeitura? 
OD: Ainda não senti modificação significativa. Pelo menos eles estão levantando a real situação de Mauá, que trabalha com déficit orçamentário muito alto. O governo do Átila é coloca os recursos de quatro anos em dois anos. Como é que se faz isso? Com déficit orçamentário. Vai realizando serviços e vai deixando sem pagar. Isso é lamentável, porque chega um momento que vai estourar mesmo. É uma gestão irresponsável. Neste aspecto, é uma gestão irresponsável, gastando aquilo que não tem para gastar, em todas as áreas.

PF: A gente vê a Prefeitura rachada, os dois grupos políticos trocando farpas e um clima de muita incerteza em relação ao futuro da cidade. O que fazer para tirar o município dessa crise? 
OD: Acho que tem que colocar em debate a situação da cidade. O município está muito endividado, por várias razões, e é muito difícil encontrar um caminho. Eu disse isso lá em 1996, quando a cidade também estava num quadro muito ruim. Eu recebi a Prefeitura em 1997, onde não tinha nem crédito para comprar material na papelaria. A gente conseguiu colocar ordem e tocar, mas talvez hoje esteja pior ainda, graças a essa forma de administrar de deixar rolando dívida. Se Mauá fosse uma empresa, fecharia. Só com debate, discussão e compreensão da população (para a cidade sair dessa situação). Em 1997, quando, nós assumimos, nós fomos para as ruas e fizemos uma bateria de atividades, seis meses de atividades nos bairros, para ouvir a população e passar para a realidade que Mauá tinha. A população precisa saber qual é a realidade de Mauá, independente de quem são os culpados.

PF: Existe a possibilidade do Oswaldo Dias voltar a ser prefeito de Mauá?
OD: Eu torço para que não. Eu torço para que a gente encontre outros caminhos. Agora, tem um chavão que a gente usa: somos um soldado na luta. A gente está sempre à disposição da luta. Se a luta indicar isso não vou fugir, mas espero que a gente tenha outros caminhos. Não é o meu desejo.

PF: Boa parte da arrecadação de Mauá vem do setor químico e petroquímico. Caso eleito, o senhor atuará no fortalecimento deste setor para o desenvolvimento econômico de Mauá e do ABC? Como? 
OD: Como deputado, se eleito, a gente tem que colocar na mesa algumas questões. Tem uma questão básica que eu não consegui enquanto prefeito e como deputado eu vou tentar levantar. Que é onde o ICMS deve ser cobrado. Em todos os outros casos, você produz um objeto aqui e recolhe o imposto aqui. No entanto, em Mauá, a refinaria produz o combustível e o ICMS vai ser cobrado em outros municípios. Mauá não fica com o ICMS do combustível. Mas a nafta, o gás que é produzido na refinaria é vendido em Mauá. Ali você tem o ICMS. Mas o diesel e a gasolina não rendem o ICMS em Mauá. A ideia seria articular a contratação de um advogado constitucionalista para poder fazer essa interpretação, porque o produto é produzido aqui e transportado para outro lugar. A diferença é que não vai em caminhão, vai em tubulação. Qual a diferença de você transportar de um caminhão cargueiro ou por tubulação? Essa é uma pauta que a gente pretende levantar. Onde produz é onde deveria ter a cobrança do ICMS. Essa será uma das prioridades do meu mandato.

Outra coisa que eu pretendo trabalhar é a questão do transporte coletivo. Existia uma promessa do governo de que até 2015 já teria uma nova estação de trem em Mauá e a ideia era transformar o leito da CPTM em um metrô de superfície, o que é fácil, pois o custo é baixo. É só isolar uma linha para o trem de carga e colocar duas para o transporte coletivo e colocar qualidade nela para diminuir o tempo de percurso. Se colocar qualidade igual ao do metrô você vai de Mauá ao Brás em 20 minutos. É uma coisa que nós temos que trabalhar. E a questão do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) que iria ligar São Caetano a Diadema. Nós temos que levantar a importância disso.

PF: Falta força política para a região destravar esses projetos? 
OD: É muito difícil a relação com a CPTM e os órgãos do governo do Estado. Eu acho que o Consórcio é um bom caminho para fazer esse diálogo, a partir de uma reunião com todos os prefeitos da região.

PF: Levando em consideração que a maior liderança do seu partido está presa há mais de 100 dias, como o senhor avalia o momento político do PT? 
OD: Eu tenho defendido que Lula preso é a classe trabalhadora presa. A condenação dele é política, não existe comprovação nenhuma de que ele é dono do triplex. Nós avaliamos que é uma prisão política e que existe uma perseguição simplesmente porque o Lula defende o povo trabalhador.

PF: A indefinição em relação à candidatura de Lula não enfraquece as candidaturas do partido? 
OD: Não, pelo contrário. Nós temos circulado e as pessoas que a gente aborda são majoritariamente pró-Lula. Nós vamos trabalhar com o Lula até o limite e eu espero que as pessoas que estão mais próximas dessa discussão tenham a solução adequada, no momento adequado.

Obs.: Espaço aberto a todos os candidatos aos cargos eletivos de 2018. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final devem entrar em contato pelo e-mail: redacao@pfinal.com.br.



quinta-feira, 7 de junho de 2018

Siraque: "deveria ter saído do PT no fim da campanha de 2008"

Por Vitor Lima

Vanderlei Siraque tentará assegurar novamente uma cadeira na Assembleia Legislativa nas eleições deste ano, desta vez pelo Partido Comunista do Brasil (PCdoB). Siraque, 58 anos, é natural de Santa Cruz do Rio Pardo, interior de São Paulo. Começou a militar na política ainda jovem, aos 16 anos. Em Santo André, teve atuação importante em comunidades de jovens e no sindicalismo dos bancários, onde começou a ganhar notoriedade.

Elegeu-se a um cargo público pela primeira vez em 1988, aos 28 anos, quando foi eleito para a Câmara andreense pelo Partido dos Trabalhadores (PT). Pela sigla, venceu mais dois pleitos como vereador (1992 e 1996) e foi presidente da Casa, para depois emplacar três mandatos como deputado estadual (1998, 2002 e 2006) e um como deputado federal (2010). Tentou reeleger-se em 2014, mas seu projeto sucumbiu.

No meio desta trajetória, em 2008, disputou a Prefeitura de Santo André pelo PT, após vencer prévias internas no partido. Perdeu para o então vereador Aidan Ravin no segundo turno, após obter 49% dos votos válidos na primeira etapa eleitoral.

“Foi uma tragédia”, o próprio afirma sobre aquela eleição. De lá para cá Siraque viu seu espaço diminuir brutalmente dentro do PT. Em maio do ano passado, o ex-parlamentar entregou a carta de desfiliação ao partido e migrou para o PCdoB, sigla que lhe abrigou e lhe dará suporte ao projeto de eleger-se novamente deputado estadual.

Em outubro, Siraque estará nas urnas pelo PCdoB | Foto: Vitor Lima
Siraque se diz grato ao PT, defende a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas ataca a cúpula do partido em Santo André. Em conversa com a reportagem do Ponto Final em 6 de junho, o pré-candidato comentou as prioridades de um possível novo mandato, ressaltou a importância da regionalidade e atacou as últimas gestões da Prefeitura de Santo André. Confira:

Ponto Final (PF): Na sua opinião, quais as principais demandas do ABC?

Vanderlei Siraque (VS): Nós temos que mudar a forma de administrar a região. Nós temos que voltar ao projeto do Celso Daniel, que é a minha inspiração política. Nós temos que unir as sete cidades do ABC e trabalhar projetos de desenvolvimento em conjunto, de infraestrutura em conjunto, reivindicações junto ao governo do Estado e Federal em conjunto. Eles (os atuais gestores) trabalham de forma isolada. Nós temos de fortalecer o Consórcio de municípios e fortalecer a Agência de Desenvolvimento Econômico. Os vereadores e deputados da região também devem trabalhar unidos.

PF: O que o senhor defende não acontece atualmente. Diadema já deixou o órgão e informações indicam que existem articulações para que outras cidades saiam. Como o senhor vê este momento do Consórcio?

VS: O Consórcio não tem uma liderança regional. Celso Daniel foi uma liderança. Na ideia dele, tem que ter projeto regional, de desenvolvimento econômico e social da região. E você tem que trabalhar o consenso progressivo. Não é uma questão de minoria ou maioria. Aqui os prefeitos olham cada um para o seu próprio umbigo, não conseguem ter uma visão estratégica regional.

PF: Por vaidade, projetos políticos pessoais? 

VS: 
Não, por falta de conhecimento mesmo. Não é maldade, vaidade, é falta de conhecimento em políticas públicas. Falta de preparação e espírito de estadista.

PF: Caso eleito, quais serão as principais bandeiras defendidas por seu mandato?

VS: O que eu tenho como prioridades gerais são dois setores: Segurança Pública e, na área de desenvolvimento, o setor Químico, Petroquímico e Plástico.

PF: Pesquisa do Ipea divulgada na terça-feira (5) indica que pela primeira vez na história o Brasil atingiu patamar de 30 homicídios por 100 mil habitantes. Alguns candidatos são a favor da liberação do porte de armas. Como o senhor vê essa questão?

VS: Sou totalmente contrário.

PF: Por quê?

VS: Porque a maioria dos homicídios são causados por armas de fogo. E as pessoas não são preparadas para isso (para portar armas). A maioria dos crimes que acontecem, entre aspas, com as 'pessoas de bem' são crimes passionais, com amigos, com vizinhos, dentro da própria casa, em brigas de bares e de trânsito.

PF: Diante disso, qual diretriz deve ser seguida para mudar este número de homicídios elevado?

VS: Primeiro lugar nós temos que ter uma cultura de paz, uma cultura da não-violência, de valorização da vida. Investir em educação, empregos, na inclusão social, em políticas públicas de gênero e trabalhar a polícia técnica-científica.

PF: Atualmente, o ABC conta com apenas quatro representantes na Assembleia Legislativa e dois no Congresso Nacional. Em outras oportunidades, nossa região já teve números mais expressivos. O baixo número de representantes da região demonstra um descontentamento dos eleitores com os políticos do ABC?

VS: Penso que os deputados se elegem e só aparecem durante o período eleitoral. Isso é ruim. E, também, por falta de visão. As pessoas se elegem, fazem a disputa política, mas não têm projeto. As pessoas não têm conhecimento. Quando eu falo da indústria Química, Petroquímica e Plástica, por exemplo: metade da arrecadação de Santo André vem do setor químico. Em Mauá, 70%. Não estou falando que este setor é importante. Ele é essencial.

Siraque foi parlamentar por sete mandatos
consecutivos pelo PT | Foto: Arquivo
PF: O seu partido tem uma pré-candidatura posta à Presidência da República com a Manuela D'Ávila. No campo progressista, a gente vê o Ciro Gomes trocando farpas com o PT. E ela, entre os pré-candidatos, é a que tem o discurso mais defensor da união da esquerda. O senhor defende que ela leve a candidatura até o fim ou que esquerda se una já no primeiro turno?

VS: Ela pode ser, inclusive, a unidade da esquerda. Eu defendo que o campo progressista, denominado de centro-esquerda, deveria se unir. Acho que deveríamos ter um esforço para que o Lula possa ser o candidato deste campo. Agora, o Lula não sendo o candidato eu penso que deveríamos trabalhar em uma única candidatura. Este é o meu pensamento do ponto de vista estratégico.

PF: Então, se fosse para o senhor definir, haveria um único candidato da esquerda e esse candidato seria o Lula?

VS: O Lula é unanimidade. Todos apoiam.

PF: A prisão dele foi justa?


VS: Não. Até porque é inconstitucional. Do ponto de vista do direito constitucional deveria ter sido transitado e julgado (em todas instâncias) e não transitou.

PF: É uma prisão política?

VS: Não acho que é política, acho que é um entendimento jurídico equivocado.

PF: O senhor deixou o PT em maio do ano passado, após viver praticamente toda sua militância dentro do partido. Há pouco tempo, o Montorinho, outro quadro importante do partido na cidade, também deixou o partido. Por que essas lideranças têm deixado o PT?

VS: Eu sou muito grato ao PT, mas em Santo André não dava. Em 2008, setores do PT não me apoiaram no segundo turno, então já começou lá, com uma grande sabotagem. Eu fui aguentando por uma questão de coração, de paixão, mas racionalmente eu deveria ter saído já no final da campanha para prefeito em 2008. Porque foi muito duro. Tem um grupo de pessoas que não é partidário, são grupos políticos, econômicos, que trabalham com contratos da administração, com setores da imprensa, com prestadores de serviços públicos.

Independente de partido. Por acaso o Paulo Serra era secretário do PT, o principal secretário da administração do PT. É algo estranho. Eu não saí do PT, o PT me tirou.

PF: Por que isso ocorre? Ganância pelo poder?

VS: Ganância pelo poder, projeto pessoal, falta de ética. Esse grupo se espalha muito. É o grupo que acabou com os sonhos de mudança da sociedade. O PT foi muito importante para minha vida, mas esse grupo afundou o PT.

PF: Como o senhor avalia gestão do prefeito Paulo Serra?

VS: Vai se repetindo as últimas três gestões da cidade. Ela não mudou nada em relação as gestões do Aidan (Ravin), do (Carlos) Grana. Não se trata de questão pessoal, mas ela (a gestão) tem dificuldade de planejamento, como é em São Bernardo, São Caetano... não tem projeto para a cidade, planejamento estratégico. Pode ter planejamento de poder, mas não tem para a cidade. Eu sinto que as pessoas pensam 'quero ser prefeito', 'quero ser vereador', 'quero ser secretário'. Mas as pessoas são nomeadas e não têm um plano. A pessoa está na Secretária de Obras, passa para o Meio Ambiente, passa para o Desenvolvimento e depois para Educação, por exemplo. Eles chegam no governo sem um plano.

PF: O senhor pretende concorrer novamente à Prefeitura? 

VS: Está cedo. O PCdoB terá um candidato a prefeito em 2020. Eu pretendo ser deputado estadual. A eleição de prefeito me marcou muito, pessoalmente foi uma tragédia. Eu fui detonado pelos falsos companheiros do PT. Saí daquela eleição muito machucado. Eu não queria disputar mais nada, tanto é que desisti de ser candidato de novo (para prefeito), porque eu não queria briga. E deu no que deu. Uma gestão muito medíocre, foi um desastre para a cidade.

Mesmo agora, esse negócio de aumenta IPTU, tira IPTU, fecha posto de saúde, abre posto de saúde... tem que ter planejamento, responsabilidade fiscal. Não estou falando de partido, porque aqui as últimas três (gestões) estão sendo iguais. Muda as pessoas, mas os métodos políticos são iguais.

Obs.: Espaço aberto a todos os pré-candidatos aos cargos eletivos de 2018. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final devem entrar em contato pelo e-mail: redacao@pfinal.com.br. 





quinta-feira, 19 de abril de 2018

Montorinho deixa o PT

Por Vitor Lima

José Montoro Filho, o Montorinho, entregou há pouco sua carta de desfiliação do Partido dos Trabalhadores (PT). Vereador em Santo André por sete mandatos consecutivos, Montorinho era um dos militantes mais antigos do partido na cidade.
Militante histórico do PT, o ex-vereador deixa o partido | Foto: Arquivo

Carta de desfiliação foi protocolada na
tarde de hoje (19) no diretório municipal do partido
O ex-petista candidatou-se para vereador na eleição passada e obteve 3.956 votos, sendo o 12° mais votado no município. Contudo, Montorinho não tomou posse, pois foi barrado na Lei da Ficha Limpa, por supostas irregularidades durante o período em que foi presidente da Câmara dos Vereadores (entre 2007 e 2008).

A saída do ex-vereador foi lamentada pelo presidente do diretório municipal do PT de Santo André, José Paulo Nogueira. “É uma perda irreparável. Ele é um dos fundadores do partido em Santo André, construiu sua trajetória política dentro do partido, é um militante histórico. O PT tem profundo respeito por ele e lamenta muito a perda de um quadro político deste porte”, comenta.

Nogueira afirma que desconhece os motivos que levaram Montorinho a tomar esta decisão e nega qualquer tipo de desentendimento do ex-vereador com a cúpula do partido na cidade.

Até o fechamento desta reportagem, Montorinho não retornou os contatos do Ponto Final para esclarecer os motivos de sua desfiliação e seu futuro político. Informações de bastidor dão conta de que o ex-petista apoiará o vereador Almir Cicote na eleição deste ano. Cicote, que recentemente deixou o Partido Socialista Brasileiro (PSB) e migrou para o Avante, tentará se eleger deputado estadual.