terça-feira, 2 de agosto de 2016

Construção do metrô no ABC deve ser financiada por bancos nacionais

Da Redação

O deputado estadual Orlando Morando realizou audiência com o secretário estadual de Transportes Metropolitanos, Clodoaldo Pelissioni, na última sexta-feira (29), para obter novas informações sobre a Linha -18 Bronze, o metrô que chegará a região do ABC. Segundo o secretário, a estratégia para a construção do metrô mudou e deverá ser realizada por empréstimos em bancos nacionais.  

Após aguardar um ano e três meses recursos do governo federal para a captação de empréstimos internacionais para início das desapropriações, a gestão paulista agora aposta na renegociação da dívida com a União para obter nova classificação na relação de capacidade de endividamento e, com isso, poder contrair empréstimos junto aos bancos nacionais.

Pelissioni e Morando se encontraram na última sexta-feira (29) | Foto: Divulgação
Pelissioni afirmou que a repactuação da dívida dos Estados com a União trouxe outras perspectivas de negociações para a Linha 18. “Teremos prazo estendido para pagar nosso passivo em 20 anos. Com isso, o Estado volta a ter carta de crédito para obter empréstimos. Nossa intenção agora é conversar com bancos nacionais, buscar linhas de créditos no País. Estimamos que sejam necessários R$ 600 milhões para as desapropriações para começar os trabalhos no início do próximo ano. Com o canteiro colocado, o prazo de entrega é de quatro anos (em 2021)”, afirma o secretário.  

Além disso, Pelissioni adiantou que já fez reunião com técnicos do Banco do Brasil e que vai procurar a Caixa Econômica Federal para analisar as linhas de crédito oferecidas por essas instituições. Também buscará recursos do Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para a obra na região. 

Morando é presidente da Comissão de Transportes na Assembleia Legislativa. “Apesar dos atrasos, estamos otimistas que vamos ter o Metrô em São Bernardo”, finaliza. 

A Linha 18-Bronze tem programação de 15,7 quilômetros de extensão, e passará por Santo André, São Bernardo do Campo, São Caetano do Sul e São Paulo, ao custo de R$ 4,26 bilhões, divididos entre recursos públicos e do Consórcio Vem ABC, privado.



Centro Histórico de São Paulo recebe passeio guiado por professores de história

Da Redação

No próximo dia 13, os professores Rodrigo Rainha e William Martins (coordenadores do curso de História do grupo de ensino superior Estácio) promoverão um passeio com aula gratuita sobre a história do Centro Histórico de São Paulo. O evento, denominado “Rolê Brasil”, já passou por Belo Horizonte e Salvador, e agora chega ao Centro da cidade mais populosa do País. A aula ocorre a céu aberto e percorre os locais mais importantes da região, como a Praça da Sé e o Edifício Itália, para que os docentes mostrem a história que está nas ruas e avenidas, nos grandes prédios, nas praças e nas mudanças estruturais ocorridas ao longo dos mais de 460 anos do município.

Passeio passará por diversos pontos turísticos da cidade, como a Praça da Sé (foto)| Foto: reprodução 
A região que já viveu o apogeu, sendo centro comercial de São Paulo no século XX até os anos 70, passou por um longo período de abandono. Nos últimos anos, com o esforço iniciado pela sociedade civil e reiterado pelo poder público, o Centro Histórico passa por um processo de renovação a partir da recuperação do patrimônio histórico, aumento das opções de lazer e entretenimento, revitalização do uso do espaço urbano, entre outras ações. Para Martins, “a memória é um dos mais importantes instrumentos para o reconhecimento indenitário e consequente potencial de zelo e transformação”. 

O Rolê Brasil – São Paulo, realizado pelo Estúdio M’Baraká com patrocínio da Estácio, manterá a estrutura e perfil em todas as cidades por onde ocorre o projeto: passeios descontraídos, olhares atentos para a história e arquitetura da cidade, curiosidades, e professores especialistas nos assuntos abordados. 
Edifício Copan também será visitado | Foto: reprodução
Na edição paulista, a jornada histórico-cultural começa às 10 horas, com previsão de duração de 2h30 e terá como ponto de encontro a Biblioteca Mario de Andrade. Depois seguirá o roteiro dando um rolê pelo circuito de museus e instituições culturais de Sampa, até chegar no edifício Guinle. Ainda em 2016, São Paulo receberá mais um Rolê, em 22 de outubro.

Detalhamento do roteiro do passeio de 13 de agosto:
•          Biblioteca Mario de Andrade – Ponto de encontro
•          Edifício Copan
•          Edifício Itália
•          Theatro Municipal
•          Praça da Sé + Marco Zero
•          Catedral Metropolitana da Sé
•          Museu da Cidade – Solar Marquesa de Santos
•          Conjunto cultural da Caixa
•          Palácio da Justiça
•          Ordem Terceira do Carmo
•          Edifício Guinle



ABC tem déficit de 230 mil moradias

Da Redação

O diagnóstico sobre a situação habitacional no ABC, apresentado ontem (1º) aos prefeitos da região, aponta um déficit de 230 mil moradias nas sete cidades. Em toda região, o número do déficit quantitativo, isto é, de moradias que precisam ser construídas, totaliza 100.362. Em relação ao déficit habitacional qualitativo, relacionado à carência de infraestrutura básica (saneamento, energia elétrica, coleta de lixo, entre outros), o número é de 129.714 moradias.

Iniciado em maio de 2015, o estudo é o primeiro produto concluído por meio de Termo de Cooperação Técnico-Científica do Consórcio Intermunicipal Grande ABC com a Universidade Federal do ABC (UFABC). O presidente do Consórcio e prefeito de São Bernardo do Campo, Luiz Marinho, ressaltou que o diagnóstico auxilia a política habitacional nas sete cidades. “Com o estudo, conseguimos um retrato da situação da moradia na região. As equipes de algumas cidades ainda precisam melhorar sua base de dados, o que é fundamental para podermos pleitear recursos dos governos estadual e federal”, afirma. 

Estudo sobre a situação habitacional da região foi apresentado aos prefeitos | Foto: Divulgação
Em relação aos assentamentos precários, o diagnóstico aponta a necessidade de regularizar 707 núcleos, sendo que 376 destes necessitam também de urbanização. No caso da produção de novas moradias, o total é estimado em 100.362 domicílios, sendo 36.502 dentro de assentamentos precários e 63.860 fora deles. Com isso, a disponibilização de terras para as necessidades habitacionais do ABC soma 6,386 milhões de metros quadrados.

A coordenadora do estudo pela UFABC, Rosana Denaldi, explicou que as necessidades habitacionais contempladas no estudo são referentes a segmentos populacionais de renda familiar mensal de até três salários mínimos, portanto, podem ser incluídos no Programa Habitação de Interesse Social e receber recursos do poder público. “A diminuição do déficit envolve recursos que precisam de levantamento de custos, além do cadastramento e das famílias para regularizar a situação”, disse.



Dermatologista explica diferença entre botox e preenchimentos

Atualmente, a toxina botulínica e o preenchimento são procedimentos estéticos muito procurados nos consultórios médicos, tanto por mulheres quanto homens. A dermatologista andreense, Íris Flório, afirma que esses procedimentos são amplamente indicados para minimizar os sinais de envelhecimento, além de corrigir alguns “defeitinhos”. 

Íris fala sobre as principais dúvidas das pessoas, antes de se submeterem a um dos procedimentos. Vale lembrar que a toxina botulínica há muito tempo é utilizada na medicina para fins terapêuticos em algumas especialidades como neurologia, oftalmologia e dermatologia. 

No preenchimento facial é possível ver o resultado na hora | Foto: Divulgação 
Como são feitos esse procedimentos? E em quais áreas da face?
O botox age paralisando a musculatura, e no caso de envelhecimento, ajuda muito em rugas dinâmicas (aquelas que aparecem quando há expressão facial). É preciso muito cuidado e técnica na aplicação do botox em algumas regiões da face e, principalmente, ao redor da boca para que não cause paralisia nos músculos responsáveis pela fala e mastigação. No caso de preenchimentos faciais são injetadas substâncias flexíveis na pele para melhorar a aparência de pequenas linhas e rugas, aumentar os lábios, preencher bochechas cavadas, melhorar cicatrizes, levantar sulcos profundos e reparar várias imperfeições faciais. 

Quais produtos são utilizados?
No botox é utilizada a toxina botulínica. No preenchimento, o acido hialurônico é considerado um dos produtos mais seguros para a realização do preenchimento cutâneo. Apesar de ser produzido em laboratório, o ácido hialurônico é um componente natural da derme, segunda camada da pele, não causa alergias e dispensa testes prévios. Outra linha de preenchedores busca o estímulo à produção de colágeno pelo organismo, que será o responsável pelo preenchimento das rugas. Entre eles estão o ácido polilático (Sculptra) e a hidroxiapatita de cálcio (Radiesse). Uma variação desta técnica é o auto enxerto de gordura, na qual retira-se gordura de uma área do corpo onde esteja em excesso (através de lipoaspiração) e injeta-se sob a ruga elevando-a. Este procedimento é mais trabalhoso, exigindo mais cuidados.

Quem pode fazer? E quem não pode?
Normalmente é indicado que o paciente faça tais procedimentos quando aparecerem sinais de envelhecimento cutâneo, que para alguns já começam no início da idade adulta. E não devem ser feitos durante a gestação e amamentação. Para uma avaliação e esclarecimento de dúvidas, recomenda- se que sempre se procure um médico habilitado e especialista.

A partir de qual idade pode ser feito?
Não há uma idade específica, normalmente é feito a partir do momento que o paciente sente-se incomodado com a aparência.

Há restrições? Efeitos colaterais?
Entre as complicações mais comuns do botox estão: alergias, dor ou hematomas no local, cefaleia e náuseas. Além disso, queda palpebral ou dificuldades na mastigação, deglutição e sorriso quando mal aplicados. Nos preenchimentos podem surgir hematomas, infecção local, dor e inchaço, além de granulomas.

É necessário repouso?
No caso do botox, sim. Após a aplicação o paciente deve evitar massagear o local da aplicação ou realizar movimentos que possam tirar a toxina do lugar por 6 horas. Para o preenchimento não é necessário.

Em quanto tempo é possível ver o resultado? Quanto tempo dura?
O uso do botox cosmético costuma ter seu efeito máximo nas duas primeiras semanas, sendo necessária nova aplicação a cada três ou quatro meses. Nos preenchimentos faciais, o paciente consegue ver o resultado na hora da aplicação, tendo uma duração de oito a 12 meses.





ONG do ABC arrecada fundos para ajudar comunidade indígena

Por Vitor Lima

A ONG Opção Brasil, de São Caetano do Sul, criou uma campanha de financiamento coletivo para concluir a construção da casa de reza da aldeia indígena Guarani Tekoa Pyau - comunidade localizada no Jaraguá, na zona norte de São Paulo. O objetivo da ação é arrecadar R$ 7600, que serão usados para a compra de materiais de construção. 

Voluntários se reúnem, todos os sábados, para a construção | Foto: Humberto Mariano
O trabalho de construção da casa de reza da comunidade começou no fim de maio. De lá para cá, em todos os sábados, voluntários organizados pela ONG se reúnem para construir o templo. Com recursos insuficientes, a entidade teve que criar a campanha para arrecadar o valor necessário para o fim das obras. 

Todo o valor deve ser arrecadado até o próximo dia 15. Tal urgência justifica-se pela comemoração do ano novo indígena (chamado Ara Pyau) e pelo batismo da erva mate, que ocorrem em agosto e devem ser feitos na casa de reza, conforme conta o presidente da ONG, Ricardo Carvalho. “O local é o espaço sagrado Guarani, centro de toda a cultura e ancestralidade dos indígenas. É lá onde se realizam todas as cerimônias tradicionais da comunidade”, explica. 

Os interessados em ajudar na campanha devem acessar https://goo.gl/F0ZQIs. Mais informações podem ser obtidas pela fanpage da instituição (www.facebook.com/opcion.brasil) ou pelo telefone 2759-0390.


Botequim Carioca recebe a tocha olímpica

Nesta terça-feira (2) a tocha olímpica estará no Botequim Carioca, em Santo André, a partir das 17h. Na ocasião, quem passar pelo bar poderá conferir e tirar fotos com o principal símbolo dos Jogos Olímpicos Rio 2016. 

Tocha olímpica passou pelo ABC no último dia 23 | Foto: Reprodução 
O evento também conta com a presença de monitores para as crianças se divertirem no espaço kids, além de um menu especial  com os bolinhos do Kit Delegação, recheados com a culinária típica de cinco países.

O Botequim Carioca fica na Rua Santo André, 524, em Santo André. O horário de Funcionamento é de terça a sexta-feira, das 16h às 23h, sábado, das 12h às 23h. 


segunda-feira, 1 de agosto de 2016

"Faço parte de um governo muito bem avaliado”, garante Secoli

Por Carlos A. B. Balladas

Com o objetivo de proporcionar mais qualidade de vida à população e dar continuidade as mudanças realizadas em São Bernardo do Campo, o pré-candidato a prefeito pelo Partido dos Trabalhadores (PT), Tarcisio Secoli, iniciou um ciclo de debates, no último dia 21, com os segmentos sociais para a elaboração do programa de governo.

Natural de São Bernardo do Campo, Secoli é bisneto de imigrantes italianos que  chegaram ao ABC no fim do século XIX. Formado em Economia, o pré-candidato atuou como secretário de Coordenação Governamental e secretário de Serviços Urbanos na gestão do prefeito Luiz Marinho, assim, esteve à frente dos principais projetos realizados no município como, por exemplo, o Drenar de combate às enchentes.

Em entrevista exclusiva ao Ponto Final, Secoli (foto)  faz uma análise sobre o município, comenta a abordagem da campanha e os projetos em andamento.

Ponto Final (PF): Quais são os problemas que o senhor considera hoje ainda importante, que sobraram de tudo que já foi feito na cidade?
Tarcisio Secoli (TS): Nós temos um programa de habitação popular que o investimento precisa se dar até 2027, é para resolver o básico, gastando e investindo 8% do orçamento. Nós começamos e está em andamento, hoje, três corredores de ônibus, temos mais nove projetados, alguns bem mais avançados, alguns com perspectivas de recursos, alguns já tentando licitar e outros ainda na prancheta. Nós vamos começar agora uma obra do Hospital de Urgência para ficar no lugar do Pronto Socorro Municipal, está licitando, vamos ver como roda a licitação, porque licitação sempre é problema. Se correr tudo direitinho em outubro começa a obra, se não conseguir acabar até outubro. No Hospital de Mulher temos que fazer uma grande reforma nele, para encerrar os investimentos pesados na Saúde uma única UBS (Unidade Básica de Saúde) tem que ser construída na cidade, na Vila São Pedro, com isso, você resolve os problemas da Saúde. Nós estamos com dois CEUs (Centros Educacionais Unificados) grandes, planejadas e projetados faltam apenas o recurso, tem até o projeto, mas não tem o recuso ainda para poder licitar no Alvarenga e no Orquídea, esses dois vão dar conta de atender toda aquela população que está lá, mas não está bem atendida até o momento. Então, são obras grandes que precisam ser feitas ainda neste próximo período, em termos de obras em si. Com relação a drenagem, por exemplo, tudo que estava previsto no (projeto) Drenar está feito.

PF: O projeto completo do Drenar termina este ano?    
TS: Termina, tanto no (bairro) Jordanópolis, quanto na área central da cidade, com única diferença, onde o problema é que o governador prometeu e não deu R$ 50 milhões para tampar o piscinão do Paço, ele vai ter funcionalidade, mas estará sem tampa. É um problema para resolver no futuro. Como ele não deu nem R$1, até hoje, o piscinão não vai estar tampado até 31 de dezembro, que era nossa meta de entrega.


PF: A tampa seria o estacionamento?       
TS:
Isso, seria o estacionamento. Então, nós vamos ter que pensar, é um desafio futuro como a gente vai fazer este tamponamento, composição de contas, como a gente vai fazer para isso.
Cada obra realizada, ou várias obras realizadas, dão desafios novos. Fiz uma reunião sábado passado (23/07) com muita gente de condomínios, de prédios que nós construímos, e as pessoas dizem assim: ‘tá bom, mas eu precisava ter um estacionamento lá agora’, porque o estacionamento que tem lá é pequeno. Se você pegar um pessoal de favela, que não tinha se quer automóvel, põem num outro local, as pessoas vão trabalhando e vão se ajeitando e propondo: ‘olha precisa fazer uma área de lazer lá’. Quer dizer, tem uma enxurrada de coisas para dar sequência, a partir das obras que foram feitas. Tem vários grupos que estão trabalhando no programa de governo. Então, vamos ver o que virá de demanda, de proposta, de sugestões para que a gente possa implementar na cidade. Tem muita coisa que vamos ter que fazer nos próximos quatro anos.

PF: Eu fiz uma entrevista com o Marinho e ele falou que sempre a prioridade dele foi, justamente, essa da habitação. O senhor falou que vai até 2027. Qual é a demanda hoje, quantas famílias existem?     
TS:
Nós temos hoje na renda aluguel, que é o auxílio-aluguel, umas 2.500 famílias ainda, então, isso precisa ser feito e entregue para essas pessoas. (Há) as novas obras que serão feitas, nós precisamos ver se vai deslocar gente. Eventualmente, você tem que descolar gente, corredor de ônibus, tem desapropriação você tem que tirar. Na urbanização você tira pessoas, muitas vezes, você consegue verticalizar no local; às vezes, você tem que pegar esse pessoal e ver outro local para fazer moradia. Cada um (projeto) tem o seu desenho, então, assim, é difícil eu te dar um número exato, o que nós precisamos fazer é dar conta de quem está no programa, quem está no auxílio-aluguel e ir trabalhando para que isso vá se reduzindo, para a gente poder começar a trabalhar com outras coisas. Vamos ver como que o governo federal vai se posicionar, mas o Minha Casa, Minha Vida Entidades resolve vários problemas, porque a entidade compra o terreno, a Caixa (Econômica Federal) financia a execução da obra e a Prefeitura tem que levar a infraestrutura. Esse é um programa adequado para a cidade, porque com pouco investimento atende uma necessidade real de muita gente.

PF: Esse programa já existe?         
TS:
Existe, mas com risco de ser cortado.

PF: Verificamos empresas que fecharam em São Bernardo do Campo. Esta semana, a Yoki fechou e despediu trabalhadores. Como o senhor vê este cenário, como pretende combater este tipo de situação?  
TS:
Tem coisas que é possível trabalhar e resolver, mas tem coisas que não tem o que fazer. Eu pego o caso da Yoki, que você citou, a Yoki fazia aqui farinha de mandioca, farinha temperada e coisas do tipo, venhamos e convenhamos, é muito mais lógico você plantar a mandioca onde está e do lado fazer uma pequena unidade de manipulação, industrialização e distribuição de lá. Não tem muita lógica você trazer do interior de São Paulo, do sul de Mato Grosso mandioca pra cá, transformar em farinha e devolver para  vender no Brasil inteiro. A mesma coisa com o milho de pipoca, aqui em São Bernardo não produz milho de pipoca, mas a indústria estava aqui, porque estava instalada aqui. O que eu acho que faltou aí é um problema da desnacionalização da indústria, investimentos em projetos novos que são possíveis de fazer, quando a Yoki estava aqui nas mãos dos brasileiros, e eles tomavam conta dela, estavam desenvolvendo uma enzima, um produto a partir do cambuci, que era um alimento funcional importante, porque retardava o envelhecimento. Então, fazer isso aqui, onde o cambuci é nativo, tem muita lógica de poder trabalhar isso. Tem produtos que estão mal posicionados, aí tem a possibilidade como nós fizemos aqui na Isopor. A Isopor quando fechou tinha menos de 50 funcionários, quem comprou queria fazer casinha, nós impedimos de fazer. Fizemos com que eles trouxessem um serviço. Trouxeram a Leroy Merlin na Anchieta, que tem 450 funcionários diretos e indiretos, nove vezes mais do que quando fechou a indústria. Então, é o que as prefeituras podem fazer, porque essa história de dar incentivo, dar terreno, dar não sei o que, nós não temos mais condições de fazer isso, já fizemos no passado e, às vezes, o resultado nem é tão auspicioso. Isenção de impostos depende muito do setor industrial, eu vi um deputado falando uma bobagem aí, que vai ajudar a indústria automobilística dando isenção de imposto, talvez, ele não saiba que o IPTU da Mercedes Benz provavelmente com meio dia de produção ela paga, os outros 365 dias e meio do ano é que é o problema. Então, você tem também um não entendimento do que é um processo industrial de fato, e o que uma prefeitura pesa nisso, então, para um gestor de uma empresa na Alemanha provavelmente não é isso que vai fazer ele manter uma empresa aqui ou tirar ele daqui, tem outros componentes que ele leva em consideração.

O que nós temos que continuar fazendo é qualificando gente, que nós precisamos trabalhar para isso, desenvolver o nosso Polo Tecnológico, que está andando, mas precisaria andar um pouco mais rápido, ver o que de fato é possível fazer para ele desenvolver, ter gente com qualificação para trabalhar na indústria de defesa que é um caminho importante para a gente, trabalhar na indústria de entretenimento, a partir do cinema e cinema de animação com o Vera Cruz, que só não está andando bem, porque a empresa que ganhou a concessão está com baitas prob­­­lemas de tentar sobreviver no mercado competitivo que ela está, com uma empresa de construção e que trabalha com cinema e televisão, aí todo mundo tem suas crises também, ali nós queremos fazer um monte de pequenas empresas, startups na área de Cultura.

A economia criativa é uma coisa que nós vamos ter que trabalhar, porque têm países que já tem 20% do PIB na economia criativa, o Brasil tem 12% do PIB em toda cadeia automotiva, desde a industrial, até comércio, serviço na área de automóvel, venda de produto, autopeças, só para ter uma dimensão do que pode ser. A grande vantagem da economia criativa, diferentemente, da outra economia que os bens materiais são findáveis, elas têm limites e fim, na economia criativa não tem fim, então, você tem uma matéria-prima, que é o próprio saber das pessoas e do fazer, que aí não tem fim a matéria-prima. Então, é só a criatividade que faz com que ande e avance. Então, isso nós temos que trabalhar muito isso para o futuro, eu acho que é o que demanda e pode fazer. Na área do Comércio, nós temos aí muitos comércios de bairro, são áreas importantes que precisam ser valorizadas e incentivadas, e a Prefeitura precisa fazer algum trabalho nessa área, eu acho que isso nós conseguiríamos fazer, eu acho que se os comércios permanecessem nos seus locais, menos mobilidade, e o emprego desses comércios locais sempre são as pessoas dos bairros.

PF: Como fazer isso, fixar o consumidor no seu próprio bairro?
TS: Muitas vezes as pessoas não sabem o que têm no bairro. Você pode pensar no bairro onde você mora, muitas vezes, você sai, vai a outro canto, quando tem tudo no nosso próprio bairro. Você vai numa loja de sapato, fala ‘ah, no bairro é mais caro, no shopping é mais barato’, mas você tem que pagar estacionamento, você vai levar 2h para chegar e sair e isso no fim, por causa de R$ 1 era melhor ter feito no bairro, que era muito mais prático. Falar, mostrar, apresentar criar sites que as pessoas possam estar dizendo ‘estou aqui, comprem aqui...’, estamos pensando nisso para o nosso programa de governo. Ninguém sai de um bairro para comprar pão em outro lugar, raramente faz isso, você não vai num açougue de outro bairro. Por que isso não pode ser para outros produtos também? Essa coisa já existiu fortemente em outros países, na França, em especial os grandes supermercados têm vários problemas, porque as pessoas preferem manter os comércios pequenos, porque as pessoas se conhecem. Eu andando aqui em São Bernardo encontrei vários locais com comércios de caderneta ainda. É uma modalidade quase pré-histórica, mas que sobrevive na cidade, justamente, nesses locais. Eu vi também a questão das farmácias, as grandes redes têm distribuidor de remédio, você tem a receita o cara tá lá ele não quer saber, está na receita ele te entrega, eu vi várias farmácias de bairro que o cara (farmacêutico) é um conselheiro.

PF: Em relação à sua campanha: o Lula fará campanha para você?
TS: Se ele topar vir na minha campanha, ficarei muito feliz. Eu não tenho nenhum problema com o Lula. O Lula transformou este País, tirou 50 milhões da linha da pobreza, gastou meio por cento do PIB para fazer isso, colocou o Brasil no cenário internacional, melhorou demais a economia, reduziu o desemprego e cresceu o salário de todo mundo, com esse portfólio se eu falar que eu não quero ele na campanha, eu estou jogando um capital político fora.

PF: Mas o Lula virá na sua campanha?
TS: Eu não convidei ainda e vou (checar) como é que a gente faz isso. Até porque é um problema, pois pode ser muito difícil para ele dizer não, eu não sei se ele quer, porque as coisas não dependem só de mim, depende dele também. Se ele tiver vontade e disposição, eu ficarei imensamente grato de ter ele na minha campanha.

PF: Há conflitos numa campanha como essa?
TS: A campanha ele é feita só de conflito, porque você já tem pelo menos quatro candidatos a prefeito na cidade, o menor aí do PSTU, os outros três, e cada um tem o seu conjunto de vereadores, então, o que está tendo de troca-troca, de mexe-mexe aí é uma coisa impressionante, administração de conflitos. O cara não quer ficar lá, porque não falaram bom-dia para mim hoje, então, vem pra cá. Alguém está aqui e você não falou bom-dia para mim ontem, então, estou indo não sei para onde. Isso me parece uma constante nas campanhas que têm por aí. O que eu acho diferente, nós vamos fazer uma campanha quase que inédita, sem recurso de empresas, que você vai ter que ter uma coisa que é credibilidade, conversar com as pessoas e falar para as pessoas o que tem que ser feito. Eu tenho 45 dias para me tornar conhecido e só para repetir continuar as coisas que o prefeito Marinho está fazendo e fiz junto, os meus adversários vão ter 45 dias para tentar explicar para a população que eles têm uma proposta primeiro que seja melhor, depois que seja plausível, que dê conta das necessidades da cidade. Vai ser muito difícil a vida deles, porque depois que nós fizemos todos os nossos planejamentos e orçamentos participativo, que as pessoas falaram o que ela precisavam em seus bairros, nós sabemos direitinho o que precisa, por isso, que fizemos.

PF: O senhor acha uma grande vantagem da sua parte o conhecimento da cidade e das demandas?        
TS: Claro, não só o conhecimento, mas eu faço parte de um governo muito bem avaliado, se fosse um governo como o do Alckmin eu teria que escondê-lo. As pessoas sabem que eu vou fazer e dar sequência, porque eu vivia fazendo isso junto com o Marinho. Eu não cheguei agora para falar: Marinho o que foi que você fez, para eu continuar. Todos os projetos, propostas e ações que nós encaminhamos aqui foram feitas conjuntamente, eu acompanhei cada uma delas. Os adversários vão ter que dizer o que eles vão fazer melhor. Eu não consigo imaginar o que eles podem fazer. Tem um que diz que não vai mais fazer regularização fundiária, outro diz que vai fechar umas UPAs, porque têm muita UPA na cidade, um quer fazer o Bom Prato ao lado do museu, vão vender sopinha lá agora, que é o futuro da cidade. Eu fico olhando o tamanho das bobagens, porque eles não conhecem a cidade.

PF: Como o senhor acha que o cenário nacional vai interferir na sua campanha e na campanha dos seus adversários?
TS: Cada vez menos na minha e cada vez mais nas deles. Não influência, porque quem votou pelo impeachment da Dilma tem que explicar porque agora está falando em aposentadoria com 75 anos. Porque tem gente agora falando que vai ter que trabalhar 80 horas/semanal, porque que tem uma lei que foi aprovada que fragiliza ainda mais as relações de trabalho, terceirizando mais ainda, eles é que têm que se explicar agora, eu não tenho mais que ficar dando explicação do governo central, nós fizemos um governo exitoso, tivemos problema em um ano de governo e agora para tudo mais, os técnicos que ficaram avaliando qual era a ‘pedalada’ que a Dilma tinha feito, reconheceram que não tinha ‘pedalada’, então, não tem uma acusação sobre ela, que criminalize nada, não tem problema de corrupção e não tem pedalada fiscal. Por que fazer o impeachment, então?  Quem estava batendo panela já ficou quietinho, não fala mais nada, não quer falar mais nada mesmo. Eles é que tem que ver, tem que justificar as mazelas que este governo federal está fazendo agora, porque os quatro ministros que perderam o mandato estavam na Lava Jato.  Eu tenho que dizer o seguinte: os de Brasília que erraram nossos, estão lá pagando pelos seus erros, aqui ninguém falou nada, não tem nenhum caso, mas o Marinho tem dois processos no Ministério Público, tem. Como teve vários que o Tribunal de Contas pegou para avaliar e mandou arquivar, deu a chancela que estava tudo certo.

PF: Como pretende conduzir as questões regionais?
TS: Tem uma série de atividades que estavam pensadas e começaram a ser trabalhadas, mas não se concluíram ainda. Tem várias ações sendo feitas na questão da Segurança, começou a se fazer um trabalho importante na questão da drenagem, foi feito um estudo, que eu não tenho agora detalhadamente sobre ele. Resíduo sólido é um problema permanente em todas as regiões, então, nós precisamos ver como é que trabalham essas questões e aí não tem ninguém que tem que ser protagonista de nada, nós temos que, de fato, estar trabalhando com as cidades, tem coisa muito importante que Santo André está fazendo, principalmente, nesta questão de resíduos sólidos, lá com o Ney (superintendente do Semasa) que puxou e avançou, e que tem um trabalho muito consolidado com relação a isso; nós fizemos aqui uma coleta seletiva que está um pouco mais diferenciada e, talvez, mais abrangente do que tem nos outros municípios, nós temos que ver como é que vai trabalhar isso; nós temos aqui algumas obras importantes de drenagem que dão conta da questão do município, o que mais nós temos que fazer para contemplar a sequência disso, nós temos um problema aqui no Rudge que joga para São Caetano, ali onde ficava a antiga Uniban, Anhanguera, ali não temos nenhum projeto ainda.

PF: Mas o que o senhor considera mais importante, a parte de drenagem, lixo ou segurança?
TS: Tudo é importante. É difícil dizer uma ordem de prioridade disso. O que a gente conseguir implementar com mais rapidez e mais facilidade seria ótimo. O sistema de segurança que estava pensado era muito interessante, a partir das placas você já está definindo e sabendo o que era carro roubado, era um negócio que estava andando bem, vamos ver como a gente finaliza agora, parou por algum motivo. A drenagem foi feito um estudo de bacias, está levantado isso agora e quais são as intervenções que têm que ser feitas, aí vamos ver, onde tem recurso, como é que vai pegar recurso, como é que licita, então, o Consórcio continua tendo um papel preponderante e importante, para a gente poder fazer o desenvolvimento regional de fato, na região ainda você tem muita coisa que é da área de conhecimento, você tem a Mauá na divisa com São Caetano, você tem a Federal do ABC, em Santo André.

PF: Então, o senhor acha importante o prefeito encontrar formas para estimular o conhecimento dos cidadãos? Como o senhor atrai essa pessoa que você deu conhecimento formal e mantém a mão de obra na cidade?
TS: Tem vários caminhos para fazer. Agora pouco eu tinha falado com você sobre economia criativa. O que nós conseguimos desenvolver nisso, por exemplo, na área de informática tem várias possiblidades de crescimento e desenvolvimento. São Bernardo tem uma editora que os escritores da cidade já fizeram alguns livros, dá para fazer mais, você tem um potencial lá, nós temos aqui a indústria do cinema, podemos potencializar e podemos fazer, nós temos as universidades que preparam gente para o mercado, seja indústria, seja comércio ou startup para vários tipos de empresas, que podem estar trabalhando na indústria da defesa, acho que é uma perspectiva de futuro, ou que pode dar uma nova cara pra essa indústria das bases das montadoras que estão por aqui, muita coisa na área de serviço que são importantíssimas para a empresa e precisa de gente qualificada. Por exemplo, eu estou andando na rua e vejo que precisa de mecânico hidráulico, que o mecânico precisa entender pneumática com movimento com ar e água, isso está em falta no mercado, tanto gente demitida, o problema é que essas pessoas que ficaram trabalhando nisso estão muito valorizadas e estão prestando consultoria, ao invés de querer ser empregado de alguém, está faltando gente nesta área, então, dá para trabalhar e pensar como rapidamente atender a um nicho de mercado desses. Essas instituições de ensino podem se focar em fazer isso, ao invés de ficar fazendo um monte de advogados, um monte de pedagogos, um monte de assistente social.

PF: O senhor está sugerindo que as instituições dirijam os seus currículos/cursos para as necessidades da região?
TS: Para as necessidades da região que mudam constantemente e a grade curricular é muito lenta na transformação. Isso é uma tradição para todos. A Federal do ABC só nasceu com concepção nova, porque ela era nova. O Celso Daniel tentou fazer da Fundação, do centro educacional da Fundação, quando ele criou a Faculdade de Engenharia. Ele tentou fazer de forma nova, só que a corporação é muito dura e tem resistência. Você só consegue fazer isso numa universidade nova, as outras que estão aí vão ter que se modernizar um pouco mais, para poder dar conta disso, a área de Serviço cresce muito, nós tínhamos 5 mil empregados na área da Saúde, em São Bernardo, em 2008, e hoje 8.600, é o tamanho da Mercedes-Benz só na Saúde de São Bernardo. Então, você tem muita coisa que você pode trabalhar. Estou falando da Saúde pública da cidade. Agora área privada tem que tocar do mesmo jeito, tem que crescer, tem que desenvolver. Crescendo pouco a economia, os planos de saúde vão continuar rodando por aqui, na área da Saúde você tem potencial, do lazer, do entretenimento, o esporte está demandando gente. Alguns anos atrás não tinha o Whatsapp, mas uma universidade demora 20 anos para mudar a grade curricular, aí forma gente que não cabe no mercado, você tem que discutir com as pessoas que vão preparar gente para essa nova demanda que você está esperando que possa vir, a indústria da defesa aqui não existe, para ser constituída eu preciso de determinados profissionais, que se não tiver aqui eu tenho que buscar fora, a empresa aqui em São Bernardo que produz radares e que agora vai produzir sonares, a Omnisys terá de contratar 300 engenheiros nos próximos três anos. Engenheiros que entendam de propagação de ondas no ar e na água. Quantos têm formados? Os que estão trazendo essa tecnologia para cá, vão ter que ficar três anos na França aprendendo para trazer a tecnologia para cá e vão trazer. Então, você tem uma demanda enorme pela frente.

PF: Em relação ao governo do estado como o senhor vai se comportar, assim como o Marinho procurando manter uma boa relação com o governador?      
TS:
Óbvio. As instâncias nós temos que respeitar todas as instâncias e respeitar, principalmente, as escolhas que a população faz. O governador foi eleito, posso não concordar com muita coisa que ele (Alckmin) faz, ele pode estar devendo esse R$ 50 milhões que ele não pagou.

Obs.: Espaço aberto a todos os candidatos aos cargos eletivos de 2016. Interessados em apresentar suas ideias e propostas aos leitores do Ponto Final escrevam para redacao@pfinal.com.br.